sexta-feira, abril 30, 2004

Chirac acoge a Zapatero en «el eje»




El presidente francés, Jacques Chirac, recibió ayer en el Palacio del Eliseo al jefe del Ejecutivo, José Luis Rodríguez Zapatero, dentro de las visitas de Estado que realiza para incorporar a España al eje franco-alemán. Chirac mostró su respaldo a la nueva política exterior del Gobierno socialista y se comprometió con Zapatero, como hiciera el miércoles el canciller alemán Gerard Schröder, a buscar en común una nueva resolución de la ONU para encontrar una solución al conflicto de Iraq. El jefe del Ejecutivo coincidió también con el presidente francés en la necesidad de aprobar cuanto antes la Constitución

Léase el artículo completo pulsando aquí.


Boicot a productos españoles


     Con el objetivo de protestar por la orden de retirada de las tropas españolas en Irak que aprobó el Gobierno de José Luis Rodríguez Zapatero, desde distintos foros estadounidenses se está proponiendo un boicot activo a productos españoles.

     Mensajes en este sentido circulan ya masivamente por distintos foros de la red y por correo electrónico.



La imagen de la justicia española en el extranjero


     Un juez de Bélgica ha rechazado la petición de extradición del presunto miembro de ETA, Diego Ugarte López de Arkaute, porque teme que los derechos fundamentales del detenido podrían ser vulnerados por las autoridades judiciales españolas. (IzaroNews)





Oliveira Martins



Num dia como hoje, 30 de Abril de 1845, nasceu em Lisboa Joaquim Pedro de Oliveira Martins, uma das figuras cimeiras do Portugal oitocentista, destacando-se como historiador, escritor e jornalista, para além das muitas actividades que exerceu na política, na administração pública, no comércio e na indústria.

A sua vida apresenta diversas ligações a Espanha, não só por ter perfilhado certas ideias iberistas e federalistas, mas também porque alguns momentos da sua biografia e alguns espécimes da sua bibliografia apresentam atinências com o país vizinho. Em 1869, no Jornal do Commercio, publicou uma série de artigos sob a epígrafe Do principio federativo e sua applicação á peninsula hispanica. Em Espanha trabalhou entre 1870 e 1874 numa empresa mineira de Santa Eufémia, em Córdova. Foi em Espanha que escreveu a obra Os Lusíadas - Ensaio sobre Camões e a sua Obra, em relação à Sociedade Portuguesa e ao Movimento da Renascença (1872). Em 1880 publicou a Historia da Civilização Ibérica. Em 1882, a Real Academia de Espanha conferiu-lhe o diploma de sócio correspondente. Em 1890 representou Portugal na Conferência Internacional da Propriedade Industrial de Madrid, cidade onde no ano seguinte foi convidado para participar na celebração do centenário de Cristóvão Colombo.

Podem consultar-se na Internet diversas biografias de Oliveira Martins, aqui, aqui e aqui.






A ignorancia e as más formas não endendem de fronteiras


     Venho de dar com um 'interessante' artigo dum tal Jorge García-Contell que tem por título Babel en declive e onde de dedica a, sem maiores argumentos que auto-ódio, o complexo de inferioridade e as más formas, pretender destruir qualquer possibilidade de que a língua catalã de Valência (mal chamada 'valenciano') desapareza desse país.

     Mui brevemente explicarei quais são as falácias contidas nesse texto:


     Bastante evidenciadores são, como complemento, os textos de José Pedro Gasamáns sobre a normalização do 'espanhol' (1, 2, 3, 4, 5,).




Alteração da política externa espanhola


      Sobre as alterações recentes da política externa espanhola, leia-se o editorial de hoje, do ABC, intitulado, Inflexión en la política exterior europea.


Zapatero Y Mohamed VI



La Vanguradia




Blog sobre el Sáhara Occidental




     Un Blog sobre el Sáhara Occidental, la antigua colonia española: SAHARA OCCIDENTAL - WESTERN SAHARA - ACTUALITES - NEWS - NOTICIAS.


Como aleivosamente se aniquila um País


     Em 25 de Abril de 1974, para o bem ou para o mal, acabou o Portugal ultramarino e multicontinental que começara em 1415 com a conquista de Ceuta. No dia 24 de Abril de 2004, seguramente para o mal deste País, morreu o Portugal soberano e independente iniciado em 1128 na Batalha de São Mamede.

     Neste dia, um bando de traidores dos três partidos do bloco central decidiram entre si pôr fim ao Estado constitucionalmente soberano até então vigente, submetendo, alegandamente em nome do Povo e ao serviço do Povo, este Estado quase milenar a uma Carta Constitucional que o eixo franco-alemão decidiu outorgar aos restantes ínfimos países da Europa.

     Fez-se tudo silenciosamente, contando com a serenidade e a ignorância do Povo que estava a pensar no fim-de-semana. Ainda houve protestos do PCP, dos Verdes, do Bloco de Esquerda e do PND. Mas como é o arco da governabilidade que entre si partilha o poder, com as suas prebendas, sinecuras e corruptelas, tudo avança inexoravelmente.

     Há quase uma semana que queria destilar a minha insignificante ira sobre tais vendilhões da Pátria.

     Sérgio Figueiredo, escreveu ontem exactamente o que eu, mais modestamente, pretendia escrever. Poupo-me assim ao trabalho. Mas não me furto a verberar aqueles bandalhos que venderam Portugal como se se tratasse das traseiras do seu quintal.

Golpe constitucional


A meio da noite, quando o país andava a matar saudades da Grândola Vila Morena e a celebrar o cumprimento dos três D’s, um golpe constitucional estava a ser desferido por três dos cinco maiores partidos da Democracia portuguesa. Não sei se esta revisão constitucional consagra a mais importante alteração da Constituição desde a sua aprovação em 1976, como pensa Vital Moreira. ...
A meio da noite, quando o país andava a matar saudades da Grândola Vila Morena e a celebrar o cumprimento dos três D’s, um golpe constitucional estava a ser desferido por três dos cinco maiores partidos da Democracia portuguesa.

Não sei se esta revisão constitucional consagra a mais importante alteração da Constituição desde a sua aprovação em 1976, como pensa Vital Moreira.

Só sei que a consagração da supremacia do direito comunitário sobre o direito interno é uma alteração demasiado importante para ser negociada na maior das clandestinidades e votada sob pressão pelos senhores deputados da República.

Também é um facto que o país não está muito preocupado com tal mudança. A Constituição da República é uma abstração, que nada diz a ninguém.

É naturalmente muito mais excitante acompanhar as aventuras do major de «Gondomargate» e os casos de polícia protagonizados por Albarran, o ex-jornalista dos anúncios da Colgate.

Mas, já que toda a gente defende consensualmente a Democracia, é preciso avisar que ela foi alvo de um violento ataque. A Europa deixou há muito de ser uma opção.

A partir de agora é, definitivamente, encarada como uma fatalidade. Isso é de uma gravidade extrema. E, embora não pareça, é um assunto que nos envolve a todos.

A começar pelo Presidente da República, que no seu incisivo discurso do 25 de Abril perdeu uma bela oportunidade para denunciar que, também aqui, o rei vai nú. Ou, neste caso, não o rei mas a dona República.

Aliás, a relação geral do doutor Jorge Sampaio com a Constituição da República é bastante ambígua, para não dizer paradoxal.

Sampaio, é justo reconhecer, tem colocado na agenda do debate os temas que são realmente relevantes para o desenvolvimento nacional.

Granjeou prestígio e credibilidade por causa disso. Conquistou o respeito geral, por tomar a iniciativa.

Promove coisas como a inovação, lançou a ideia da Cotec, porque percebeu há muito que o país tem de ganhar mobilidade, tornar-se mais ágil.

Mas, depois, não admite sequer que o texto fundamental está repleto de arcaísmos revolucionários que, eles próprios, impedem que o país entre nesse trilho do progresso.

É hoje muito fácil dizer que a reforma laboral pariu um rato. Mas já ninguém se lembra a quantidade de vezes que o Código de Trabalho «bateu na trave», porque toda a revisão foi feita nos limites estritos da Constituição.

O Presidente tinha, também nesta revisão agora concluída, a obrigação de repreender o processo e os métodos seguidos pela esmagadora maioria da Assembleia da República.

Porque é isso mesmo que está em causa, não tanto a substância das alterações em si mesmas.

Esta revisão deveria, repito, ter servido para suprimir grande parte das restrições na componente económica da Constituição.

Mas, naquilo que foi mexido, foi um erro crasso não promover um debate mínimo - já para não falar do referendo que a deveria ter precedido. Vamos pagar caro por isso.
(Negocios.Pt, 29/04/2004)




quinta-feira, abril 29, 2004

Construindo a Ibéria


     Primeiro na economia. Depois será no campo político... O mercado ibérico começa a unificar-se. É assim que se apresenta para quem está dentro e para quem está de fora. E quando se perde a independência económica, sucede-lhe necessariamente a perda da independência política. De resto, no quadro da União Europeia actual e futura, essa independência para um país como Portugal não passa de uma mera formalidade...

