domingo, setembro 12, 2004

FIM


Como tudo na vida, também um blog tem o seu início e o seu fim.

O blog Portugal e Espanha já conheceu uma interrupção, deixando de ser um blog individual para ser um blog colectivo. Foi a forma de prosseguir um projecto que, pelo menos em ideia, tinha alguma utilidade.

Depois disso, sobreviveu mais oito meses.

Mas, entretanto, alguns dos seus colaboradores foram deixando de poder colaborar. Outros anunciam agora a necessidade de fazerem o mesmo. Eu, o seu iniciador, por múltiplas razões pessoais, vejo-me também forçado a dar à costa e a pôr fim ao caminho de quase um ano de existência.

E a data é até propícia para este fim. Celebra-se mais um aniversário do Tratado de Alcanizes, pelo qual Portugal assumiu as dimensões e limites que hoje tem, descontando pequenos acertos posteriores como São Félix de Galegos, mas incluindo Olivença que ao menos à luz do Direito continua a ser parte do Corpo Nacional...

Não conhecendo eu nenhum blog que trate das relações Portugal-Espanha e dos problemas da Península Ibérica, é com muita pena que vejo este projecto acabar.

É tempo de outros começarem um novo projecto.

A todos os que aqui escreveram e a todos os que tiveram o gosto ou a bondade de nos lerem, os meus (e nossos) agradecimentos mais fraternais.

Entretanto, no Forum Yahoo Olivença existe uma interessante alternativa a este espaço. Visite-o e participe.




Gesto de amizade espanhol...



A Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, existente sobre o Rio Guadiana, na estrada de Elvas para Olivença, está classificada como Imóvel de Interesse Público, português, conforme art.º 2.º do Decreto n.º 47.508, de 24-01-67.

Mas, a Junta de Extremadura decidiu agora classificá-la «Bien de Interés Cultural, con la categoría de monumento».

Já agora, os nossos amigos espanhóis não querem classificar também como seus monumentos a fortaleza de Elvas, o Paço Ducal de Vila Viçosa, o Mosteiro dos Jerónimos e quem sabe os palácios das Necessidades, São Bento e Belém?




Puente Ajuda, Bien de Interés Cultural

El Diario Oficial de Extremadura (DOE) publicó una resolución de la Consejería de Cultura por la que se incoa expediente de declaración de Bien de Interés Cultural, con la categoría de monumento, para el Puente Ajuda de la localidad de Olivenza. El informe elaborado por los técnicos de la Junta de Extremadura señala que el puente reúne los valores históricos y artísticos que le hacen merecedor de la declaración de Bien de Interés Cultural.

Hoy (Badajoz)

12/09/2004


12 de Setembro

O Tratado de Alcanizes e a Ocupação de Olivença

Neste dia, 12 de Setembro de 2004, comemoramos mais um aniversário da restituição de Olivença, a Portugal.(1) O Tratado de Alcanizes foi assinado em 1297 pelo Rei D. Fernando IV de Castela e o nosso Rei D. Diniz, o seu Protector. Este Tratado defeniu as fronteiras portuguesas e garantio o trono ao Rei jovem castelhano numa Castela com sérias desavenças internas.

Passados 707, os sucessores do reino de Castela não respeitam as fronteiras delimitadas "para sempre" e ameaçam "em nome do espanholismo" reabrir e desatar novas contendas com resultados imprevisíveis. Tudo começou em 1801 quando forcas espanholas arrebataram a Portugal uma terra de raíz portuguesa e que ainda hoje se mantem captiva por Espanha ao desafio do Direito Internacional.

Presenta-se uma oportunidade extraordinária na proxima Cimeira Luso-espanhola a 1 de Outubro, em Compostela, na Galiza, para lembrar à Espanha o seu compromisso de nos restituir o Território de Olivença e de exigir o cumprimento da reversão desta terra portuguesa em face da justa reclamação que a Espanha reconheceu ao nosso País pela Acta Final do Congresso de Viena em 1815. É uma obrigação constitucional que o Governo português exija o cumprimento dos tratados para que Olivença nos seja restituída.

Portugal atravessa um mau momento, encontrando-se economicamente fraco e de auto-estima em baixo, ocasião para os espanhois aproveitar para manipular e tomarem vantagem. Além do governo central espanhol, estara também reunidos a medir as suas forças, quatro presidentes das regiões "autonómicas" espanholas, incluindo o "presidente" Iribarne (PP) da Galiza e o "presidente" Ibarra (PSOE) da Extremadura. Ambos cobiçam um bocado do território português. Memórias de 1807...

O Tratado de Alcanizes em 1297 trouxe uma resolução responsavel e estavel. Em Outubro 2004 não precisamos usar frases divergentes dos factos, ou praticar domínio de um povo sobre o outro. O que resta é respeitar a integridade territorial e o Direito Internacional. Entre dois países membros da União Europeia não há lugar para uma estratégia de expansão imperialista. O Tratado de Alcanizes em 1297 trouxe uma resolução responsável e estável. Essa foi e será a unica capaz de aproximar e aprofundar as boas relações entre o povo português e o povo espanhol.

(1)Exemplo como às vezes os espanhóis dizem a verdade: "Con certeza documental,
Olivenza pertenicio a los templarios (portugueses) hasta 1278, ano en que Alfonso X se la desaproprio y entrego al concejo pacense." ("Olivenza y el Tratado de Alcanices", Manuel Martínez Martínez)


Rui A M da Silva

Olivença - Portugal Livre

www.portugal-livre.00freehost.com


sábado, setembro 11, 2004

Espanha em estado de guerra... bandeiral...

O ânimos andam acirrados na Catalunha e no País Basco; um pouco mais calmos na Galiza...

O espírito humano tem destas coisas. Uma bandeira não é um simples pedaço de pano. É a alma de um povo! E quão insuportável é imporem uma alma alheia sobre a nossa própria alma!...

Para os líricos que aqui na blogosfera portuguesas vêm propalando o internacionalismo, o fim do sentimento nacional - ainda há poucos dias a propósito das medalhas olímpicas - aqui fica um singelo exemplo de como a Pátria e a Nação continuam vivas - cada vez mais vivas - e de como uma bandeira vale uma Vida, uma História, uma Identidade.

Uma bandeira é também um quase nada que é tudo!


ONZE DE SETEMBRE. La celebración de la Diada


El Gobierno de Maragall es recibido con pitos y gritos de 'español' ante el monumento de Rafael Casanova


El gobierno y las instituciones catalanas, partidos políticos y diversas entidades han realizado hoy la ofrenda floral al monumento de Rafael Casanova con motivo de la Diada, una ceremonia que ha contado con el protagonismo de los dirigentes del nuevo ejecutivo y con la ausencia del PPC.

El presidente de la Generalitat, Pasqual Maragall, ha encabezado a primera hora de hoy la tradicional ofrenda floral al que fuera conseller en cap de Barcelona en 1714.

Maragall fue recibido en su ofrenda floral al monumento de Rafael Casanova en Barcelona, con gritos de "español" y "botifler". Los consellers del Ejecutivo tripartito, formado por PSC, ERC e ICV, aguantaron estoicamente los pitos de las personas congregadas ante el monumento y posteriormente en declaraciones a los periodistas restaban importancia a una situación que se repite cada año.

Para Pasqual Maragall "hay mucha gente que no sabe lo que es la Diada, hay mucha confusión sobre esta jornada y sobre quién era Rafael Casanova", y ha tenido un recuerdo para las víctimas de los atentados del 11-M en Madrid, de los que se cumplen seis meses.

La representación de la Diputación de Barcelona, con presencia de miembros del PP, también fue recibida con silbidos.

Maragall quiso recordar ante los periodistas lo que representa la Diada y la caída de Rafael Casanova, "por la defensa de una concepción del país y de la libertad no compartida por todo el mundo, y acosada por una monarquía, la de Felipe V, que no reconocía nuestros derechos". Asimismo, tuvo palabras de recuerdo para las víctimas del 11-M de Madrid.

Por su parte, el conseller en cap, Josep Bargalló, ha coincidido con Maragall en que la lengua catalana no está en peligro, pero ha advertido sobre el riesgo por el que corre su unidad en el marco de los denominados "países catalanes".

Bargalló, asumió los silbidos aludiendo a su "amplia experiencia tanto en aplausos como en pitos" cuando participaba en las jornadas 'castelleres'.

Asimismo ha terciado en la controversia sobre si debe ondear o no la bandera española hoy en los ayuntamientos catalanes al asegurar que "es curioso que no haya polémicas sobre las banderas cuando el Estado tiene en Cataluña edificios donde durante los 365 días del año tiene una (bandera), y no es la catalana".

El conseller de relaciones institucionales, Joan Saura, se ha mostrado "esperanzado" en que para la Diada del año que viene "ya tengamos el nuevo Estatut aprobado o casi aprobado".

Saura ha asegurado que esta Diada "es el inicio de una nueva etapa, con aspiraciones clarísimas de Cataluña de aumentar el autogobierno, mejorar su encaje en el Estado español y ensanchar la celebración popular de los actos del 11 de Septiembre".

El presidente del Parlament, Ernest Benach, ha llamado a los ciudadanos a que "expresen desacomplejadamente su catalanidad" y ha destacado que hoy es un día "muy importante porque también expresa la cohesión social de este país y su civismo".

Benach ha destacado que esta liturgia sigue siendo "el acto nuclear" de la Diada y ha añadido que "espero que otros complementos vayan muy bien", en referencia al nuevo acto de homenaje a la bandera catalana introducido por el presidente de la Generalitat.

El primer secretario del PSC y ministro de Industria, José Montilla, ha garantizado que "la coyuntura política en España" permitirá que el autogobierno catalán dé un gran paso adelante "dentro de la nueva etapa" abierta en Cataluña.

El presidente de ERC, Josep Lluís Carod-Rovira, ha denunciado que "aún hay gestos que pertenecen al antiguo régimen" en España, y ha subrayado que "Esquerra no ha retrocedido ni un milímetro en sus convicciones".

El presidente del grupo parlamentario de CiU, Artur Mas, ha denunciado que Maragall, impulsa "un proceso de despersonalización nacional de Cataluña" y el secretario general, Josep Antoni Duran Lleida, ha exigido un nuevo sistema de financiación.

El coordinador general de EUiA, Jordi Miralles, ha pedido al tripartito que aplique "valientemente" su programa social y nacional y se ha mostrado confiado en que el nuevo Estatut se pueda conseguir durante esta legislatura.