     Apenas duas notícias de hoje sobre como se vai edificando a Ibéria, pelos de cá e pelos de fora...


A Corporación Mapfre, maior seguradora de Espanha e uma das companhias apontadas como potencial compradora de activos da Seguros & Pensões do Banco Comercial Português, reiterou hoje que está a interessada em fazer aquisições no mercado português.

A companhia completou recentemente um aumento de capital de 500 milhões de euros, sendo parte do encaixe destinado para aquisições na Península Ibérica. A Mapfre anunciou hoje que os resultados líquidos do primeiro trimestre foram impulsionados pelas últimas aquisições que realizou.

Hoje, em entrevista à agência Bloomberg, Domingo Sugranyes, vice-presidente da companhia afirmou que «estamos sempre a estudar novas aquisições», acrescentando que «temos visto coisas em Espanha e Portugal».

O Jornal de Negócios noticiou recentemente que iniciou recentemente um processo de «due diligence» para a aquisição de activos do Ramo Vida da Seguros&Pensões.
(Negocios.Pt)

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George Soros vai criar uma «holding» com o objectivo de investir em empresas portuguesas e espanholas, cotadas e não cotadas. O multi-milionário, gestor do Quantum Fund, contratou para este efeito um anterior presidente da Merrill Lynch e um estratega da McKinsey em fusões e aquisições.

De acordo com a edição de hoje do «Expansión», George Soros vai começar a investir em força em empresas da Península Ibérica, cotadas e não cotadas.

Para tal, o multi-milionário norte-americano contratou Jaime Bergel, um anterior presidente da Merrill Lynch e Carlos Tejera que foi responsável pelo departamento de consultoria em fusões e aquisições da McKinsey.

Segundo o jornal espanhol, nos próximos dias a equipa liderada por George Soros vai constituir uma «holding» que agrupará as futuras aquisições que fará em Portugal e Espanha.
(Negocios.Pt)



Telefónica avança sobre a PT


     Já muitas vezes se falou da previsível absorsão da Portugal Telecom pela Telefónica.

     Lentamente a previsão ou profecia vai-se concretizando. E chegará o dia em que se verá que a parceria entre as duas empresas não passava de uma estratégia digestiva de uma sobre a outra.

     A empresa espanhola anunciou hoje que reforçou a sua posição no capital da PT, de forma directa e indirecta, para 8,16%, contra os 4,8% que a companhia espanhola de telecomunicações detinha anteriormente na empresa portuguesa.

     Assim sendo, a Telefónica tornou-se o segundo maior accionista da PT e já recebeu autorização, numa assembleia Geral da empresa "portuguesa" para elevar a sua para um máximo de 10%, o que fará dela o maior accionista da PT.

     As Participações Qualificadas na Portugal Telecom em 14 de Novembro de 2003 eram as seguintes.



     Faz bastante sentido que ontem ou anteontem Cavaco Silva tenha avisado o Governo para ter cuidado com as privatizações. Só por mero acaso foi ele e Guterres que meteram a PT em situação de ser completamente dominada por estrangeiros, pelo amigo espanhol...




Ainda o Caso Delgado


Lisboa, 29 de Abril (de 1965) - Desenrola-se a campanha internacional em torno do caso Delgado. Já são mil versões, e todas contraditórias; e não parece ter-se ainda firmado uma corrente hostil ao governo. Há a maior efervescência no Brasil. Pouco claros o papel e a atitude das autoridades espanholais, que nada nos dizem: e não querem que intervenhamos em nada. O advogado oposicionista Mário Soares tem procuração da viúva do general para se ocupar do caso, e quer ir a Espanha; e isso foi-lhe facilitado. Salazar diz-me que deu ordem para que houvesse a máxima liberdade de notícias sobre o crime. Lavrei um despacho determinando a maior celeridade no encaminhamento para a Justiça de todas as cartas rogatórias de e para as autoridades espanholas ligadas ao caso Delgado, devendo-se-lhe atribuir prioridade sobre todas as demais.

Jantar no Governo Militar de Lisboa, dado por Gomes de Araújo em honra de Von Hassel, ministro da Defesa da Alemanha Federal. Disse-me este: gosta muito de Schroeder (ministro dos Estrangeiros), mas considera-o incapaz de fazer amigos; sem os americanos não é viável a defesa da Europa Ocidental; ficou desapontado com o último discurso de De Gaulle, que só fala da grandeza e glória da França e que, com tanta desconfiança dos americanos, acabará por irritá-los e levá-los a abandonar a Europa.

Franco Nogueira
Um Político Confessa-se

     Sobre o Caso Delgado e as suas relações com Espanha, leia-se ou releia-se:






A Espanha e o Directório Europeu


     Sem precisarmos de consultar o Oráculo de Delfos ou carecermos de aceder a informação privilegiada de âmbito diplomático, já aqui tíanhamos alertado para o perigo do apoio incondicional que Barroso havia proclamado a cheios pulmões em favor da política espanhola relativa ao Directório e à Constituição Europeia. Pois, como era evidente mesmo para qualquer míope que consiga enxergar um mínimo da realidade, Madrid só é contra o Directório Europeu se não puder fazer parte dele. Tendo Madrid lugar nele, em que posição ficaria Barroso e Portugal depois desse insano apoio incondicional que publicamente deu à Espanha?


El País, 29 de abril de 2004




Verguenza para España


ADIÓS, POLISARIO, ADIÓS


Por César ALONSO DE LOS RÍOS

ABC anunciaba ayer en su portada el giro del Gobierno socialista en relación con el Sahara. Al abandonar al Polisario, Zapatero llevará adelante un proyecto que difícilmente habría sido capaz de hacer por sí mismo Felipe González con sus ministros de Exteriores como Fernando Morán, Javier Solana e, incluso, Fernández Ordóñez. Amigo de Yusufi y visitante asiduo de Casablanca, González ha encontrado en el tándem Zapatero/Moratinos el instrumento obediente para empeños como éste. Nada menos que una corrección radical a las posiciones que ha venido manteniendo el PSOE tradicionalmente y que, con toda propiedad, cabe calificar como una traición política.

Después de dar la orden de retirada a las tropas españolas en Irak, es de temer que el presidente Zapatero se «retire» ahora virtualmente del Sahara. Dicho lo cual, hay que reconocer la coherencia de las dos operaciones. En ambas el Gobierno socialista se enfrenta a Estados Unidos y en ambas se entrega de forma servil a la política exterior de Francia. Zapatero se convierte en el monaguillo de Chirac y la izquierda española en general acepta el liderazgo de éste al igual que tuvo que apoyarlo para la Presidencia de la República toda la izquierda francesa.

Pero el seguidismo del PSOE a las consignas de la derecha francesa es mucho más grave en este caso del Sahara ya que están por medio las obligaciones de España para con su antigua colonia. Hay, por tanto, implicaciones que tienen que ver con el honor de España como tal y por las cuales la derecha española -desde UCD al PP- nunca ha podido dejar a su suerte al Polisario y a la población saharaui.

HAY más: para la izquierda española la fidelidad al pueblo saharaui era una de las últimas causas internacionales -sin duda, la más próxima- que le quedaban ya a la izquierda española. La asistencia de los socialistas, de ahora en adelante, a las citas de la antiglobalización van a sonar a puro sarcasmo.

¿Cómo van a reaccionar los militantes socialistas? De ningún modo. Se lo tragarán. Como tantas cosas. Obediencia interna y externa al jefe. Una especie de obediencia de tercer grado cuando ya ni siquiera creen en él mis queridos Jesuitas. En realidad bajada de pantalones.

¡Qué lejanas aquellas jornadas románticas montadas por el Polisario a las que asistían escritores españoles, intelectuales y artistas; aquellas noches solidarias y tercermundistas de las que nuestros amigos nos hablaban con arrobo a su vuelta como quien ha vivido unos días de expiación! ¡Noches bajo el cielo protector y las piadosas jaimas que nunca quise vivir quizá porque nunca me sentí aludido por los sentimientos de culpa que a otros les causaba el pasado colonial español! Debo reconocer que nunca fui muy sensible a esta causa y, por lo mismo, siempre me sorprendió que motivara tanto a los chicos socialdemócratas.

Y ¿qué dirá Chaves ante este giro, él, que fue el organizador, el consentidor al menos, de aquella mamarrachada del referéndum sobre el Sahara, aquella provocación organizada en territorio andaluz e institucional? Fue una farsa -intolerable desde cualquier punto de vista- y que supo utilizar el PSOE en una doble dirección: al tiempo que desataba una profundísima crisis diplomática entre España y Marruecos, se ofrecía deslealmente a Mohamed VI frente al Gobierno español. Ahora podemos ver el juego con toda claridad. ¿Reaccionará mínimamente Llamazares?

En todo caso, el entreguismo del PSOE a Mohamed VI no será una garantía para Ceuta y Melilla. El perro huele la adrenalina. Será peor.