El alcalde de Barcelona, Joan Clos, ha hecho un llamamiento a "no caer en la trampa" del PP, que, a su juicio, quiere convertir la decisión de algunos ayuntamientos catalanes de retirar la bandera españolas con motivo de la Diada en un "agravio u ofensa" y abrir así una "guerra de banderas".

Por su parte, el presidente del grupo municipal del PPC -partido que no ha participado en las ofrendas-, Alberto Fernández Díaz, ha asegurado que "será exigible que como mínimo mientras el Ayuntamiento, la Generalitat o el Parlament hacen la ofrenda floral a Rafael Casanova no hubiera una bandera independentista presidiendo este monumento".

En los alrededores del monumento se concentraron centenares de personas, algunas de ellas con 'senyeres', 'estelades', banderas irakíes y pancartas contra los cierres de varias fábricas. También están los tradicionales puestos de venta de banderas, pegatinas y camisetas independentistas catalanas.

EUROPA PRESS-La Vanguardia











O estado de graça



O "estado de graça" que tem durado os primeiros meses de governo de Zapatero, parece começar a chegar ao fim. As alterações ao plano hidrológico espanhol agradam a alguns mas desagradam a muitos. As conversações e negociações com vista à revisão da constituição e dos estatutos autonómicos começam a pôr tudo em polvorosa: os que querem uma mudança radical e os que nada querem mudar. O seu antiamericanismo revolveu o sentimento mais profundo de muitos elementos da diplomacia e das forças armadas. O adiamento da prometida liberalização do aborto alvoroçou a esquerda mais extremista. Etc., etc..

Enfim, os problemas começam a chegar. Zapatero começa a ter de cair na realidade. E até o El País que durante estes meses pareceu, pelos seus editoriais, o boletim oficial da Moncloa, começa a criticar o Presidente do Governo espanhol.

Mas, o pior está ainda para vir...


Nueva política exterior

Mal vamos si la nueva política exterior va a consistir, como ha hecho Zapatero desde Túnez, en invitar a otros países a seguir el ejemplo español de retirar cuanto antes sus tropas de Irak para abrir "una expectativa más favorable". Democratizar Irak y evitar que se hunda en un desastre todavía mayor interesa en estos momentos a todos. Y no parece que el problema que ha creado la torpe gestión del equipo de Bush vaya a resolverse mediante una retirada en tropel, sin calendario ni negociaciones. Tampoco las declaraciones de Zapatero contribuyen a crear una "relación sólida con Estados Unidos" , que el presidente del Gobierno ha esbozado como una de las prioridades en la tercera conferencia de embajadores españoles celebrada en Madrid. Tampoco el momento parece el mejor, cuando los secuestradores de dos cooperantes italianas exigen a Berlusconi que retire sus fuerzas. Que Zapatero retirara las tropas españolas en cumplimiento de un compromiso electoral merece respeto. Pero algo distinto en política exterior son los consejos a terceros, que fácilmente se convierten en meteduras de pata que suelen pasar factura.

Este mal paso contrasta con el acierto, formalizado ayer por el Consejo de Ministros, de enviar 200 efectivos a Haití, en misión primordialmente de orden público, junto a un batallón marroquí. Es un compromiso con los procesos de paz y algo más que un gesto cargado de simbolismo. La nueva política exterior tendrá otro acto litúrgico el lunes con la reunión en Madrid de Zapatero, Chirac y Schröder, algo positivo en la recuperación de un papel central en Europa, tras el quiebro que supuso la política de Aznar.

La reunión de embajadores habrá servido para que accedan a las explicaciones sobre la nueva política exterior de boca de sus responsables, se coordinen mejor y redoblen su contacto con la sociedad civil. Las prioridades expresadas por el presidente del Gobierno resultan razonables: lucha contra el terrorismo, Europa, Iberoamérica, Mediterráneo, EE UU y la cooperación al desarrollo con un énfasis especial en África. Pero estas intenciones necesitan los correspondientes medios humanos y presupuestarios. Y la dotación a este respecto dista mucho de la que tienen países de nuestro entorno.

Añadir el término Cooperación al Ministerio de Asuntos Exteriores quedará en mero formalismo si no se incrementan significativamente las partidas de ayuda al desarrollo, a las que actualmente se dedica en torno al 0,3% del PIB. Cumplir el compromiso socialista de llegar al 0,5% en esta legislatura, y posteriormente al famoso 0,7%, requiere dedicarle más desde los próximos presupuestos generales. Las palabras no bastan para colmar la distancia entre las ambiciones y los medios. A veces, incluso la aumentan.


sexta-feira, setembro 10, 2004

Adeus a Manuel Maria

         Ontem, o que parecia ser mais um dia, converteu-se numa data muito triste para mim. Uma das pessoas mais importantes da literatura na língua portuguesa da Galiza do século XX, MANUEL MARIA Fernandes Teixeiro, O POETA e poeta por excelência da comarca da Terra Chã, vinha de morrer o dia anterior, aos 74 anos de idade. Esta comarca, à que também eu pertenço, acha-se no estremo norte da Galiza, e deu vultos ao serviço do espanholismo como Manuel Fraga ou o cardenal Rouco Varela como também os galeguistas Ramon Chão, o seu filho Manu(el) Chão (cantante), o irmão José Chão (teólogo) , Agustin Fernandes Paz (escritor), Dario João Cabana (escritor), Margarida Ledo Andiom (escritora, jornalista e documentalista), etc.
         Não sei se pela surpresa ou por desleixo, mas a notícia do seu passamento não foi tratada com a importância que merecia nos meios públicos galegos. No que atinge aos privados, poucos jornais puderam onte recolher a notícia.
         À noite ouvi uma pequena menção, menos de 30 segundos, na Cadena SER num espaço 'nacional'. Mais importância se lhe deu à morte do jornalista Matías Prats Sr., que mereceu também o pêsame do Ministério da Cultura espanhol. O facto de Manuel Maria estar traduzido a mais línguas do que a maior parte de escritores espanhóis nem importou. Porque era galego, mas desses galegos que apenas exercem para os galegos, e na Espanha isso não é um prémio.
         Como galego comprometido com o país, foi activo militante do nacionalismo, e peça-chave na reorganização dos partidos nacionalistas que conduziria, já morto o Ditador, à criação do Bloco Nacionalista Galego.

Canção para cantar todos os dias

Há que defender o idioma como seja:
com raiva, com furor, a metralhaços.
Há que defender a fala em luita régia
com tanques, aviões, a punhetaços.

Há que ser duros, pelejões, intransigentes
c’os que têm vocação de senhoritos,
c’os porcos desertores repelentes,
c’os cabras, c’os castrões e c’os cabritos.

Temos de pelejar c’os renegados,
c’os que tentam borrar a nossa fala.
Temos de luitar c’os desleigados
que desejam matá-la e enterrá-la.

Seríamos, sem fala, uns ninguém,
umas cantas galinhas desplumadas.
Os nossos inimigos sabem bem
que as palavras vencem as espadas.

O idioma somos nós, povo comum,
vencelho que nos jungue e tem em pé,
herança secular de cada um,
fogar no que arde acesa a nossa fé.

[Canções de lusco ao fusco, 1970]



         Também, desde outro ponto de vista, foi firme defensor da unidade linguística galego-portuguesa, como deixou ver em muitas das suas obras, e apesar de que à hora de escrever tendia maioritariamente por soluções próximas da ortografia oficial e o passado ano ingressou na RAG, foi sócio da Associaçom Galega da Língua desde a criação desta. E, aliás, grande amante de Portugal:
Portugal

Ao Dr. Francisco José Veloso
Ao Gualter Póvoas
Guardo as minhas lembranças portuguesas
ao lado dos desejos,
dos sonhos, do amor,
de tudo o que me é íntimo e querido.
A sacra Brácara é a capital
dos meus imprecisos matinares
onde a vide báquica
abraça, cinge e sobe ao ulmo
como cantam
os inolvidáveis versos de Virgílio.
Portugal tem as cores
da melancoria e da esperança
e floresce em outonos perfeitíssimos.
Os dias portugueses quedaram em mim
incomovíveis, c'uma dourada luz
que ilumina, maina, os meus desvelos,
um mundo de primaveras e nostálgias,
pombas, roseiras, andorinhas
e caraveis
[1] roxos que reventam
numa funda paixão alucinada.
Sempre. Sempre volto. Sempre.
E nunca mais me vou de Portugal.




[1] Cravos.




BREVE BIOGRAFIA
         Manuel Maria Fernandes Teixeiro, poeta, dramaturgo, jornalista e narrador nasceu em Outeiro do Rei, na comaca galega da Terra Chã, no ano 1929. Encetou a sua atividade literária e cultural no Lugo da pós-guerra, participando em tertúlias animadas por Luís Pimentel, Ângelo Fole ou Ramon Pinheiro entre outros.
         Após se licenciar em Filosofia e Letras na Universidade de Santiago de Compostela, em 1957 obteve o título de Procurador dos Tribunais e deslocou-se ao concelho de Monforte de Lemos, no sul da província de Lugo, casando um ano depois com Saleta Gói, musa de muitos dos seus poemas e companheira até o final. Fundou com Ânxel Xohan a coleção Gistral de poesia (1952) e editou a Coleção Vale de Lemos (1968).
         A sua vasta obra literária mereceu numerosos prémios, reconhecimentos e homenagens várias ao longo da sua vida. Não era conhecido pelos espanhóis, mas a sua obra traduziu-se a esse idioma, para além do basco, do catalão, do francês, do bretão ou do holandês. O 21 de março de 2000 fora homenageado no primeiro Dia das Letras Chairegas no Liceu de Ensino Secundário da Terra Chã.Em fevereiro do passado ano ingressara na Real Academia Galega, sem por isso renunciar ao seu compromisso com o galego-português fruto da sua pertença à Associaçom Galega da Língua.
         Ante-ontem, uma longa enfermidade acabou com a sua poderosa voz na Crunha, e o seu espírito fica abraçado com a bandeira da língua e do país.



Mais informações: no Portal Galego da Língua.

Gerardo Nogueira

quinta-feira, setembro 09, 2004

Galp, Petrocer e Espanha...