ABC
30/04/2004


A traição de Zapatero ao povo saharauí


     Como já suspeitávamos e o havíamos aqui dito, José Luis Rodríguez Zapatero demonstrou quanto para ele valem os princípios de Direito Internacional quando estão em jogo certos interesses mesquinhos e egoístas do seu país.

     Fica desmascarado o seu carácter quando proclama uma política de valores para o Iraque e põe em prática uma política de conveniências para o Sahara Ocidental.

     Além da gravidade desta facto, ao fim de poucos dias como Presidente do Governo espanhol Zapatero mostra o que já aqui deixámos evidenciado: tanto em relação aos EUA como a Marrocos a Espanha não tem uma política externa de Estado mas uma mera diplomacia que não perdura mais do que o tempo de sobrevivência de um governo. Brevemente será Portugal a sofrer os efeitos desta realidade...

     Depois de em 1975 a Espanha ter traído o Povo Saharaui em troca de alguns lucros na exploração de certos recursos naturais da sua antiga colónia, Madrid volta a vender o direito à autodeterminação deste povo indefeso em troca do relançamento das relações com Marrocos.

     O seguinte artigo do ABC não deixa grandes dúvidas:



España favorecerá las pretensiones marroquíes sobre el Sahara


Ayer se debatió en la ONU sobre el Sahara a puerta cerrada y la diplomacia española no hizo mención alguna al plan de paz elaborado por James Baker

ALFONSO ARMADA CORRESPONSAL NACIONES UNIDAS/

El discurso oficial parece el mismo de siempre, con su retórico apoyo a una solución para el largo contencioso del Sahara Occidental que «satisfaga a las partes». Por debajo, la «nueva complicidad», en palabras de un diplomático, entre el Gobierno de José Luis Rodríguez Zapatero y el Reino marroquí ha llegado también al espinoso tema del Sáhara, con una postura «más comprensiva» hacia las tesis de Rabat.

El embajador de Marruecos ante la ONU, Mohamed Benouna, se mostró ayer exultante ante la llegada de los socialistas al poder y el giro en la política española hacia su antigua colonia, y resaltó el énfasis que hizo Zapatero en Casablanca en «iniciar un diálogo intenso para llegar a un acuerdo entre las partes». El Consejo de Seguridad adoptará mañana una resolución que prorroga seis meses la misión en el Sahara y propone su posible reducción.

El acercamiento a Francia y a Marruecos, uno de los ejes de la política del Gobierno socialista, empezó a cobrar cuerpo no sólo con la visita que Zapatero hizo al vecino del sur, en la que no mencionó el Plan Baker y pidió que «no haya posturas absolutamente irrenunciables», sino en el Consejo de Seguridad de la ONU. Ayer se debatió a puerta cerrada la cuestión del Sahara y para sorpresa de un embajador árabe y de los representantes del Polisario, la diplomacia española tampoco hizo mención al plan elaborado por el ex secretario de Estado James Baker.

El Plan Baker

El proyecto del enviado especial es precisamente una de las dos últimas bazas que baraja Kofi Annan en su último informe y fue el texto que sirvió ayer para el debate en el Consejo: o las partes aceptan de común acuerdo el plan de paz, que «sigue constituyendo la mejor solución política para el conflicto relativo al Sahara Occidental» (amplia autonomía del territorio seguida al cabo de cinco años de un referéndum sobre su estatuto final, sin descartar la independencia) o cierre de la misión y envío del contencioso a la vía muerta política de la Asamblea General. El Plan Baker fue aceptado por el Polisario merced a las presiones de Argelia, pero rechazado por Marruecos. «La primera opción sería poner fin a la Minurso (Misión de la ONU para el Referéndum en el Sahara Occidental) y remitir de nuevo la cuestión a la Asamblea General, reconociendo que, trascurridos más de 13 años y habiendo gastado más de 600 millones de dólares, la ONU no iba a resolver el problema del Sáhara sin exigir que una de las partes, o ambas, hicieran algo que no estarían dispuestas a hacer». Sin la presión de EE.UU. (absorbida por Irak), sin la implicación de la ex metrópoli, sin que el secretario general fuerce la mano, Marruecos lleva las de ganar. La lectura política que hacían ayer funcionarios y diplomáticos es que el tiempo se agota para el Polisario, y el pesimismo del informe de Annan es una victoria para Marruecos.

Ahmed Bujari, representante del Polisario ante la ONU, no ocultaba su desazón ante lo que calificó de «giro anunciado públicamente por los nuevos gobernantes españoles. Ya ni siquiera se refieren al Plan Baker y lo sustituyen por un llamamiento que es la cuadratura del círculo: un gran acuerdo entre las partes». (ABC, 28/04/2004)



quarta-feira, abril 28, 2004

28 de Abril de 1886


     Num dia como hoje, 28 de Abril de 1886, inaugurava-se em Lisboa o Monumento os Restauradores.

     Numa época em que perigosamente estavam a germinar as ideias iberistas, a Comissão Central 1.º de Dezembro de 1640 promoveu a erecção de um gigantesco obelisco, em cujas faces se inscreveram as heróicas vitórias portuguesas nas Guerras da Restauração, que entre 1640 e 1668 permitiram a Portugal a salvaguarda da sua Independência.




Los imprevisores y los miserables


     El ministro de Interior José Antonio Alonso dijo que el Gobierno de Aznar "no tuvo previsión" en el 11-M y que la policía "avisó con reiteración".

     Hoy el secretario general adjunto del Partido Popular y ex ministro del Interior, Ángel Acebes, ha acusado a su sucesor de "miserable" e "incompetente".

     La guerra está empezando.



¿Va a explotar la burbuja inmobiliaria?




     Algunos creen que no existe. Otros insisten en que podrá estallar en breve.

     El precio de la vivienda se ha duplicado en menos de siete años. Se cumplen ya cinco consecutivos con subidas anuales por encima del 15% y hay comunidades, como Madrid, en las que el alza en 12 meses ha llegado a un espectacular 30%.

     En los últimos doce meses el precio medio de la vivienda nueva libre en España subió un 17,31 por ciento y se situó en 1.682,1 euros por metro cuadrado construido.


As pistas ou os atalhos tortuosos da energia


     Já alertámos para a 1.ª e a 2.ª parte do brilhante artigo Portugal Confidencial – A Pista da Energia.

     Porque constitui uma imagem eloquente do profundamente afundado "Portugal Profundo", porque envolve personagens (no sentido corrente e remetendo para a etimologia grega "máscara") com interesses em Espanha ou que nela desempenharam funções, e até porque directa ou indirectamente se captam algumas contexões ou interconexões com o que aqui tratamos e com o país do lado, lembramos que já estão disponíveis as partes 3.ª e 4.ª:




Saramago na Galiza: a cegueira e a lucidez


     Sexta-feira, dia 30 de Abril, a “Fundación Carlos Casares” organiza em Vigo, no Teatro-Cinema Fraga (Fundación CaixaGalicia), a apresentação do último livro de José Saramago, intitulado "Ensayo sobre la lucidez"...

     Deveria chamar-se “Ensaio sobre a lucidez”, mas a obra em vez de ser distribuída na Galiza em português ou galego-português foi publicada em castelhano pelas Ediciones Alfaguara.

     Esperemos ao menos que Saramago, que deveria conhecer a realidade galega, não repita outros disparates passadose fale na sua língua que é também a língua que muitos falam a norte do Minho...

     Já agora, a Editorial Caminho, não faria mal em ter realizado a distribuição da edição portuguesa na Galiza, o mesmo valendo para outras obras desta editora e para as outras editoras portuguesas que negligenciam ou desconhecem o potencial de ampliação do mercado para as sua edições nesta região peninsular.

     Sobre Saramago e a Galiza, releia-se o artigo O Compromisso Ético de Saramago, de Bieito Seivane Tápia.



terça-feira, abril 27, 2004

Duas efemérides luso-espanholas


     Num dia como hoje, 27 de Abril, morreram


Ultimatos


     Combinando a ironia com a argúcia, o sarcarmo com a acutilância, o humor com o saber político-diplomático, surgiu há poucos dias o Ultimatos.

     Os dois primeiros ultimatos dizem-nos directamente respeito: "Território de Olivença" e "Tranvazes de Cristina Narbona". O terceiro refere-se a uma questão de limites que, como a de Olivença, nunca se concluiu, neste caso entre Portugal e a Austrália: o limite marítimo entre os dois países. Aqui, para além da questão do critério a adoptar quanto à delimitação, joga-se especialmente o domínio sobre o petróleo e o gás natural que Camberra sempre cobiçou e que não desiste de querer extorquir mesmo que para isso sacrifique os interesses e direitos de um pequeno e pobre país: Timor Lorosae. Esperemos que aqui não se repita o escândalo de Olivença em que o direito da força tem vencido a força do direito...

     Ao seu autor, o Plenipotenciário, ainda a fazer o tirocínio na blogosfera, os nossos votos de sucesso.



Cravos e "Grândola Vila Morena" em Torrejón


     Sem tomar partido ou fazer considerações sobre o 25 de Abril que escapa ao tema deste "blog", registamos o facto histórico de alguns símbolos deste acontecimento se terem internacionalizado e serem usados no país vizinho.

     Acabo de receber esta mensagem de Espanha:

El domingo día 25 de Abril hubo una manifestación desde Madrid a Torrejón (11 kilómetros) contra las bases americanas en España. El emblema que se utilizó en la propaganda fue un clavel rojo en homenaje a la revolución portuguesa. También hubo música y sonó el Grándola Vila Morena.

Un saludo.



Queremos ensino em galego


     Amanhã, dia 28 de Abril, é dia de mobilização estudantil na Galiza, ao nível do ensino secundário, para exigir o cumprimento do Decreto 247/95, que regula as materias mínimas a leccionar em galego no ensino não universitário.

     Participam na iniciativa diversas organizações como a "Mesa pola Normalización Lingüística", "Mocidade pola Normalización Lingüística", "Comités Abertos de Estudantes", "Galiza Nova" e "Assembleia da Mocidade Independentista".

     A mobilização estudantil tem como lema “Aos estudantes negam-nos os nossos direitos. Queremos ensino em galego”.

     Do comunicado emitido pela "Assembleia da Mocidade Independentista", retiramos o seguinte excerto que é bem ilustrativo do problema em questão:

Nom é desconhecido para ninguém o drama que estamos a sofrer com a situaçom do idioma, que se agudiza com dimensons trágicas quando falamos dos usos linguísticos do galego entre as geraçons mais novas. Neste senso os dados nom podem ser mais reveladores e cada 10 anos, a nossa língua está a perder 6,6% de falantes jovens o que levou a que nos últimos 25 anos, Galiza tem perdido mais falantes do que nos cinco séculos precedentes.

No primeiro tramo da nossa Campanha Nacional centramos as nossas reivindicaçons no âmbito do Ensino Secundário, onde longe de florescer o uso do galego, supom o esmorecimento do mesmo com a cumplicidade das instituiçons. Como bem saberedes nom se cumplem nem os mínimos raquíticos estabelecidos por lei recolhidas no Decreto 247/1995 aprovado pola Junta de Galiza segundo o qual determinadas matérias devem ser ministradas exclusivamente em galego. Longe de ser umha lei regeneradora do galego, supom um factor que deu, dá e dará folgos ao espanhol polo incumprimento reiterado desta normativa que como já manifestamos, é insuficiente. Assi, devido à negligência criminosa da Conselharia e graças à atitude cúmplice das Direcçons e dos Conselhos Escolares, mesmo os raquíticos direitos lingüísticos que a lei nos reconhece som violados sem conseqüências.



Cebrián ou Sampaio


     Confiando no Guia do Expresso, noticiámos que na RTP 2, ontem, Ana Sousa Dias, no programa "Por Outro Lado", entrevistaria Juan Luis Cebrián.

     À hora que liguei a televisão, já tarde, quem estava a ser entrevistado era Jorge Sampaio.

     Ficamos à espera da entrevista com Juan Luis Cebrián.


Aznar avergonzado



El País, 27 de abril de 2004



     Después del ataque de Aznar contra Zapatero, ayer en ABC, léase el editorial de El País, "El ex presidente no ceja", publicado hoy.


Encontraram o cadáver de Humberto Delgado



Monumento em Los Malos Pasos,
Vila Nueva del Fresno, onde o cadáver foi encontrado


Lisboa, 27 de Abril (de 1965) - Altas horas, telefona-me e visita-me, em minha casa, o Encarregado de Negócios de Espanha, para tratar de matéria urgente, e grave. Diz: recebera de Madrid um telegrama informando que em território espanhol, entre a fronteira portuguesa e Badajoz, haviam sido encontrados dois cadáveres, sendo um de Humberto Delgado e outro da sua secretária brasileira. Não têm os espanhóis dúvidas quanto à sua identificação; e os corpos revelam, pelo seu estado de decomposição, que a morte se deve ter produzido há cerca de mês e meio. Madrid queria que o governo português fosse prevenido. Respondi que podia considerar o governo português como prevenido. E quanto a publicidade? Toda, respondi, desde que compatível com a necessidade da investigação criminal; mas deste particular apenas o governo de Madrid poderia ser juiz. Despedido o espanhol, e porque não quero acordar o Ministro do Interior a estas desoras, telefono ao director da Polícia. Estava a dormir, estremunhado como quem está em paz de alma.
Mais tarde. Entro quase de roldão na residência da Rua da Imprensa, sem mesmo haver aprazado entrevista. Comunico a Salazar a conversa com o representante espanhol. Embora nem por um triz o desamparasse a sua calma, li no seu semblante a estupefacção. E disse em voz baixa: «É uma maçada, vai ser uma maçada. Só nos interessava Delgado enquanto vivo, porque era instrumento de desprestígio e divisão da oposição». E quase em surdina, em tom ciciado, como se alguém na sala nos pudesse ouvir, acrescenta: «E, meu caro senhor, esse assassínio é o tipo de coisa que pode desmantelar um regime».

Franco Nogueira, Um Político Confessa-se.


     Sobre o Caso Delgado e as suas relações com Espanha, releia-se La muerte de Humberto Delgado y Olivenza.


Separatistas, pro-etarras, cães rancorosos, demagogos, insolidários... e cantonalistas


     Sobre a 'questão nacional espanhola' à que aludia ontem Mário (Nacionalismo "espanhol" e nacionalismos "periféricos" ), adiciono no Arquivo Portugal e Espanha um artigo de Paco Umbral titulado (Doc. 111) Los cantonalistas, mui evidenciador do 'pavor' com que certos nacionalistas espanhóis (como o próprio Umbral, diga ou não ele o contrário) enfrentam as exigências feitas polos nacionalistas periféritos, desvirtuando-as e equiparando-as ao movimento cantonalista.


segunda-feira, abril 26, 2004

A Espanha quer, trabalha e consegue...


La UE acepta las demandas de España y amplía las ayudas al aceite de oliva y al algodón.
El Comité Especial de Agricultura de la UE ha aceptado hoy las demandas de España sobre el aceite de oliva y el algodón. La decisión corrige los malos resultados conseguidos por España en el nuevo pacto agrícola, que ahora incluirá 20 millones de euros para el sector del olivar español y un aumento de las ayudas por hectárea al algodón.
(El País)


26 de abril de 1937


     Un dia como hoy, 26 de abril de 1937, la ciudad de Guernica es arrasada por la Legión Cóndor alemana, por orden del general Franco.




Franqueza e fraqueza


     Marrocos, país com quem Aznar conseguiu gerar ou ampliar diversos conflitos e desentendimentos, foi o primeiro Estado a receber uma visita do novo Presidente do Governo espanhol que, simbolicamente, após a sua investidura teve como primeiro gesto uma homenagem às vítimas dos atentados de 11 de Março e depois de tomar posse teve como primeira viagem interna uma ida a Leão, a sua terra natal.

     Zapatero dissera claramente no Discurso de Investidura: «Marruecos exige y merece una atención preferente y unas relaciones que busquen el entendimiento profundo». Não foi por acaso, que depois de se referir à Europa, o primeiro e quase único país que Zapatero referiu nesse discurso tenha sido Marrocos.

     Após essa viagem a Marrocos, o Ministro dos Negócios Estrangeiros deste país considerou que este encontro «inaugura uma nova era nas relações hispano-marroquinas» e que a «franqueza» esteve presente quando trataram cada um dos temas da agenda.

     Esta postura não é inteiramente nova. Já no final do governo de Aznar se apaziguara a tensão entre os dois países. O pragmatismo e vários interesses estratégicos aconselham ambos os reinos a melhorar o seu entendimento. A pretendida aproximação de Rabat à União Europeia, por um lado, e a disputa de influências entre Madrid e Paris, por outro lado, são motivos suficientemente fortes para estimularem o reforço das relações políticas e económicas entre os dois Estados.

     Mas por trás das boas intensões persistem enormes problemas, como a emigração clandestina, a questão do Sahara Ocidental e o litígio pela soberania de Ceuta, Melilla e ilhas adjacentes.

     Para já, Marrocos tem optado pelo silêncio, pelo menos público, quanto a esta disputa territorial. Para além de tudo o mais, a sua situação económica e financeira recomenda um bom relacionamente com Espanha de onde vêm empréstimos e financiamentos. A «franqueza» a que aludiu o MNE marroquino parece ser aqui o reverso da «fraqueza» de Marrocos e a sua consequência necessária.

     Quanto ao Sahara Ocidental, o tema terá desenvolvimentos próximos nas Nações Unidas. A manter-se a posição espanhola, por mais franqueza que haja nas relações entre os dois países, poderemos ter brevemente um novo atrito entre Espanha e Marrocos. É um bom teste à tão propalada política de princípios de Zapatero. Vamos ver.