Da Grande Loja, com a devida vénia:


ninguém se lembra, não convém lembrar, não é para lembrar mas os contornos que rodearam a (re)"venda" de 40,79% da GALP pelo Estado Português ao consórcio Petrocer continuam a ser suficientemente nebulosos para, e com as maiores das benevolências, poderem calmamente ser considerados como uma das grandes "perplexidades" dos últimos anos.

Foi tudo tão prevísivel, tão teatral que até doi, tudo desde o favoritismo inicial da Luso-Oil à bitória da Petrocer (anunciada nesta Venerável Loja na véspera) até ao pitoresco da negociação do contrato final com Estado Português... Pitoresco pela fee cobrada pela PLMJ de Júdice para assessorar (!) juridicamente o Governo no processo de venda, Governo esse onde o gestor "político" do processo de venda era, a fazer fé na Comunicação Social, Nuno Morais Sarmento - a titulo de curiosidade sócio da PLMJ - fee essa de apenas 595 contos por hora como à época notíciou o Público. Pitoresco porque as negociações finais foram no mínimo sui-generis com, pasme-se, Álvaro Barreto a ameaçar demitir-se do Governo caso a coisa (com a Petrocer) não fosse avante. Pitoresco porque a eminence grise da antiga PetroControl, e alicerce da Luso-Oil - Diogo Freitas do Amaral - "inesperadamente" entra na GALPenergia presume-se que pela mão de Ferreira do Amaral que tendo apoiado a Luso-Oil concerteza a alinhavara já com o agreement da Petrocer. Pitoresco porque no contrato final de venda figurava explicitamente como condição para a realização do mesmo que a Petrocer continuasse, e desse a sua concordância, a estratégia de aquisição da rede da Shell em Espanha, mais, foram dados à Petrocer 20 dias para esta desistir do negócio de compra de 40,79% do capital da Galp, caso esta entendesse entenda que a aquisição da rede da Shell em Espanha iria prejudicar a operação de compra que estava a efectuar.

Hoje, 8 de Setembro, sabe-se que foi o grupo das Canárias DISA que comprou a rede da Shell em Espanha.

Dos dados disponíveis há desde já vários inequívocos a considerar.

  • O preço da venda apontado pelo mercado terá rondado os 400 milhões de euros.
  • O intervalo de preço a oferecer pela GALP à Shell e motivo das "reticências" da Petrocer variava entre 350 e 410 milhões de Euros (sendo que desceu de um máximo 500 milhões devido ao facto da CEPSA se ter retirado da corrida). Estes montantes eram pois do conhecimento da Petrocer aquando da assinatura do contrato de venda.
  • O que a Shell acabou por vender à DISA nem sequer foram todas as suas actividades em Espanha (Shell conservará sus actividades de gas licuado del petróleo (GLP), de lubricantes, de aviación y navales).
  • A DISA não era considerada como estando na corrida à compra da rede da Shell em Espanha de tal forma de que por mais de uma vez a imprensa dos dois lados da Fronteira se referiu à GALP como estando só na corrida, facto que nunca foi desmentido.
Assim e dos factos disponiveis parece, a um observador atento, resultar que objecttivamente a Petrocer desistiu da compra da rede da Shell em Espanha. Aquisição essa que o Governo, bem ou mal, considerou tão estratégica para o interese nacional que impôs a sua prossecução como condição prévia à realização da operação de venda dos tais 40,79% da GALP ao consórcio Petrocer. Desistiu objectivamente dado que ao que parece não surgiram factos novos nem os valores fugiram ao que era prevísivel e estimável.

Pese o comunicado patético exarado ao fim da tarde pela GALPenergia onde esta afirma que a sua proposta «terá sido suplantada por condições económicas mais vantajosas oferecidas por outro concorrente», do qual se salienta o "terá", no mínimo espantoso já que indicia claramente que a GALP se desinteressou da operação pois, e não tendo fugido os valores ao estimado é impossível e irracional crer que a Shell não tenha questionado a GALP sobre se esta cobria ou não a parada da DISA excepto se a GALP formalmente tiver desistido do negócio, única forma aparente de explicar a ign0rância da GALP e o tal "terá"...

Em suma tudo aponta para que a Petrocer tenha violado clara e objectiva e taxativamente os seus compromissos com o Estado Português, sendo que a não prossecução do negócio em Espanha diminiu substantivamente o seu esforço financeiro decorrente da compra da GALP, facto tanto mais grave quando já aqui se demonstrou que os 40,79% GALP foram para todos os efeitos vendidos por uma pechincha e muito abaixo do valor real realizável por exemplo através de uma venda em campo aberto a todo e qualquer concorrente através por exemplo da dispersão em Bolsa.

Um dia surgirão esclarecimentos cabais, não sabemos é quando. Algo habitual neste pitoresco país...

aditamento - Segundo informa a TSF Miguel Coutinho, director do jornal «Diário Económico» justifica a derrota da GALP dizendo que houve «pouco empenhamento» do Governo neste negócio.
Confesso que não percebo, "falta de empenhamento" como ? Não era uma matéria diplomática, presume-se que o governo espanhol não interveio, pelo que sendo só e apenas uma questão de mercearia se presume que Miguel Coutinho se estivesse a referir à amnésia deste Governo, do mesmo governo que impôs literal e contratualmente a concretização desse mesmo negócio ao consórcio vencedor... Revelador. Por outro lado a GALPenergia, em comunicado, disse ter perdido a corrida à compra da rede Shell porque a sua proposta financeira terá sido suplantada pela Disa e por ter recusado operar sob a marca da empresa anglo-holandesa. Se o facto da DISA ter oferecido mais parece óbvio (admitindo que a GALP estava de facto na corrida) já a questão sob que marca iriam operar os postos comprados parece bem mais nebulosa. É que se para a DISA pela sua dimensão operar sobre o brand da Shell é um bónus óbvio não estou a ver a questão a ser impeditiva de negócio da GALP com a Shell por uma razão muito simples - aquando da recentíssima venda da rede da Shell em Portugal à espanhola Repsol não consta que tenha ficado acordado que os 303 postos continuassem a operar sob a bandeira da Shell...
Manuel




Vigiar os espiões

Lembram vocês a notícia publicada neste mesmo blogue titulada A polícia espanhola insulta o independentismo galego? Pois a situação é uma prática quotidiana: a espionagem às webs contrárias ao nacionalismo espanhol é o seu pão de cada dia. O semanário galego A Nosa Terra denuncia no seu último número e também na sua edição digital que um Guardia Civil entrou no fórum de Galiza Nova (as juventudes do Bloco Nacionalista Galego) para insultar os nacionalistas, concretamente por uma polémica relacionada com a língua galega na comarca do Bérzio, oficialmente de Castela-e-Leão.


Imagino que os membros da Guardia Civil terão melhores coisas a fazer que entrar em fóruns a insultar como, por exemplo, proteger as mulheres vítimas da violência, perseguir terroristas, auxiliar a quem o precisar, etc. Já que, como bem diz uma pessoa nesse fórum, lhes pagamos o ordenador, a conexão a internet, o soldo e talvez a casa, o menos que se pode esperar deles, apesar de que como corpo policial-militar espanhol não compartam as nossas ideias, é uma utilidade pública. Que o nosso dinheiro o utilizem pessoas ociosas para insultar os cidadãos que se supõe devem proteger nalgum momento é uma vergonha. Se o querem fazer, que utilizem as suas próprias computadoras e o seu próprio acesso à internet, e não o que nós, cidadãos, pagamos.


O que podemos fazer para controlá-los? Reparar nas direções IP e nas host. A host indica a empresa (neste momento a minha é enlace1.usc.es), enquanto a IP é o número que liga um ordenador particular à rede da empresa (agora mesmo a IP que estou a utilizar é 193.144.75.173). Enquanto os número IP de utilizadores particulares adoitam ser dinâmicos (quer dizer, que não são fixos), os de instituições públicas sim. Isto afeta universidades (como a minha, a USC), ministérios, governos, polícia... A Guardia Civil não é exceção. No caso espanhol, temos de ter precaução com as seguintes Ips:

- 195.76.172.14: Dirección General de la Policía.

- Entre 194.179.107.29 e 194.179.107.131: Dirección General de la Guardia Civil.

- 195.76.204.34: Ministerio del Interior.


Para obter mais informação sobre uma IP (número público e cuja consulta não é delituosa) podem ir a RIPE (corre um pouco lento). Saúde, honestidade e IPs!


Gerardo Nogueira.


quarta-feira, setembro 08, 2004

Falecido em 8 de Setembro

http://www.satiria.com/libros/imagenes/anus_2002/septiembre/020917/quevedo_det.jpg">

FRANCISCO DE QUEVEDO

Escritor castelhano, nascido em Madrid em 26 de Setembro de 1580 e falecido em Villanueva de los Infantes em 8 de Septembro de 1645.

Francisco Gómez de Quevedo y Villegas, hijo de Pedro Gómez de Quevedo y Villegas y de María Santibáñez, nació en Madrid el 17 de septiembre de 1580 en el seno de una familia de la aristocracia cortesana. Escritor español, que cultivó con abundancia tanto la prosa como la poesía y que es una de las figuras más complejas e importantes del Siglo de Oro español.

En Madrid cursó sus primeros estudios en el Colegio Imperial de los jesuitas; —hoy Instituto de San Isidro— y después en la prestigiosa universidad de Alcalá de Henares; después cursó estudios de teología en la Universidad de Valladolid (1601-1606), ciudad que por aquellos años era la capital de España.

Hombre de acción envuelto en las intrigas más importantes de su tiempo, era docto en teología y conocedor de las lenguas hebrea, griega, latina y modernas. Destacaba por su gran cultura y por la acidez de sus críticas; acérrimo enemigo personal y literario del culterano Luis de Góngora, el otro gran poeta barroco español.