Nacionalismo "espanhol" e nacionalismos "periféricos"


     O combate está cada vez mais aceso entre o centro e a periferia, entre o nacionalismo "espanhol" e os nacionalismos históricos das franjas litorais da Península Ibérica.

     Sobre estas diferentes visões e opções, leia-se



Juan Luis Cebrián




     Hoje, na RTP 2, pelas 23 horas, Ana Sousa Dias, no programa "Por Outro Lado", entrevista Juan Luis Cebrián, a propósito do seu livro "Francomoribundia", que trata o período histórico compreendido entre a morte de Franco e o Golpe de Estado de 1981.

     Segundo este escritor, jornalista e responsável por diversos órgãos de comunicação social em Espanha, os anos de 1975 a 1981 "fueron los de la Transición, en los que una dictadura se convirtió en un régimen democrático, pagando un enorme precio, en sacrifico y renuncia de muchas personas. No obstante, la Transición fue poco épica, porque la hicieron los propios franquistas reconvertidos. Las cosas se hicieron como pudimos, con una salvación: teníamos claro que no queríamos repetir ni una guerra civil ni una dictadura".

     Num momento em que passam 30 anos do 25 de Abril, tem todo o interesse comparar o que aconteceu em Portugal com o que se fez e se evitou fazer em Espanha. Talvez isso permita compreender a distância que separa hoje os dois países quando em algumas coisas nunca estiveram tão próximos...



Ataque a la Brigada Plus Ultra y a Zapatero


     No obstante el anuncio de la retirada inmediata de las tropas españolas en Irak, la brigada Plus Ultra fue atacada dos veces en Diwaniya en los últimos dos días.

     Hoy en el periódico ABC, Aznar ataca con dureza la decisión de Zapatero en un artículo titulado "Desestimiento irresponsable".

     Aznar dice que la decisión de retirar las tropas es legítima, pero también "una grave irresponsabilidad" y afirmó: "Muchos españoles nos sentimos avergonzados por la retirada de nuestras tropas. Y muchos más estamos preocupados por las consecuencias que va a tener para la seguridad de todos y para la defensa de nuestras libertades frente al terrorismo".

     Léase el artículo completo pulsando aquí.



26 de Abril de 1500


Olivença, Frei Henrique de Coimbra
e a Primeira Missa no Brasil



A primeira missa no Brasil, acrílico s/ tela, Paula Rego, 1993.


«Ao domingo de Pascoela pela manhã, (26 de Abril de 1500), determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.
Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho.
Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção. (...)
Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta
».

(Carta de Pero Vaz de Caminha)

Ver o artigo completo aqui.


domingo, abril 25, 2004

Premonitório


     1971. Jorge Dias, um dos maiores etnólogos e antropólogos portugueses do sécul XX - que viveu em Espanha entre 1944 e 1947 e trabalhou no Centro de Estudos de Etnografia Peninsular, associado ao Instituto de Antropologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto -, publica um interessante trabalho intitulado "Estudos do Carácter Nacional Português". A primeira parte, intitulada "Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa", foi redigida em 1950. A segunda parte, que nos interessa aqui, intitulada "O Carácter Nacional Português na Presente Conjuntura", foi redigida em 1968.

     Morreu poucos anos depois, em 1973. Mal poderia imaginar o que se passou em Portugal nos anos que se seguiram à publicação daquele precioso opúsculo.

     Mas o seu texto, de uma invejável clarividência quanto às transformações sociológicas que em profundidade se começavam a esboçar em Portugal, tem um carácter absolutamente premonitório. O Golpe Militar do 25 de Abril e as bruscas transformações que lhe sucederam, apenas anteciparam as mudanças que inevitavelmente se haveriam de produzir, gerando talvez a mais rápida e mais vasta revolução de toda a História de Portugal, entendendo-se aqui revolução tal como os historiadores a entendem, como um conjunto de amplas transformações estruturais, no âmbito económico, social, cultural, político e mental.

     Sem entrar na politiqueira querela revolucionário-evolucionista do momento, nem tecer quaisquer considerações sobre o que se passou em Portugal em 1974/76 e na década seguinte, aprecie-se e reflicta-se no texto de Jorge Dias. A continuidade de Portugal, no grave momento presente, não decorrerá apenas do que conseguirmos fazer nos campos da economia, das finanças ou do nosso posicionamento internacional. Depende, também, e sobretudo do que lograrmos alcançar na compreensão e na reconstrução do carácter nacional do Homem português que hoje se encontra perdido em caminhos que não são os seus e desorientado por uma grave amnésia que o fez perder a sua identidade e o seu lugar no mundo. Leia-se a mensagem de Jorge Dias:

Estou crente que os factores basilares da permanência do carácter nacional estão seriamente ameaçados. Já disse que é a educação familiar e as inter-relações sociais que contribuem para que se mantenham os ideais básicos de um povo. Ora, a família patriarcal multifuncional vai sendo cada vez mais ràpidamente substituída pela família conjugal e em certos casos exclusivamente pela família de procriação. As sociedades de raiz comunitária, onde as inter-relações tinham o carácter de laços de família, estão a afrouxar de dia para dia e a serem substituídas por comunidades constituídas por famílias nucleares independentes. O apego à terra, como raiz e base do sustento da família, está a perder-se pela desigualdade de rendimento que obtém o que trabalha a terra, comparado com o emprego na indústria, sobretudo na indústria de certos países estrangeiros.

A difusão de novas concepções de vida ou perda das antigas, sem substituição por nada de concreto e claro, sobretudo nas gerações mais novas, é um facto.

O dinheiro ganho fàcilmente, e a valorização que ele dá, é um elemento de desintegração. O cinema mostra como se rouba, como se assalta e como se mata quase impunemente, quando não sucede heroizar o criminoso. Desta maneira, surgem e multiplicam-se crimes que antigamente não existiam ou eram muito raros entre nós.

A brandura dos costumes e o temperamento cordial do nosso povo vão sendo substituídos por dureza e grosseria.

Tudo isto mostra que se nós quisermos preservar algumas das feições do nosso carácter nacional que se podiam considerar humanamente superiores, pela sua capacidade de compreensão e calor humano, embora sendo homens da nossa época e procurando desenvolver o nosso nível de vida de acordo com as necessidades reais e com aquelas que surgem do confronto com outros povos, temos de estruturar planos de educação que vão de encontro às transformações que o futuro nos vai necessàriamente impor. Não creio que se possa evitar uma mudança radical em muitos aspectos da nossa cultura.

À primeira vista, e excluindo o aumento de crimes, o êxodo rural e certos movimentos da juventude, parece estar tudo na mesma. Porém, percorrendo as aldeias, falando com os trabalhadores rurais e com os operários, conversando com os jovens universitários da nova vaga, conhecendo alguns emigrados em diferentes países, ficamos com a impressão de que a transformação é enorme. Não se nota, porque todos os quadros detentores do mando e orientadores da vida social estão nas mãos das gerações mais velhas, formadas dentro dos moldes tradicionais da cultura portuguesa. Mas o que será daqui a vinte anos, quando esta geração for substituída pela outra, que se formou, se não no todo, pelo menos em parte, num ambiente espiritual diferente? Será possível que se mantenha então o nosso carácter nacional? Duvido, e proponho que se estudem a sério os vários problemas aqui apresentados e possivelmente outros. Deviam ser estudados muito objectivamente, sem preconceitos, com o só intuito de ajudar a inevitável transformação das gerações futuras, sem a perda de tudo aquilo que, dentro da nossa cultura, pode ter um valor humano universalmente superior e digno de ser preservado para bem dos Portugueses futuros e para bem dos homens. Aquilo que até agora foi produto de uma evolução natural, mantido de pais a filhos, tem de ser substituído por mecanismos sociais estruturados em bases inteligentes e com uma larga visão do futuro. Convém encarar o mais cedo possível o inevitável e orientá-lo de acordo com os interesses dos Portugueses de amanhã.




O 25 de Abril em Olivença


     O 25 de Abril ainda não chegou a Olivença.

     Mas à nossa caixa do correio, chegou esta mensagem de um auto-proclamado Colectivo por Olivença, que desconhecemos se é composto por oliventinos:

Também para Olivença,

25 de Abril!


Em 25 de Abril de 1974, há trinta anos, Portugal pôs fim a um regime autocrático e orientou-se para a democratização, a descolonização e o desenvolvimento.

O Estado português, participa plenamente na Comunidade Internacional, desenvolvendo relações solidárias com todos os povos e, nomeadamente, com os demais Estados da CPLP.

Transmitida a administração de Macau para a China e alcançada a independência de Timor-Lorosae, está encerrado um ciclo histórico: Portugal não coloniza nem tutela quaisquer territórios ou povos.

Agora, serena e firmemente, levemos por diante o resgate cultural e político de Olivença!

Denunciando os duzentos anos de domínio colonial espanhol, refaçamos e aprofundemos a ligação com Olivença e com os oliventinos!

Reencontremos Olivença!

25-04-2004

Colectivo pró-Olivença



Revolução, Evolução ou regresso ao passado?


     Enquanto acirradamente se debatia na Assembleia da República se o 25 de Abril foi uma Revolução ou uma Evolução, eis que alguém, Paulo Morais, com alguma perspicácia e espírito crítico, no Diário de Notícias repara que afinal nem Revolução nem Evolução: estamos na mesma, num novo velho Estado Novo.

     Afinal Democracia é também poder pensar, falar e escrever de modo diferente, mesmo quando alguns democratas julgam ter o privilégio exclusivo de saber analisar a história e o monopólio do direito de impor aos outros a sua opinião...

O novo Estado Novo


Vivemos o início da Primavera de 1974. Setenta e quatro? Digo 2004. São tempos estranhos e pantanosos. O País não tem estratégia. O poder económico pertence a meia dúzia de famílias que, indirectamente, controlam os principais grupos de poder político. Os órgãos de comunicação social são meras correias de transmissão dos diversos tipos de corporativismo.

Como todos os regimes de génese totalitária, este tem os seus apaniguados: como nos tempos de má memória, há hoje uma televisão do regime, que vive da corte e para a corte lisboeta; temos também a rádio do regime, qual Emissora (maçadora) Nacional dos anos 60; mas há ainda o banco do regime ou as obras faraónicas do regime, como a Ota ou os estádios do Euro, dignas sucessoras desse elefante-branco que foi o porto de Sines. Os ícones que simbolizam o regime não acabam por aqui; há pregadores de serviço, catedráticos de encomenda, eminências pardas a cada esquina. Não falta sequer um megaescândalo sexual, envolvendo poderosos e pedófilos, sucedâneo a cores dos ballets rose dos anos 60.

Os órgãos representativos dum Estado que não serve, mas se serve do País, têm por missão a manutenção do status quo e garantem a cosmética do sistema. O Presidente da República pouco mais faz do que cortar fitas, atribuir comendas ou proferir discursos; o Parlamento transformou-se em câmara representativa de partidos tomados pelas corporações; os dirigentes locais são, na sua maioria, escolhidos pelos directórios partidários. Os partidos, quais pequenas uniões nacionais, institucionalizaram o estado corporativo com que Salazar havia sonhado.

Sempre que no pântano alguma voz crítica se exprime, agitando as águas fétidas, logo aparecem as habituais brigadas do reumático, quais velhos do Restelo da modernidade, em defesa da manutenção do imobilismo geral; juntam-se agora a estes as novas brigadas, as da mão fria (fim de tarde de copo na mão!). Se necessário, à imagem de Salazar, acusam os críticos de radicalismo, de terem eventualmente razão no conteúdo da denúncia, mas jamais na forma de a exprimir. Em desespero, lançam até o anátema de antipatriotismo sobre aqueles que não pactuem com os símbolos deste regime decrépito.

Os portugueses, todos nós enfim coitados, vamos modestamente trabalhando. Para quê? Para que no final de cada mês o fisco nos possa extorquir os impostos necessários para sustentar um aparelho de Estado imperial. Distraem-nos com futebol e fado, para que não tomemos consciência colectiva da dura realidade deste povo, condenado a suportar com o suor do seu trabalho uma corte que, na capital do império, se alimenta da intriga, distribui as habituais prebendas pelos seus protegidos e impede o progresso do País.

É claro que as consequências, em termos de desenvolvimento e qualidade de vida, não podem deixar de fazer-se sentir; apesar da pouca fiabilidade das estatísticas, conseguimos, contudo, concluir que somos o mais atrasado país da Europa, com os piores indicadores em termos de saúde e educação.

Trinta anos volvidos, os portugueses, na senda desse crónico sebastianismo, continuam à espera de um novo regime. Já perceberam que esta república de Abril mais não é do que um novo_ velho Estado Novo.





Um dia aziago


     Num dia como hoje, 25 de Abril de 1775, nascia em Aranjuez D.ª Carlota Joaquina de Bourbon, filha primogénita do rei Carlos IV de Espanha e de sua mulher D.ª Maria Luísa Teresa de Bourbon.



     Tendo casado com o Infante D. João, futuro herdeiro da coroa portuguesa por morte do seu irmão primogénito, veio a tornar-se Rainha de Portugal, talvez a mais pérfida e de pior fama de quantas rainhas esta monarquia teve, só comparável a D.ª Leonor Teles.

     Tanto durante a regência do marido como já depois de ser aclamado como Rei D. João VI, D.ª Carlota Joaquina viveu em permenente intriga contra o esposo, contra quem incessantemente conspirou, em Lisboa nos primeiros tempos, depois no Rio de Janeiro quando a Corte se transferiu para o Brasil, e mais uma vez em Portugal quando, após a Revolução de 1820, a Família Real regressou à Europa.

     Ora quis dominar o marido, ora pretendeu arrebatar-lhe a coroa, ora aspirou a formar no sul do Brasil um reino espanhol onde reinasse, ora de regresso a Portugal conspirou contra a revolução liberal e contra a Constituição de 1822 incitando o filho D. Miguel à revolta absolutista; sempre amesquinhando o Rei, perturbando a ordem do Reino e causando escândalo na sociedade portuguesa d'aquém e d'além mar.

     Vivendo quase sempre separada do marido, granjeou a má fama das mulheres de costumes fáceis. Além do estigma de pertencer à Casa de Bourbon, conseguiu combinar em si quase todos os defeitos que uma mulher pode ter...

     Foi durante o tempo em que o seu infeliz esposo reinou que a Espanha nos esbulhou de Olivença, que França e Espanha congeminaram e assinaram o Tratado de Fontainebleau para dividirem entre si Portugal e que as tropas franco-espanholas invadiram Portugal nas chamadas Invasões Francesas.

     Negros anos para Portugal esses em que viveu. Fatídico dia em que tal pérfida mulher nasceu.



La revolución de los claveles


     Visiones humorísticas de la revolución portuguesa de 25 abril de 1974 en la España franquista:


Triunfo, Madrid, 18 de mayo de 1974




Luchas Obreras, 19 de mayo de 1974






sábado, abril 24, 2004

Troca de mimos entre Portugal e Espanha...


     Durão Barroso, que pelas funções que exerceu no Ministério dos Negócios Estrangeiros deveria ter aprendido a morigerar os seus impulsos mais revolucionários e irreflectidos da sua juventude abrilina e que como Primeiro-Ministro tinha o dever de saber medir o alcance das suas palavras, transformou as declarações que fez em relação à retirada das tropas espanholas do Iraque num pretexto para picardias entre Portugal e Espanha.

     Em lugar de escancarar a bocarra e proferir alarvidades diplomáticas, deveria ter posto em marcha uma hábil acção diplomática que permitisse a Portugal extrair alguma vantagem da alteração da política externa espanhola. Mas isso exigia coragem que parece não ter, arrojo político que está muito longe de uma postura de estadista que não possuiu e inteligência que não tem evidenciado na sua já longa vida política que se notabiliza mais pelo baixo jogo dos bastidores partidários do que pela elevação de ideias, projectos e realizações de grande projecção nacional.

     Os resultados da sua inabilidade para tratar deste magno assunto estão à vista de todos. Primeiro foi o achincalhamento que já se esperava vir de Espanha, com o Ministro da Defesa a ridicularizar a presença portuguesa no Iraque.

     A seguir veio Emilio Perez Touriño, dirigente do PSOE da Galiza que, comentando as declarações do Primeiro-Ministro português, afirmou: «Lamento profundamente as palavras de Durão Barroso. Não são as palavras certas e não vão na melhor das direcções no necessário respeito entre
países».

     Agora vem o coordenador do CDS/PP para as questões de Defesa, João Rebelo, criticar do ministro espanhol José Bono, que minimizou a participação de Portugal no Iraque, recomendando-lhe «que se informe antes de tecer considerações sobre outros países», depois de o responsável espanhol pela pasta da defesa ter afirmado que Portugal «apenas tem três militares no Iraque»...

     Com a oposição, especialmente o PS, a fazer da questão do Iraque uma vergonhosa guerrilha partidária e a pôr-se ao lado de Zapatero e do PSOE, teremos de ser levados a concluir que quanto a este assunto também não temos uma política externa de Estado mas apenas uma mera política externa de governo... com a agravante de, mais ou menos publicamente, umas vezes cá outras no estrangeiro, até o próprio Presidente da República vituperar a participação portuguesa na coligação internacional...



Política Externa de Estado ou de Governo?


     Se há domínios onde os interesses permanentes do Estado e as visões estratégicas dos países se manifestam é sem dúvida na política externa, onde a complexidade dos interesses, a multiplicidade dos intervenientes e a inércias dos aparelhos políticos e diplomáticos exigem posições duradouras e impõem orientações de grande solidez e perenidade.

     As ambições desmedidas são geralmente inimigas do bom senso, adversas das decisões ponderadas e contrárias às opções mais acertosas. Isso aconteceu claramente com Aznar.