El año 1606 vuelve a su Madrid natal en busca de éxito y fortuna a través del duque de Osuna que se convierte en su protector; también entabla un pleito por la posesión del título nobiliario del señorío de La Torre de Juan Abad, —pequeña villa dependiente del municipio de Villanueva de los Infantes (Ciudad Real) al sur de La Mancha—. Se traslada a Italia en el año 1613, llamado por el duque de Osuna, entonces virrey de los reinos de Nápoles y Sicilia, el cual le encarga importantes y arriesgadas misiones diplomáticas con el fin de defender el virreinato que empezaba a tambalearse; entre éstas intrigó contra Venecia y tomó parte en una conjura. El duque de Osuna cayó en desgracia en 1620 y Quevedo fue arrastrado en la caída y desterrado a sus posesiones de La Torre de Juan Abad, después, sufrió presidio en el monasterio de Uclés (Cuenca) y arresto domiciliario en Madrid. Por defender con virulencia la propuesta que el Apóstol Santiago fuese elegido el patrón de España, en pugna con los carmelitas que proponían a Santa Teresa, se vuelve a ver Quevedo castigado al destierro de nuevo en La Torre de Juan Abad. Esta etapa azarosa y desgraciada marcó todavía más su carácter agriado y además entró en una crisis religiosa y espiritual, pero desarrolló una gran actividad literaria. Con el advenimiento del reinado de Felipe IV cambia algo su suerte; el rey le levanta el destierro pero el pesimismo ya se había apoderado de él.

Su matrimonio con la viuda Esperanza de Mendoza (1634) tampoco le proporcionó ninguna felicidad al gran misógino y se separó de ella a los pocos meses.

De nuevo se siente tentado por la política, pues ve el desmoronamiento que se está cerniendo sobre España y desconfía del conde-duque de Olivares, valido del rey, contra quien escribió algunas diatribas amargas. Más tarde, por un asunto oscuro que habla de una conspiración, es acusado de desafecto al gobierno, y es detenido en 1639 y encarcelado en el monasterio de San Marcos (León), —hoy convertido en parador turístico de lujo— prisión tan miserable y húmeda, que provoca grandemente la merma de su salud.

Cuando es liberado, en 1643, es un hombre acabado y se retira a sus posesiones de La Torre de Juan Abad para después instalarse en Villanueva de los Infantes donde el 8 de septiembre de 1645 murió.

Como personaje perteneciente a la nobleza del siglo XVII, Quevedo ostentó los títulos de Caballero de la Orden de Santiago y Señor de la Torre de Juan Abad.

Su obra literaria es inmensa y contradictoria. Hombre muy culto, amargado, agudo, cortesano, escribió las páginas burlescas y satíricas más brillantes y populares de la literatura española, pero también una obra lírica de gran altura y unos textos morales y políticos de gran profundidad intelectual, que le hace ser el principal representante del barroco español. Su obra está entroncada con su forma de vida: desenvuelta y alegre en las sátiras de su juventud —letrillas burlescas y satíricas como "Poderoso caballero es don Dinero"— es el Quevedo más conocido y popular. Criticó con mordacidad atroz los vicios y debilidades de la humanidad, y zahirió de una manera cruel a sus enemigos, como en el conocido soneto, paradigma conceptista: "Érase un hombre a una nariz pegado...".

En su poesía amorosa, de corte petrarquista en la que lo que cuenta es la hondura del sentimiento, Quevedo vio una posibilidad de explorar el amor como lo que da sentido a la vida y al mundo, ejemplo de ello es el soneto "Cerrar podrá mis ojos la postrera..." que es uno de los sonetos más bellos de las letras españolas, en el cual la muerte no vence al amor que permanecerá en el amante como queda evidente en el último terceto. Es un poeta genial, cuya permanente actualidad, maravillosa capacidad creadora del idioma castellano, honradez moral y elevada lírica, le dan un lugar preeminente en la poesía española.

De su prolífica obra en verso, se conservan casi 900 poemas. De su prosa cabe señalar: "La vida del Buscón llamado don Pablos"; "Política de Dios y gobierno de Cristo"; "Vida de Marco Bruto"; "Los sueños" y "Los nombres de Cristo".

Entre sus poesías hay un sinnúmero de sonetos endecasílabos, pero también abunda el romance octosílabo y la redondilla. La poesía titulada "Epístola satírica y censoria..." es un alarde magistral de tercetos endecasílabos encadenados. Disfrutemos con esta esmerada antología de su inmensa obra poética.

Um poema de Quevedo:

Poderoso caballero es don Dinero.

Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues, de puro enamorado,
de contino anda amarillo:
que, pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado.
Y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Es galán y es como un oro,
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Son sus padres principales
y es de noble descendiente,
porque en la venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Mas, ¿a quién no maravilla
ver su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al baxo silla
y al cobarde hace guerrero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismo robles
da codicia su minero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos.
Y pues él rompe recatos
y ablanda al juez más severo,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Y es tanta su majestad
(aunque son sus duelos hartos),
que con haberle hecho cuartos
no pierde su autoridad:
pero pues da calidad
al noble y al pordiosero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas.
Y pues las hace bravatas
desde una bolsa de cuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Más valen en cualquier tierra,
(mirad si es harto sagaz),
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra.
Y pues al pobre lo entierra
y hace propio al forastero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

(Francisco de Quevedo)

in los-poetas.com



Rodríguez Ibarra: El españolista ejemplar



Así lo retrata el periódico ABC:



Región de España

En plena época de relaciones transversales Gobierno-Cataluña, Juan Carlos Rodríguez Ibarra salta al ruedo ibérico para reivindicar la españolidad de Extremadura, modelo territorial que presume de región dentro del turbulento marco de nacionalismos con ansias de nación.
Ejemplo a seguir para quienes aspiran -con lo que está cayendo- a seguir siendo lo que son.

ABC



Pero el buen españolista se olvidó de reivindicar también la españolidad de Olivenza. No le faltarán oportunidades...

terça-feira, setembro 07, 2004

Um pequeno nada que tem de ser tudo

Se, como o mito, o símbolo é um pequeno nada que é tudo, não pode ser despiciendo que a primeira visita oficial do Primeiro-Ministro português fora de Portugal - e não ao "estrangeiro" como ele próprio disse - seja ao Brasil e não a Espanha como outros fizeram e alguns preferiam que se fizesse.

Pode não haver novos acordos para anunciar, conversações para encetar ou negócios para concluir, a poucas semanas do início do seu mandato...

Mas, se por trás deste singelo gesto estiver uma nova visão do que é, e deve ser, Portugal e a sua política externa, que entenda o Brasil como a continuação de Portugal na América Latina e Portugal como o prolongamento do Brasil na Europa e pretenda fazer do Mundo Lusófono muito mais do que um simples conjunto de pedaços dispersos onde se fala português, o acontecimento de hoje valerá muito mais que tais acordos, conversações ou negócios que a diplomacia oca e de interesses alheios vem abundantemente produzindo.

Se não passar de um mero episódio folclórico inconsequente, continuaremos a não ser dignos de edificar um novo futuro luso-afro-brasílico-asiático que o nosso passado comum exige de Nós.

Que saudades desse futuro tem quem conhece e sente essa gesta criadora de novos amanhãs..






Moratinos no Dia Nacional de Gibraltar?

Agora que, segundo dizem, existem indícios de melhorias no relacionamento entre a Grã-Bretanha e o Estado espanhol, porque não convidar Miguel Moratinos, o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, para o Dia Nacional de Gibraltar? Assim, ele poderia ver, com os seus próprios olhos, o que querem dizer os gibraltinos quando proclamam: - Gibraltar is ours! (Gibraltar é nosso!)

Faríamos a concessão de não lhe pedir que viesse vestido com as cores de Gibraltar: vermelho e branco.

Sem dúvida que ele teria direito a umas verdadeiras boas-vindas, à maneira do Rochedo, amistosas como sempre, mas com uma claríssima mensagem para levar de volta a Madrid.

Pessoas como Moratinos, têm tido a atitude pouco credível de pretender negociar a nossa soberania, sem primeiro analisarem as coisas no terreno.

Em vésperas da visita de Jack Straw, Moratinos chegou a ponto de dizer que não quer que os gibraltinos paguem a falta de sensibilidade dos britânicos, em comemorar os 300 anos de ocupação do Rochedo.

Quem o ouvir, julgará que estivemos contra as comemorações, como se não fosse nosso desejo ter cá a Rainha em pessoa.

Moratinos deve estar muito bem informado sobre as comemorações de 4 de Agosto, a menos que não tenha lido as informações que menos lhe agradassem.

Se não o fez, é pena, pois poderia ter estado cá, conosco, na festa dos 300 anos, e por isso devemos convidá-lo para o dia nacional, para que ele possa auscultar, na nossa terra, os sentimentos dos gibraltinos.

Após alguns anos acusando os gibraltinos de tudo e mais alguma coisa, tentam agora vestir uma máscara de simpatia para conosco, passando a acusar os britânicos de todas as coisas más.

Semelhantes manobras políticas já tiveram lugar no passado mas, como têm pés de barro, nunca levaram a lado nenhum.

Se o governo espanhol se quer comportar como deve ser, com os gibraltinos, só tem que reconhecer os líderes e instituições do Rochedo, e ter sempre presente que o nosso futuro político não passa por sermos espanhóis.

Por isso é útil que Moratinos venha à festa do Dia Nacional de Gibraltar, para que possa perceber o que é o Rochedo e quem somos nós, para que o diálogo e a cooperação possam assentar em bases realistas, sem sobressaltos que deteriorem as relações entre os homens, nesta parte do mundo.


in panorama.gi

segunda-feira, setembro 06, 2004

Fernão de Magalhães


Num dia como hoje, 6 de Setembro de 1522, chegava ao porto de Sanlucar, no Sul de Espanha, a nau Vitória, trazendo a bordo os sobreviventes da primeira expedição de circum-navegação da Terra, comandada pelo Fernão de Magalhães ao serviço de Espanha.



Uma estrutura de valores

Crianças maltratadas e abandonadas

O número de crianças vítimas de maus tratos e «abandonadas» nos hospitais está a aumentar exponencialmente, obrigando os menores a internamentosprolongados sem justificação clínica, por as famílias não terem condições de as receber de volta e não os darem para adopção. Este aumento justifica um estudo da situação actual, uma vez que o levantamento mais recente diz respeito a 2001.


Quando se perde o pudor de vir para a rua reivindicar o direito de as mães matarem os próprios filhos, quando a morte de crianças é arma de arremesso e de guerrilha partidária, quando do aborto se faz um torpe espectáculo mediático de promoção pessoal, a civilização atingiu o grau mais baixo da sua história, a sociedade submergiu na mais vil das podridões.

Uns pensam que se atingiu a loucura. Outros invocam que se caiu na mais mísera devassidão.

Mas tudo isso não passa de uma nova estrutura de valores, de uma coerente forma de ver o mundo e a vida.

Exigir o aborto livre. Abandonar crianças nas maternidades. Esquecer idosos nos hospitais ou despejá-los em hediondos lares. Passar indiferente por quem é um sem-abrigo ou um pobre mendigo. Violentar e explorar os mais fracos ou mais novos. Desrespeitar e agredir o outro nas relações interpessoais. Defender a eutanásia... Tudo se integra na mesma estrutura de valores, que mergulha as suas raízes no relativismo ético, que se molda e fundamenta na total anomia.

A Humanidade, ou pelo menos uma parte dela, está prestes a conseguir, ou já conseguiu, o lugar mais abjecto entre todas as espécies que povoam a Terra. A isto os abortistas chamam progresso, apodando os outros de bárbaros medievais...






¿Quién habla verdad ?



Arzalluz asegura que el Gobierno español y ETA "están hablando", y el PSOE lo niega

El ex presidente del EBB del PNV Xabier Arzalluz ha asegurado hoy que el Gobierno del PSOE ha realizado ofertas a ETA con el fin de que la organización independentista cese en su actividad armada y ha añadido que, para ello, han hablado sobre "salida de presos". Mientras, el Gobierno español ha negado cualquier contacto.

Gara.Net


domingo, setembro 05, 2004

El Triunfo de la Muerte


La muerte triunfa en Beslán o en el buque del aborto...





El Triunfo de la Muerte
Museo del Prado
Oleo sobre tabla 117 x 162 cm.

Pieter Bruegel, el Viejo,
uno de los más grandes pintores flamencos del siglo XVI.
Ha muerto el 5 de septiembre de 1569.




Ultranacionalismo e sectarismo espanholista


Bastam as primeiras palavras de uma artigo de Jon Juaristi, intitulado "Mozárabes", publicado hoje no ABC, para se ver até onde chega a demência espanholista nacionalista. Tudo serve para destruir a legitimidade das nacionalidades históricas a exercerem a sua livre autodeterminação...


LOS catalanes son los judíos de la derecha. Los gallegos son los mahometanos de la izquierda. Los andaluces son los hindúes del entresuelo y los extremeños se tocan las narices, porque, al parecer, aquí sólo trabajan los preclaros y laboriosos hijos de la Vilanova i la Geltrú. Con todo, la estulticia nacionalista palidece ante la imbecilidad con rango ministerial que proclama nuestra obligación (¿la de quién o quiénes?) de desarmar a los terroristas con la fuerza de las ideas (¿qué ideas, si se puede saber?). Medio centenar de pervertidos desnudan, deshidratan y asesinan a una muchedumbre de niños con sus madres, y al baranda de la cosa exterior se le ocurre que necesitamos reflexionar.



O resto do artigo dá tanto nojo que mal se consegue ler. Mas é a verdadeira Espanha, a Castela centralista e imperialista no auge da sua vil demagogia...


E nem sequer conseguem ver que a "estultícia nacionalista" está neles próprios. São os seus melhores representantes, num país onde só um nacionalismo é legítimo e válido: o espanholista castelhano-madrilista...


Mulheres nas ondas, ou na lama?


Women on Waves



Abutres em terra


Antes que regresse o contentor


Aproveitando uma interrupção nos destaques mediáticos, motivada pela chacina da Osssétia do Norte, o contentor do lixo humano foi até Espanha encher os depósitos.

Enquanto essa pútrida escória não regressa à notícia de abertura dos telejornais, talvez valha a pena ler Zita Seabra, uma antiga activista da mudança da legislação do aborto.

Há os que aprendem e mudam.

Mas há um bando de atrasados mentais, que tiveram a sorte de as suas mães não os terem abortado, que continuam a não perceber as coisas mais elementares...


Aborto, Barcos e 'Agit-prop'


Por ZITA SEABRA

Uma interrupção voluntária da gravidez, um aborto, é uma das situações mais dramáticas e solitárias pela qual uma mulher pode passar na sua vida.

A decisão de interromper o ciclo normal da vida e da gestação não deixa nunca de constituir um drama indimensionável, um momento de tal desespero e um desespero de tal dimensão capazes de fazer com que alguém não suporte uma gravidez e decida interrompê-la, seja em que condições for.

Perante este drama secular, os países democráticos, assentes num Estado de direito, procuraram aprovar legislação que dissuadisse e evitasse que, mesmo naquelas situações limite, esse caminho seja trilhado. Sobretudo que nestes casos extremos, com que a vida por vezes desafia as pessoas, o trilho não conduza ao vão de escada e à entrega nos meandros de um negócio que tem tanto de sórdido como de velho. O quadro legislativo pretendido pelos estados democráticos procurou apenas interferir no enquadrando legal de uma grave questão e não no terreno da ética e dos valores. A demonstrá-lo está o facto de apenas se terem demarcado as fronteiras, sem chegar nunca a legalizar e banalizar o aborto como um direito. Em todas as legislações que conheço os médicos, por exemplo, têm consagrado o direito à objecção de consciência, coisa que seria absurda se realmente se tratasse de garantir um direito cívico a cidadãs.

Não conheço igualmente nenhum país em que se tenha decidido pura e simplesmente - sem estipular condições - despenalizar o aborto. O que corresponderia em Portugal a retirá-lo por completo do enquadramento jurídico do Código Penal, em lugar de abrir excepções legais nas quais se preveja que a mulher não sofrerá penas de prisão.

Por tudo isto, é profundamente chocante ver este drama, este último recurso, transformado numa bandeira de luta, ou remetido banalmente para direito cívico, para já não falar num execrável acto de agitação e propaganda. Semelhante atitude é, além do mais, demonstrativa de um profundo desrespeito pela condição feminina, e por todas as mulheres e homens que fazem da maternidade e da paternidade um acto livre, responsável e muito, muito desejado. É um desrespeito por todas aquelas mulheres que, apesar das condições, das agruras da vida e das brutalidades que por vezes acontecem, decidem deixar, contra tudo e contra todos, prosseguir a gravidez que não desejaram, mas que lhes aconteceu.

É pois, uma evidência, que o aborto não pode, nem deve, numa sociedade desenvolvida e democrática, ser considerado um direito e ainda menos uma forma de contracepção. Conheço apenas dois países onde este cenário existiu ou existe ainda: a União Soviética, onde o aborto era a única forma de planeamento familiar legal e a China, onde era obrigatório para todas as mulheres e casais que já tivessem um filho. Como escrevi, em 1989, uma das principais reivindicações das mulheres na URSS e nos restantes países socialistas, durante a Perestroika, foi justamente o acesso a métodos de planeamento familiar que acabassem com a brutalidade dos abortos sucessivos. Tive mesmo oportunidade de visitar uma clínica, acompanhada pelo jornalista José Milhazes onde vi o que nunca imaginei poder ver. Felizmente hoje tal já não acontece, existem contraceptivos (de toda a espécie) à venda por todos esses países ex-socialistas.

Na URSS, a inexistência de contraceptivos chegou a gerar situações tão dramáticas que o PCP enviava clandestinamente embalagens de contraceptivos para as suas funcionárias que trabalhavam nos "países do socialismo real". Na China a situação era ainda pior (melhorou muito pouco infelizmente) pois as mulheres eram e são, forçadas pelo Estado a abortar. Para evitar explosões demográficas, o regime comunista desde o tempo de Mao Tse-Tung definiu que, por lei, cada casal podia ter apenas um filho. Se engravidarem segunda vez o Estado obriga-as a praticarem um aborto. Os testemunhos mais dramáticos que li na minha vida foram - agora que podem falar um bocadinho - os de mulheres chinesas relatando a forma como escondem gravidezes, como escondem filhos, de que a lei as obriga a abdicar da forma mais brutal e aviltante que imaginar se possa.

Digam o que disserem os promotores de campanhas de 'agit-prop', para uma mulher, uma interrupção voluntária da gravidez é e será sempre um último recurso, um acto de desespero, uma situação limite, um drama que lhe marca a vida e a inunda de sentimentos de culpa.

A questão do aborto colocou-se, pois, aos países democráticos não como a emergência de um direito mas como uma necessidade premente de procurar impedir que, perante a determinação de uma mulher em interromper uma gravidez que não deseja, não coloque em perigo - dentro de determinadas condições, que não variam muito nas soluções legislativas - a sua saúde e a sua vida e não mergulhe nos antros sórdidos do escabroso negócio do aborto clandestino.

É, porém, evidente que a obrigação do Estado é, antes do mais, garantir condições legais e sociais para que a maternidade e a paternidade não se transformem no pesadelo de como alimentar mais uma boca, ou como deitar mais um filho.

Por outro lado, só com uma enorme cegueira social se pode ver o Portugal de hoje como idêntico à realidade dos anos 1960 ou dos anos 1980, no que respeita ao planeamento familiar. Ouve-se frequentemente falar do aborto num discurso que remonta há 30 ou 40 anos. Porém, os progressos foram imensos e o acesso aos métodos de planeamento familiar não têm qualquer espécie de paralelo.

Nos anos 1980 ir a uma consulta médica de cuidados primários de saúde constituía a excepção e apenas uma elite restrita o fazia. Hoje, felizmente, não é assim. Há ainda franjas de desinformação, idades de risco, e uma grande demissão dos pais na formação dos filhos, mas é tempo de admitir que a imensa maiorias das mulheres portuguesas, operárias ou meninas empregadas dos cabeleireiros, conhecem e sabem muito bem usar o método contraceptivo que consideram adequado e na maioria dos casos sob vigilância médica.

A política de um Estado democrático deve ter como objectivo impedir que alguém recorra ao aborto por absoluto desconhecimento de alternativas, por desinformação, ou por uma tradição rural radicada nos desmanchos que as avós faziam.

Eis, porém, que alguns, na ausência de bandeiras de luta, de reivindicações mobilizadoras tiram da cartola o aborto como se tratasse de um pilar demarcador entre direita e esquerda, gerando dois tipos de reacção.

Alguma direita reage com tanto medo de voltar a parecer reaccionária, marreta, de costas para a História, com declarações mais progressistas que os progressistas e apressa a pôr-se "à la page", não vá o diabo tecê-las outra vez. Gato escaldado... Olhando para o século XX, é fácil perceber, e muitos têm-no escrito, que a direita teve uma importante vitória ideológica ao ver consagrada consensualmente a economia de mercado como a melhor forma de organização das sociedades para garantir a democracia e o bem-estar social e com essa vitória enterrou as ideologias de esquerda que se lhe opunham, nomeadamente o comunismo e mesmo o socialismo democrático, assente na planificação e estatização dos principais meios de produção mas, pelo outro lado, a esquerda vencia a direita em matéria de concepção de modelos de organização social (divórcio, planeamento familiar, divisão dos papéis tradicionais do homem e da mulher, etc) hoje inquestionáveis, não só no terreno pessoal de cada cidadão mas na realidade constitucional e jurídica dos estados democráticos.