     A sua obsessão em colocar a Espanha a par das grandes potências europeias, em relação a quem, apesar dos grandes progressos dos últimos tempos, Madrid ainda se encontra demasiado longe, levaram o seu governo a furtar-se aos grandes consensos nacionais que a política externa requer e a enveredar por caminhos que romperam drasticamente com tradições e directrizes de muitas décadas. A essa cegueira não foi totalmente alheia, antes pelo contrário, a estratégia que Madrid tinha relativamente a Portugal, ao pretender anular-nos internacionalmente e tornar-se o único interlocutor que os EUA teriam na Península Ibérica.

     A mudança de governo em Espanha veio revelar algumas das inconsistências da política externa espanhola. O periódico La Razón, a propósito da decisão de Zapatero sobre o Iraque, denunciou com muita acutilância esta realidade, chegando mesmo a zurzir em Aznar que durante tantos anos glorificou, e acabando por criticar a falta de uma política externa de Estado:

«Si es fácil bucear en los motivos de Rodríguez Zapatero, no lo es tanto a la hora de intentar penetrar en la consecuencias que puede tener para nosotros la ruptura de un acuerdo de alianza con los Estados Unidos y Gran Bretaña; y con el resto de los países que se habían comprometido en la transición iraquí. En cualquier caso, como primera conclusión, España como nación ha vuelto a demostrar ante el mundo que no tiene una política exterior de Estado: muy al contrario, depende de los cambios de Gobierno.Y aquí la crítica se debe hacerse extensiva tanto al actual presidente socialista como a su antecesor, José María Aznar, que se fotografió en las Azores sin haber obtenido el mínimo consenso con la oposición, aunque le respaldara una amplia mayoría absoluta».

     Aproveitar esta situação para retirar benefícios internacionais é uma oportunidade que Portugal não pode desperdiçar. Infelizmente a miserável situação interna em que vivemos, a falta de um Projecto Nacional próprio que nos liberte das construções mentais e institucionais alheias em que a classe dirigente vem acreditando e nas quais nos vem tragicamente metendo, bem como a debelidade em que se encontra o nosso aparelho diplomático não auguram grandes sucessos para o nosso País que lentamente se vai afundando em quase todos os domínios da vida colectiva, desde a economia até à política, passando pelos superiores níveis da ética e da moral...


sexta-feira, abril 23, 2004

Lá e cá, o triste espectáculo da política


     Apesar das diferenças e das distâncias que separam os dois países peninsulares, Portugueses e Espanhóis estamos em muitos aspectos perfeitamente irmanados. Um deles é o triste ou ridículo espectáculo com que certos políticos e ministros de Espanha e Portugal escandalizam ou alegram até às gargalhadas o observador da palhaçada em que se tem transformado o exercício do poder nos últimos tempos, não só neste extremo da Europa mas infelizmente um pouco por todas as paragens deste mundo.

     Lá, o caso mais espantoso foi a tomada de posse o Ministro da Defesa, José Bono, que parecendo uma festa de baptismo, para além de sacerdotes, bispos e núncios, incluiu cantores e artistas folclóricos.

     Além da festarola, que decorre após os graves atentados de Madrid e a problemática retirada espanhola do Iraque, causou ainda algum escândalo a substituição do director dos serviços secretos espanhóis, CNI, por um personagem que além de, à boa maneira espanhola, nem sequer saber falar línguas estrangeiras, apenas tem no seu currículo o facto de ter sido Conselheiro de Indústria e Emprego do Governo de Castilla-La Mancha... Para dirigir uma instituição de espionagem, o perfil parece perfeito...

     Lá como cá é um "vê se te avias" em matéria de "jobs for the boys". Zapatero está mesmo muito semelhante a Guterres... Vamos continuar atentos a ver...

     Uma quase hilariante descrição destes factos pode ler-se no artigo de José Oneto, "El 'espectáculo' de José Bono"


Portugal vende mais alta tecnologia que Espanha


     Um estudo da Direcção de Investigação da Comissão Europeia, recentemente divulgado, revela que, em percentagem de exportações, Portugal vendeu em 2001 mais alta tecnologia ao estrangeiro do que a Espanha ou a Grécia. De acordo com este documento, nesse ano 6.8 por cento das exportações nacionais eram de alta tecnologia, enquanto em Espanha esse indicador era de 6.1 e na Grécia de 5.5 por cento.

    Ler o resto do artigo aqui.


Património Imaterial Galaico-português


     A Associação Cultural e Pedagógica "Ponte...nas Ondas", que inclui cerca de 80 escolas do Norte de Portugal e da Galiza, pretende apresentar uma candidatura à UNESCO com o objectivo de obter a classificação do património imaterial galaico-português, nomeadamente, das festas e romarias, saberes tradicionais, danças e cantares, ofícios e tradições ligadas à terra dos povos galego e português.

     Segundo o presidente daquela associação, Santi Veloso, a ideia é "ter uma cultura comum, vinculada ao ciclo agrário e da natureza, na fronteira mais antiga da Europa reconhecida em todo o mundo".

     À primeira vista parece um projecto interessante e que vai ao encontro dos anseios portugalaicos.

     Mas o facto de estarem também envolvidos na iniciativa a Comunidade de Trabalho Galiza/Norte de Portugal e Eixo Atlântico, é motivo para conter as emoções face a esta ideia e ficar de olhos abertos.

     Os propósitos espanholistas de Fraga Iribarne e da "Junta de Galicia" são bem conhecidos e muito diferentes dos que pretendem verdadeiramente uma aproximação de Portugal inteiro à Galiza lusófona e não a integração do Norte de Portugal numa euroregião castelhanizada.

     A experiência e o bom senso aconselham a desconfiar de todas as iniciativas transfronteiriças que tenham por trás Fraga Iribarne e o Governo de Madrid que terá de aprovar, juntamente com o português, a candidatura à UNESCO.

     A este propósito, lembremos que a Espanha está a dinamizar um projecto a apresentar à UNESCO para que a fronteira luso-espanhola seja classificada como património histórico da humanidade, como se os limites jurídico-políticos entre os dois Estados tivessem sido suprimidos e passassem a ser uma entidade arqueológica que Madrid quer tranformar em museu de uma Ibéria unida...

     Esperteza não lhes falta. Estultícia a quem do lado de cá se presta a colaborar nestes logros também não...

     Se têm tanto empenho e obsessão em acabar com as fronteiras, por que não o fazem com a França e com Marrocos em Ceuta e Melilla?...



quinta-feira, abril 22, 2004

22 de Abril de 1500: Achamento do Brasil


A partida de Belém foi -- como Vossa Alteza sabe, segunda-feira 9 de março. E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, a saber da ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto.

Na noite seguinte à segunda-feira amanheceu, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com a sua nau, sem haver tempo forte ou contrário para poder ser !

Fez o capitão suas diligências para o achar, em umas e outras partes. Mas... não apareceu mais !

E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha -- segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas -- os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam furabuchos.






Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!

Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças. E ao sol-posto umas seis léguas da terra, lançamos ancoras, em dezenove braças -- ancoragem limpa. Ali ficamo-nos toda aquela noite. E quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitura à terra, indo os navios pequenos diante -- por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, doze, nove braças -- até meia légua da terra, onde todos lançamos ancoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas, pouco mais ou menos.

E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro.

Então lançamos fora os batéis e esquifes. E logo vieram todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte.

Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.

Carta de Pero Vaz de Caminha





Tratado de Saragoça




     Assinado em 22 de Abril de 1529, entre D. João III e o Imperador Carlos V, pretendia solucionar a questão das Molucas, prblema que por essa altura dominou as relações entre Portugal e a Espanha. Tanto o governo português como o espanhol defendiam que as ilhas Molucas ficavam dentro do respectivo hemisfério, definido pelo meridiano de Tordesilhas. Depois de malograda a conferência de Badajoz de 11 de Abril de 1524, entre astrónomos, pilotos e sábios representantes dos dois países, dada a impossibilidade de resolver cientificamente o problema, por falta de um processo seguro para calcular a longitude, o Imperador propôs uma solução transitória: a concessão a D. João III de Portugal do direito de comércio exclusivo nos mares das Molucas pelo prazo de seis anos, mediante a soma de 40.000 ducados. Como esta proposta não solucionava os desentendimentos e discórdias que se arrastavam, Carlos V, já convencido das dificuldades de fazer comércio com as Molucas pela rota aberta por Fernão de Magalhães ou pela que partia da costa cento-americana do Pacífico, propôs um novo acordo. Foi isso que deu origem ao Tratado de Saragoça. A Espanha desistia das suas pretensões às ilhas, vendendo a Portugal todo o direito, acção, domínio, propriedade e posse ou o direito de navegar, contratar e comerciar que o Imperador e Rei de Castela tivesse e pudesse ter nas ilhas, pelo preço de 350.000 ducados de ouro, pagos em moedas correntes de ouro ou de prata. Apesar da Molucas serem portuguesas, pagámo-las para que cessassem as dúvidas e conflitos: um negócio tipicamente luso-espanhol.