Alguma esquerda, na falta de melhores bandeiras (proletariado já quase não há e a realidade laboral nas empresas ou na agricultura é radicalmente diferente da anterior) serve-se do aborto como de uma importante trincheira que resiste. Assistimos ciclicamente a lutas internas, a declarações e promessas de candidatos a secretários-gerais, de dirigentes partidários falando do aborto como se fosse a principal questão para avaliar da fidelidade à esquerda de um dirigente. E aqui está o aborto transformado em potencial direito cívico. Ou até em manobra de diversão como é o caso da vinda do barco holandês. Passa pela cabeça de alguém imaginar que alguma mulher, mais ou menos jovem, com mais ou menos dificuldades económicas, se dirige a um barco que é exibido de forma ostensiva e degradante nas televisões e lá entra para fazer um aborto em alto mar? Evidentemente que não.

Tanto mais que Portugal tem desde 1985 uma lei aprovada que foi, podemos dizê-lo sem medo, referendada há três anos pelos portugueses. Convém recordar que nesse momento se disse sim à legislação existente e não à sua alteração. Em referendo livre e democrático.

Não se pode deixar de questionar: porque vem um barco para Portugal e não para a Argélia, ou para a Arábia Saudita? Ou para vastas zonas do globo onde as mulheres são casadas à força com quem nunca viram, como acontece ainda em muitos países islâmicos? Porque não navegam até ao Irão onde bater na mulher é um direito do seu dono? Uma coisa é certa, encheriam o barco! Mas falta-lhes a coragem... Não se resiste a perguntar ainda que razão as impede de salvar mulheres africanas, condenadas à morte por apedrejamento, acusadas de adultério, e aí sim fazem o que já Cristo fez há 2 mil anos? Houve no entanto quem fizesse uma campanha solidária que salvou a vida de Amina, grávida e condenada por um tribunal a ser apedrejada até morrer.

O drama da interrupção voluntária da gravidez merece ser tratado com mais respeito e com mais seriedade.

Público



sábado, setembro 04, 2004

Para la izquierda retrasada de Portugal

El 6 de junio, Solidaridad y Autogestión Internacionalista SAIn, El colectivo Autogestión y El Movimiento Cultural Cristiano lanzaron un manifiesto a la opinión pública condenando el aborto y todo atentado a la vida. Recogemos el texto íntegro:

RECHAZAMOS EL ABORTO PORQUE SOMOS DE IZQUIERDA

Después de las elecciones del 14 de marzo constatamos, una vez más, que no existen enfrentamientos radicales entre unos partidos y otros. Ninguno pone en tela de juicio los fundamentos del sistema socioeconómico actual, el sistema capitalista.

Puede parecer que sólo existe verdadero enfrentamiento de posiciones en un tema: el aborto. Pero a poco que analicemos eso vemos que no es cierto. En los 8 años de gobierno del PP el aborto ha aumentado un 37%, estando próximos a los 80.000 abortos por año. La política del PP en esta materia ha provocado que el aborto se esté utilizando como método de planificación familiar y que “de hecho” se practique el aborto libre en los primeros tres meses de gestación. Zapatero se hará publicidad a costa del PP legalizándolo “de derecho”, aunque no añadirá nada a lo que se venía haciendo. En realidad lo que pretende es ocultar con medidas “pseudoprogres” como la del aborto su alianza con la extrema derecha económica: por primera vez con Zapatero al frente un partido llamado socialista se ha atrevido a proponer explícitamente un programa político y económico neoliberal.

Queremos salir al paso, ante esta confusión propagandística, porque somos izquierda, pero nos oponemos al aborto, a su legalización abierta o subrepticia. Por la misma razón que nos oponemos a todo atentado a la vida: pena de muerte, torturas, hambre, armamentismo, guerras, destrucción del entorno natural... Sostenemos que la equiparación de izquierda y permisividad ante el aborto es, primero, una mentira de hecho y, después, una contradicción absoluta con los valores que toda la izquierda debe defender.

Nosotros somos izquierda, somos socialistas - de una u otra vertiente del socialismo-, porque defendemos, sin reservas ni dilaciones, la socialización de los medios de producción, porque luchamos contra cualquier explotación del hombre por el hombre, del imperialismo sobre los pueblos. Pero también porque defendemos la vida humana como valor supremo, porque sostenemos que nadie, en nombre de nada, puede suprimirla. Y creemos que precisamente encontrar pretextos y argumentos para suprimir vidas humanas es un signo distintivo de la derecha.

En el mundo han sido innumerables veces regímenes de derecha, supercapitalistas, los que han legalizado el aborto. Han sido hombres como Robert McNamara -el del Vietnam y el Banco Mundial, quienes más han impulsado la aceptación del aborto, los que lo han impuesto como algo conveniente para el dominio del capital multinacional. Hitler lo negó para su "raza" aria, pero lo impuso para los demás bajo su dominio.

HAY VIDA EN EL ÓVULO FECUNDADO

Es una falacia la equiparación izquierda-aborto. Y es también, más aún, una enorme contradicción: hay vida, y vida humana personal en el óvulo fecundado que anida en la madre. Y se destroza una vida humana - casi siempre con procedimientos de una horrible crueldad para el feto humano que siente- al destruirle. No es parte del cuerpo de la madre: es un ser humano distinto. Y como tal ser humano tiene sus derechos: tanto como los ancianos, como los minusválidos, los subnormales, los incurables, lo "antisociales", todos aquellos a los que la permisión del aborto pone en la lista de los futuros condenados, porque no se les va a considerar personas humanas con derecho a la vida, sino partes molestas de una sociedad que no les desea.

No hay en nuestros días una afirmación más reaccionaria -contra todo lo que se diga- que la del derecho de una persona sobre la vida del hijo no nacido. Es el derecho de propiedad más absoluto concebible, más allá del derecho del amo sobre el esclavo. Y es una vergüenza para la izquierda que levante la bandera del ese pretendido derecho. Y más aún, que se deje a la derecha, por fines electoralistas que su meollo de poder económico no siente en absoluto, que monopolice hipócritamente la oposición al mismo.

Nosotros rechazamos esa postura vergonzosa, de la que la izquierda, en la medida que han avanzado los conocimientos de la embriología, tiene que liberarse. No sólo somos izquierda y rechazamos el aborto, sino que lo rechazamos precisamente por serlo. Se trata simplemente de la aceptación del hecho científico de dónde empieza la vida humana, con todas sus consecuencias.

Es necesario que nos planteemos con valentía y rigor de una vez ese tema en la izquierda: la vida humana es un valor supremo desde la concepción hasta la muerte natural. Y a partir de esta afirmación tenemos que desarrollar una acción decidida contra el hecho real del aborto combatiendo las causas, ayudando eficazmente a las familias, asistiendo legal y socialmente a la madre soltera, tanto a la que desee quedar con su hijo como a la que quiera darlo en adopción. Es un campo inmenso de trabajo, en el que la izquierda debe multiplicar esfuerzo sin el fariseísmo de la cúspide económica de la derecha.

El aborto es un odioso acto de violencia realizado contra los no-nacidos y contra las madres. La izquierda debe hacer que el vientre de la madre sea el lugar que la naturaleza ha hecho que sea: el lugar más protegido. Y que la sociedad entera lo sea también, para la madre y para los niños, antes y después de nacer..


Solidaridad y Autogestión Internacionalista
Colectivo Autogestión
Movimiento Cultural Cristiano


El ejemplo holandés

Eutanasia infantil en Holanda

He leído con espanto la noticia sobre el aval de la Justicia holandesa, autorizando a un centro médico de la ciudad de Groningen al uso excepcional de la eutanasia infantil para niños aquejados de enfermedades incurables acompañadas de terribles sufrimientos para el enfermo.
Actualmente, los avances médicos permiten paliar totalmente el dolor de los enfermos incurables en fase terminal; incluso es posible provocar en el enfermo estados de coma inducido; por ello resulta espeluznante leer noticias como ésta, en las que se va mucho más allá del testamento vital, elección libre y consciente de un adulto en pleno uso de sus facultades. Ahora padres, tutores y médicos estarán facultados para decidir sobre la vida o la muerte de un niño.

Pedro Andreu Ávila.
Barcelona.
ABC
03/09/2004


sexta-feira, setembro 03, 2004

Gibraltar y de las relaciones hispano-británicas


Straw visitará Madrid en octubre para retomar con Moratinos el diálogo sobre Gibraltar

El ministro de Asuntos Exteriores y Cooperación, Miguel Ángel Moratinos, anunció esta tarde la visita en octubre de su homólogo británico, Jack Straw, a Madrid para hablar de Gibraltar y de las relaciones hispano-británicas, tras un breve encuentro entre ambos tuvieron al margen de la reunión informal de Exteriores de la UE que se desarrolla cerca de Maastricht (Países Bajos).

"Se ha acordado la visita del señor Jack Straw a Madrid para hablar de las relaciones bilaterales, incluido Gibraltar, a la vuelta de la Asamblea General de Naciones Unidas. La voluntad es retomar el contacto y diálogo con las autoridades británicas", indicó el jefe de la diplomacia española en rueda de prensa.

Moratinos subrayó que este encuentro no supone "reanudar" el Proceso de Bruselas entre Londres y Madrid, sino que el objetivo del mismo es que España tenga una "relación normalizada" con Reino Unido "para hablar de todos los temas, incluido Gibraltar", tras los últimos decisiones británicas en torno a las celebraciones del tricentenario y la visita del submarino 'Tireless' a la colonia.

En relación con los últimos gestos españoles hacia Gibraltar al mantener una reunión con el primer ministro de la colonia, Peter Caruana, y levantar las restricciones a los cruceros que atraquen en Gibraltar, Moratinos indicó que Madrid no quería "hacer pagar" a los gibraltareños la "falta de delicadeza y sensibilidad del Gobierno británico en celebrar y llevar a cabo esos gestos".

A su juicio, estas actuaciones británicas son "agua pasada" y ahora España quiere "favorecer la situación de la gente que vive en el Campo de Gibraltar a base de cooperación". Por ello, insistió en que se desarrolle "un clima de diálogo y de cooperación con los gibraltareños y los ciudadanos españoles que están en el Campo de Gibraltar".

Agendias/Chateau Gerlach
ABC


quinta-feira, setembro 02, 2004

Homenagem ao Comandante Virgílio de Carvalho



Apesar de consumir os dias ouvindo e lendo noticiários da rádio e da televisão, só hoje, e através de um familiar..., soube da morte do Comandante Virgílio de Carvalho, ocorrida ontem.

Era um dos maiores patriotas portugueses que pude conhecer pessoalmente.

Era um dos nossos concidadãos mais lúcidos em matéria de relações luso-espanholas.

Era um dos mais clarividentes pensadores sobre a essência de Portugal e o seu papel no Mundo.

Ficamos muitos mais pobres e sós. Madrid fica mais descansada: calou-se uma das poucas vozes que denunciava a sua ameaça.

Os meus sentimentos são aqui irrelevantes face à brutalidade desta perda.

No meio de tanta inutilidade supostamente noticiosa, o Comandante Virgílio de Carvalho merecia que o tivessem lembrado com mais destaque no dia em que partiu.

Os Grandes Homens são geralmente esquecidos e ignorados em Portugal. Talvez por isso, as poucas notícias que a sua morte mereceu se revelem como a melhor expressão da sua grandeza!...




José de Ribera





Considerado como el mas destacado creador pictorico del Siglo de Oro español despues de Velazquez, Ribera ocupa tambien un lugar importante en la pintura barroca italiana, donde el magisterio y la huella de lo "Spagnoletto" quedo patente en la escuela napolitana, de la que fue, sin duda inminente inspirador. De aqui, la doble dimension que, tambien con la salvedad de Velazquez, ofrece la personalidad artistica del pintor valenciano, de Jativa, al establecer su taller definitivamente en Napoles.

En Napoles tendra no solo seguidores y una cuantiosa cohorte de disicpulos y colaboradores en su activo taller, sino rivales de prestigio, inquietos por sus exitos y celosos por la prolongada simpatia de los virreyes españoles, de cuyo mecenazgo gozo durante mas de tres decadas. No deja de ser sorperdente que, incluso antes de asentarse y contraer matrimonio en Napoles, todavia al inicio de su andadura italiana, uno de los grandes pintores de la escuela boloñesa Ludovico Carracci, impresionado por el San Martin que habia pintado en Parma, confiesa su preocupacion por "ese pintor español que sigue la escuela de Caravaggio.

Bautizado en la iglesia de Santa Tecla de Jativa, se le impusieron los nombres de Juan Juseppe de Ribera, hijo de Simon y Margarita Cuco. Ya adulto, el pintor utilizara siempre solo el segundo de los nombres, Juseppe, tal vez para distinguirse de un hermano menor, llamado Juan, que lo acompañara a Italia.

Su padre, Simon, era zapatero y se alisto en los tercios españoles destinados a Italia. Nada tenia de rico, y se impuso grandes sacrificios con tal de enviar a su hijo a la universidad, pero los resultados fueron menos que mediocres. Tras lo cual, el frustrado doctor consiguio estudiar pintura en el taller de Francisco Ribalta en Valencia.

Hacia 1613, ya se encontraba en Italia, concretamente en Parma, y a partir de 1615, estaba en Roma, de donde un año mas tarde partio precipitadamente hacia Napoles para huir de sus acreedores. Lo cierto es que aparecio en Napoles provisto de un autendo digno de esta descripcion, "va mal vestido, con su rodilla de velludo raida, las calzas agujereadas y los zapatos de terciopelo rotos".

Llega a la ciudad eterna justo en el momento en que dos grandes tendencias se ofrecen en el panorama de la pintura italiana. Una de ellas, el eclecticismo, practicado en el obrador bolones de los Carracci, mantiene el culto de los grandes maestros del Cinquecento y tiene como maximo exponente en la escuela romana, ademas de Annibale y Ludovico Carracci, a Guido Reni, cuyas obras estudia Ribera, y a las que debe mas de un prestamo. La otra corriente, que conmocionaba las opiniones y el gusto de la epoca con sus destellos claroscuristas y sus modelos extraidos del natural sin el menor respeto a la idealizante tradicion impuesta por el clasicismo a los temas religiosos y mitologicos extraidos del natural sin el menor respeto a la idealizante tradicion impuesta por el clasicismo a los temas religiosos y mitologicos, era la generada por el tenebrismo de Miguel Angel o Caravaggio, muerto en 1610. Ribera tras una breve estancia en Parma hacia 1614-1615, recien llegado de su Jativa natal, se instala en Roma, donde halla su estilo pictorico. A este periodo se deben, sus primeros cuadros autenticos. Son obras de los años 1615-1616, los que completan a serie de los Cinco Sentidos, que realizo para un cliente español, en Roma. Son originales los lienzos de El gusto (Wadsworth Atheneum, Hartford de, Connecticut), el Tacto (Fundacion Norton Simon, Los Angeles) y La Vista (Museo de San Carlos, Ciudad de Mexico), mientras el Olfato y el Oido quedan incluidos en la ocndicion de copias.

En 1616, aceptando la oferta de matrimonio que recibio, se caso, en Napoles, con Catalina, la hija del pintor y modelador Bernardo Azzolino, de la que tuvo cinco hijos entre 1617 y 1636. Desde sus primeros lienzos realizados en Roma, que, por cierto, no son exclusivamente de argumento sacro, el pintor adquiere el mas dialectico claroscurismo, hasta convertirse en uno de sus maximos propagandistas. Su papel de pontifique del barroquismo tenebrista lo ejercera sin escrupulos ni inhibiciones ante la veracidad del modelo, por muy repugnante o deforme que pueda resultar para el espectador habituado a pautas idealizantes aun apegadas a Rafael. La primera de las series de su obra, forjada en torno al año de su casamiento y que puede comprender hasta los albores de sus ultimos meses en Roma y de los primeros napolitanos, aunque se hallan en Napoles o de esta ciudad proceden casi siempre, esta integrada por una galeria de gustos de Apostoles, sin que llegue a formar un Apostolado completo. A estos Apostoles habria que añadir otros lienzos con figuras de medio cuerpo de Cristo desnudo. uno con el rostro de perfil vuelto a la derecha, de la misma galeria de los Gerolomini, relativo a la Flagelacion, y otro, de perfil hacia la izquierda, efigiado como Ecce Homo, de la Academia de San Fernando, de Madrid. Asimismo cabe incluir en este periodo la serie entera de cinco lienzos de la Colegiata de Osuna, en Sevilla, que se llevo consigo el virrey de Napoles, duque de Osuna, Don Pedro Giron, al dejar el mando en 1620. Son ahora figuras de cuerpo entero, San Sebastian, San Jeronimo y el Martirio de San Bartolome, temas idoneos para pintar desnudos de un cuerpo joven o de anciano, mas otro de San Pedro Penitente, repitio en un aguafuerte firmado y con fecha de 1621.

Tras la partida del duque de Osuna y durante el virreinato del duque de Alcala, Ribera aparece ocupado sobre todo en la practica del aguafuerte, con un dominio del dibujo y los recursos luminicos. Su tremendismo naturalista no es nunca expresionismo deformador, sino llamada de atencion sobre los valores esteticos de lo feo.





Se ha supuesto que gracias a su suegro el joven artista consiguio imponerse en la entonces capital del virreinato español. En cualquier caso, es cierto que durante mucho tiempo merecio la proteccion del virrey, duque de Osuna. Luego, durante el virreinato del duque de Alba, remitio el apoyo de la superioridad, y el pintor pudo haber regresado a Roma en 1621: eso parece deducirse de una carta del duque de Alcala, entonces embajador de España ante la Santa Sede. Poco despues, el citado duque de Alcala fue nombrado virrey de Napoles, y con el Ribera recupero el apoyo de la corte, que ya se mantuvo constante bajo los sucesores de Alcala, el conde de Monterrey, y el duque de Medina de las Torres, que le permiten residir en palacio y establecer alli su taller. Trabajan con el numerosos alumnos: entre ellos, uno destacara con luz propia por imitar "riberas" con tanta pericia como para confundir a los expertos: Luca Giordano. Hacia 1626 pinta en Napoles tres lienzos de factura magistral, que cifran la madurez lograda por el maestro y su afirmacion personal frente a la vigorosa independencia caravaggiesca de las series antes enumeradas. El mas singular es su primera gran creacion mitografica, el Sileno borracho del Museo de Capodimonte, pintado para el comerciante y coleccionista flamenco Gaspar Roomer, residente en Napoles por aquellos años. Los otros dos lienzos de 1626, son versiones del mismo motivo: San Jeronimo y el angel con la trompeta del Juicio (Ermitage de Leningrado y Museo del Capodimonte). De medio cuerpo, en oblicua diagonalidad similar y con craneo bajo las volutas del pergamino.

Ribera pintaba en esta epoca solo seis horas por la mañana y entre sus temas figuraban los martirios de santos como el de San Bartolome. El resto de la jornada lo dedicaba a la vida mundana entre la estimacion general y rodeado de todo tipo de hijo, servidumbres y carrozas. Era un artista conocido por todo napolitano de su tiempo. Durante estos años, Ribera lleno las iglesias con sus delicados santos y escenas biblicas y cosecho el aprecio y los maximos galardones que una artista de su tiempo pudiera recibir. Llego a ser no solo el pintor español mas conocido en el mundo, sino uno de los mas destacados en Italia, donde existian varias escuelas dispersas por el pais que seguian las huellas del malogrado Caravaggio.

De 1629 a 1630, recibe la visita de Velazquez. Tras la admision en la Academia de San Lucas en 1644, le llegaba de Roma otro reconocimiento entonces muy ambicionado: la dignidad de caballero de la Orden de Cristo, concedida por el Papa. Los encargos procedentes de todas partes convertian en frenetica la actividad de Ribera y de sus numerosos ayudantes. A medida que avanza la decada de los treinta, y sus experiencias venecianistas y sus contactos amistosos con Rubens, dan paso a una gama de brillante y luminoso colorido neoveneciano y la estela del lujoso cromatismo flamenca dejada en Sicilia y el sur de Italia por la presencia de Van Dyck. En los años del virreinato del Conde de Monterrey, de 1631 a 1637, y en los encargos que este mecenas le hizo para decorar su patronal iglesia de las Agustinas de Salamanca, Ribera plasma un conjunto de lienzos inusual monumentalidad radiante cromatismo que hacen olvidar todas las nocturnidades anteriores. Al frente de esta gran serie la Inmaculada del Retablo Mayor, fechada en 1635, de mas de cinco metros de altura. Pareja luminosidad graduada en grises y platas, ofrece el cuadro la Apoteosis de San Jenaro, del mismo convento salmantino, sobre paisaje del Vesubio en fumarola, mientras que en la Piedad del atico del retablo mayor recurre aun a modelado claroscurista.

Esta pudo haberla interrumpido la rebelion antiespañola, encabezada por el pescador Masaniello (1647-1648), aunque se reanudo con la llegada del virrey don Juan Jose de Austria, hijo ilegitimo de Felipe IV y de Maria Calderon, y cuyo retrato ecuestre basta por si solo para asevera que el artista habia encontrado rapidamente un nuevo protector. El virrey sedujo a una hija de Ribera, lo que sirvio para muchas de sus Inmaculadas. Entre marzo y abril de 1650, Diego Velazquez estuvo en Napoles y es licito suponer que en el curso de su estancia el maestro sevillano frecuentara el estudio de Ribera.

Es de destacar la serie de profetas de la Cartuja napolitana de San Martin, asi como el Moises y Elias, y la Comunion de los Apostoles que Ribera no pudo terminar hasta un año antes de su muerte, leccion preclara que plasma un argumento pocas veces tratado entre pintores españoles.

Moria en su villa de Mergogliano, Posillipo, a las afueras de Napoles, el 3 de septiembre de 1652, como uno de los maximos representantes de la pintura barroca española

iespana.es



Abortistas desmascarados

Quando lhes cai a máscara, a escória abortista revela estrondosamente o estrume que lhes preenche o crânio e o esgoto em que vivem.

Hoje atacaram uma sede partidária e escreveram nas paredes frases como estas:
«Aborto Livre Já»

«PP para a Fogueira!»

«Morte aos Fascistas»

Pelas frases miseráveis que aqueles cérebros atrofiados escreveram, à medida justa dos argumentos que usam, se vê quanto para eles vale a vida alheia e o que verdadeiramente pretendem, ainda que se escondam por trás de uma rol de pueris e ignóbeis mentiras .

O que verdadeiramente desejam não é resolver o problema das mulheres que engravidam sem terem meios económicos de sustentarem os seus filhos. Para isso há outras soluções que lhes não interessam.
O que os preocupa não é que jovens inocentes engravidem sem o desejarem. Para isso existem inúmeras formas de prevenção, que também não é o que verdadeiramente propõem.
O desprezo total que nutrem pela vida humana e a cultura de total irresponsabilidade em que vivem e que querem impor ao outros, não poderia ter outro efeito que não a afirmação do que verdadeiramente querem: aborto livre, o direito ao extermínio de qualquer iniocente criança.

É esta a sua humanidade. São estes os seus valores.

E ainda têm o desplante de apodar os outros de «Hipocrisia».




Mais de 'histórias'

Comentei ontem que o jornal espanholista El Mundo tem já nas livrarias disponível a sua enciclopédia Historia de España e que eu afirmava seria um atentado à independência histórica de Portugal e, ainda, um contínuo ignorar tanto da História quanto (acrescento) da identidade do povo galego. Talvez para compensar as barbáries históricas dessa obra, hoje esse jornal traz um suplemento chamado Documentos, sendo dedicado à História e que traz o seguinte cabeçalho: "Siete de los principales especialistas, españoles y extranjeros, en las distintas épocas de nuestra Historia reflexionan sobre la identidad de España". Tais especialistas são Julio Valdeón, Joseph Pérez, Manuel Fernández Álvarez, John Elliott, Josep Fontana, Stanley Payne e José Álvarez Junco. Cumpre reconhecer que as suas visões são bem mais moderadas que as de, por exemplo, García de Cortázar, no entanto, certos esquecimentos históricos (como os suevos, claves no nascimento da Galiza e de Portugal) não podem ficar no anedótico.

Para vocês, leitores do Portugal e Espanha, resumo ou cito o mais relevante das opiniões destes vultos da historiografia espanhola.

- Julio Valdeón. "En la Edad Media, España ya existía como idea política". "El poder de los reyes de Asturias [realmente, da Galiza] (...)". "(...) la unión de los herederos de ambos reinos [Aragão e Castela] fue una unión dinástica, (...) también un paso para la reconstucción de la unidad de España [unidade que não existia, polo menos, com o emperador

Diocleciano]". "Identificar lo castellano y lo español es un abuso [sim, mas a 'lengua nacional' é a que é...]".

- Joseph Pérez. "A mediados del siglo XV, en la Península Ibérica no quedaban más que cuatro reinos cristianos: Portugal, Castilla Aragón y Navarra. Los cuatro se consideraban (...) distintos, pero hyermanos: todos eran españoles [sem comentários]". "[esses quatro reinos] se consideraban hermanos y compartían la idea de reconstituir la unidad política perdida [que unidade? a do império romano que antes da queda desse império já não existia?]". "(...) los españoles de la Reconquista (...) se sienten distintos de los moros pero (...) herederos de un legado anterior, de los visigodos y de la época romana [espanholes sem Espanha? e os suevos que fundaram o Reino da Galiza? Senhor...]". "La Guerra de la Independencia es la creacdión de la nación española en el sentido moderno de la palabra". "Hay autores catalanes o gallegos, pero creo que forman parte de una misma cultura, porque vienen del mismo grupo humano [???]".

- Manuel Fernández Álvarez. "[¿Fue la monarquía visigoda el primer concepto de una idea nacional de España?] Sí, aunque también se puede hablar de una España romana que se desgaja del imperio (...). Luego viene la España visigoda (...) [e os suevos?]". "La incorporación [de Portugal à Espanha] fue un fracaso, porque la nación portuguesa estaba muy hecha [e as outras nações, autónomas, não? enfim...]". "Cataluña tiene una personalidad impresionante, que hay que (...) respetar, mantener y mimar (...). Pero entiendo que puede permanecer dentro de España siempre que España sepa respetarla (...) [apenas a Catalunha? formosas palavras que, os políticos de PP/PSOE nunca se atreveriam a praticar].

- John Elliott. [Volta com os romanos e os visigodos... já cansa!] "Olivares [o Conde-Duque que causara a querra de 1640 contra os catalães] quería (...) estrechar los lazos entre las distintas regiones para crear una España más fuertes [regiões!? o que faltava!]". [Omito muito porque não aporta nada novidoso face os três anteriores].

- Josep Fontana. "En nuestro país, Antonio Alcalá Galiano, una de las mentes más lúcidas del siglo XIX afirmoó en 1835 que a los liberales les correspondía la tarea de hacer de España una nación, que no lo es ni lo ha sido nunca [mito nacional ao chão!]". "(...) estamos en un Estado conjuntamente y nadie con sentido común, conociendo las perspectivas actuales del mundo y de Europa, puede pensar que este Estado sea una nave de la que haya que desembarcar [=querer ser espanhol, de sentido comum; querer-se separar, de cabecinhas-tolas]". À pergunta "¿Cuáles serían los mínimos que hoy pueden identificarnos como españa (...)?", divagou muito, mas não pôde apontar realmente nenhum mínimo, apenas afinal disse "el problema es pensar que la construcción de la nación exige que en ese Estado no haya más que una sóla clase de ciudadanos". "(...) tratar de homogeneizar culturalmente ese estado es un objetivo que no corresponde al Gobierno [com certeza, mas... quis ele afirmar que, porém, sim era um objectivo? De ser assim, reprovável]". Para além das ameaças subtis comparando as perspectivas secessionistas que puder haver em Europa com o que aconteceu na ex-Jugoslávia, nada novidoso que mereça ser destacado.

- Stanley Payne. Faz uma análise do regime de Franco (dum suposto regeneracionismo ao fascismo), da inviabilidade das segregações nos marcos espanhol e europeu e uma crítica das raízes do nacionalismo basco (teorias de Sabin Arana), fundamentadas em "puro disparate" (e, porém, nessa crítica a Arana tem razão, mas não na sua análise posterior).

- José Álvarez Junco. "(...) la identidad común [???] a la que llamamos española o España está cambiando constantemente (...)". Sobre que na Constituição espanhola se especifice quais são as nacionalidades históricas, responde: "Me parecería un error. ¿Cómo vamos ahora a asegurar cuales son las nacionalidades históricas?". Bom, eu dir-lhe-ia que seria assinalar quais são as nações, porém, todas essas nacionalidades históricas o especificam no seu Estatuto de Autonomia (cousa que esse historiador teria de saber), como diz, por exemplo, o galego (textualmente): "Galicia, nacionalidade histórica, constitúese en Comunidade Autónoma para acceder ó seu autogoberno, de conformidade coa Constitución Española e co presente Estatuto, que é a súa norma institucional básica" (Título preliminar, artigo 1). "Nación identificada con Estado casi no ha habido ninguna. Podríamos hablar de algunos casos de entidades más pequeñas en Europa: Dinamarca, Portugal". "Al nacionalismo le queda el papel de irse retirando a los museos [se isso levar também o nacionalismo espanhol, que assim for :)!!]".

E com isto, despido-me (nem sei até quando) dos leitores/leitoras e colaboradores deste blogue. Agradeço imenso ao Mário ter-me permitido participar deste/neste projecto que acredito tremendamente necessário e útil. Não existem, nem na internet, muitos locais onde se exibam e analisem as informações que continuamente chegam do Reino da Espanha e da República Portuguesa. Dous Estados muito próximos, mas mui diferentes. Um deles, uma nação (Portugal). O outro, um conglomerado de nações submetidas a um projecto político de matriz imperialista. Os pontos de confronto polos interesses divergentes são constantes, e nem sempre os meios de comunicação convencionais se atrevem a criticar quando deverem porque primam, por cima de tudo, a empresa, o negócio. O Portugal e Espanha não tem esses problemas. É um blogue livre feito por cidadãos livres. A experiência, para mim, foi altamente satisfactória. Mas nestes momentos é-me totalmente impossível continuar. Porém, a todos acima mencionados, envio um só berro: "obrigado!". Atenciosamente, Eduardo Pais.




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