Verguenza para España


El pleno del Parlamento Europeo ha votado a favor de un informe en el que recoge el análisis publicado por los trabajadores de TVE en el que "denuncian malas prácticas profesionales entre el 28 de febrero y 5 de marzo tendentes a producir una información desequilibrada, tendenciosa o manipulada, relativa a la intervención militar en Irak".

El texto aprobado destaca que "las presiones gubernativas sobre el servicio público de la TVE han dado lugar a distorsiones y ocultaciones patentes de los datos sobre la responsabilidad de los execrables actos terroristas del 11 de marzo pasado".

En este sentido, los eurodiputados señalan que aún no existe en España una autoridad independiente de control de los medios audiovisuales.

En el mismo texto se refleja que la ONG Reporteros sin Fronteras denunció "los obstáculos que encuentran los periodistas para informar sobre la ilegalización del partido Batasuna y sobre el desastre ecológico del Prestige". (Gara)


Consenso para reformar a Constituição


     O Rei de Espanha pede o mesmo consenso que existiu em 1978 para reformar actualmente a Constituição.

     Mas como poderá haver consenso se tanto o PSOE como o PP se mantêm irredutíveis, com poucas variações, na defesa de uma "España Una, Grande y Libre" (livre apenas para Castela: un cárcere para a Galiza, o País Basco e a Catalunha)?

     De qualquer modo, o rei cumpre o seu dever e defende o seu interesse. Essa Espanha unitária é a condição para ele continuar a reinar em todo o país. Com esse apelo, executa o seu poder moderador e garante o seu lugar e o da sua família.

     Até hoje, o rei tem sido o garante dessa unidade, o cimento que tem impedido a desintegração do Estado espanhol. Mas à medida que crescem os nacionalismos e se acirram os espíritos independentistas em várias regiões da Espanha, esse mesmo rei é cada vez mais visto como um inimigo da nacionalidades históricas que aspiram à autedeterminação e um obstáculo à evolução do modelo de organização do Estado. Não espanha, que apesar do folclore que rodeia o casamento real de Letizia e Felipe, os adversários da monarquia sejam cada vez mais e mais fortes, mesmo que quase toda a comunicação social esconda as suas iniciativas e apague as suas afirmações públicas.

     O editorial de hoje do ABC, sobre o incidente da ERC a propósito da intervenção de Juan Carlos na abertura da nova legislatura é bem eloquente do conflito que se joga em Espanha entre a Monarquia e a República, entre o centaralismo imperialista de Castela e a aspiração à liberdade dos povos oprimidos da Espanha. Este periódico representa fielmente esta tendência monárquica e centralista da velha Espanha imperial...


Bienvenue


     Hoje tivemos a honrosa visita do "Ministère de l'Économie, des Finances et de l'Industrie" da França.

     Não sei se aqui chegaram por mero acaso, em busca de informação sobre o MIBEL e sobre o "Ministro espanhol da Economia Portuguesa". Só podemos dizer que são dois excelentes modelos de aprendizagem, dois exemplos eloquentes do que não se deve fazer....

     De qualquer modo, Bienvenue.



¿País de locos?


     20 de abril de 2004: El Tribunal Constitucional rechaza el recurso del Gobierno Aznar contra el Plan Ibarretxe. La propuesta de Nuevo estatuto Político puede seguir su tramitación con normalidad en el Parlamento de Gasteiz.

     21 de abril de 2004: El Ministro de Justicia, del nuevo gobierno de Zapatero, Juan Fernando López Aguilar, negó cualquier posibilidad de que el Plan Ibarretxe salga adelante porque, a su juicio, su contenido es inconstitucional.

     ¿Estamos en un país de locos?






quarta-feira, abril 21, 2004

Ameaça às línguas minoritárias da Península Ibérica


      A dinâmica histórica das últimas décadas, mas sobretudo uma política deliberada do Estado espanhol estão a pôr em perigo as línguas minoritárias da Península Ibérica.

      O "UNESCO Red Book of Endangered Languages" permite estudar esta preocupante realidade.




O catalão e o maltês na União Europeia

     Embora não esteja directamente relacionado com a temática deste blogue, pode ser exemplificador dalgumas cousas que se passam com as línguas do Reino da Espanha no contexto eropeu.

El maltès, llengua símbol


     El pròxim dia 1 de maig, juntament amb altres 9 estats europeus, Malta, el petit estat insular al sud de Sicília, davant la costa oriental de Tunísia, entrarà de ple dret dins la Unió Europea. Malta és per a molts de reivindicadors dels drets polítics de les Balears un mite. Molt més petit (316 km2) i amb menys població (360.000 persones, aproximadament) que el nostre arxipèlag, és posat sovint com a exemple de la possibilitat de la independència per a qualsevol comunitat que s'ho plantegi, per petita que sigui (...), vull, però, desmitificar un aspecte de la independència maltesa amb el qual tenim un cert paral·lelisme: la cooficialitat de llengües.



     Com a les Illes Balears, a Malta hi ha dues llengües oficials: la pròpia del país i una d'estrangera. Això ja d'entrada pareix una anomalia: si a casa nostra l'oficialitat d'una llengua estrangera (la castellana) és justificada perquè «és la llengua comuna de tot l'estat» per mandat de la Constitució espanyola, a Malta la llengua del país, el maltès, ja fa aquesta funció de «llengua comuna de tot l'estat», perquè el maltès és parlat a tot l'estat. Aleshores, per què necessita l'estat una altra llengua oficial? No té explicació racional.

     Al llarg de la història Malta ha estat segles i segles subordinat a potències estrangeres, (...) a Sicília, lligada a la Corona d'Aragó (...). Però el 1814, pel tractat de París, Malta va passar a ser de dominació anglesa, la qual cosa va representar que també l'anglès s'introduís a l'illa (...). Quan finalment Malta va aconseguir la independència el 1964 l'anglès ja era una llengua coneguda de tota la població, estudiada a escola i usada per les institucions. Els maltesos independents preferiren mantenir la situació que no canviar-la a favor de la seva pròpia llengua, així que consagraren maltès i anglès com a llengües oficials.



     La llengua maltesa és originalment un dialecte àrab de procedència magribina, implantat en aquestes illes a partir de 870 (...), si bé a finals del segle XI es sotmeteren a la sobirania dels normands que s'havien apoderat de la veïna Sicília. A poc a poc Malta es va cristianitzar i la llengua maltesa sofrí molta d'influència romànica (...), fins al punt que s'adoptà l'alfabet llatí per escriure-la. (...)

     Dins la història de la Malta arabitzada la seva llengua popular ha tengut un paper marginal a partir del seu sotmetiment a un poder estranger. (...) Tot i que teòricament maltès i anglès són avui en dia cooficials a les illes, i que la Constitució estableix que el maltès és la «llengua nacional» i la llengua usada per la Justícia, la vertadera llengua de presència social absolutament dominant és l'anglès. Hi ha una situació diglòssica estable semblant a la que tenim a les Balears: la «llengua nacional» (aquí se'n diu «llengua pròpia») és parlada amb naturalitat per tothom (hi ha molt poca immigració), s'ensenya a escola juntament amb l'anglès, s'usa molt majoritàriament a l'Església, és usada normalment als debats parlamentaris, té presència als mitjans de difusió audiovisuals (no al cine) i impresos (en què preval damunt l'anglès)... però té molt poca -poquíssima- presència escrita al carrer, absolutament dominat per l'anglès (excepte a les plaques dels noms, en maltès, com a casa nostra en català); fins i tot els rètols institucionals i les indicacions de trànsit són en anglès. Si no escoltes les converses dels autòctons (que sonen a àrab), diries que ets a un país anglòfon qualsevol: cap rètol en maltès a les botigues, cap carta de restaurant en maltès, els bitllets d'autobús en anglès, qualsevol avís públic en anglès... Només qualque placa governativa a determinats edificis o monuments està escrita en maltès. De fet, ben mirat, hi ha més presència pública escrita del català a les Balears que no del maltès a Malta.



     Una recent «Llei de la llengua maltesa», presentada el novembre de 2003, pretén promoure'n l'ús i protegir-la de la «deterioració i la perdició», sense, però, impedir que l'anglès mantengui la seva omnipresència. És una situació paradoxal i contradictòria: un petit estat independent amb un clar senyal d'identitat que el singularitza atorga a la llengua més globalitzadora del món l'estatus de «cooficialitat», amb la qual cosa la seva llengua nacional queda de fet relegada a un paper secundari, que ara serà revalorat amb la consideració de llengua oficial de la Unió Europea. El maltès serà el símbol de la Malta independent, però l'anglès en serà la vertadera llengua útil. Mentrestant, el català, parlat per una població vint vegades més nombrosa i amb molta més presència social, continuarà ignorat per Europa, si no és que -finalment- el nou context polític espanyol força el reconeixement de la nostra llengua. Ja ho veurem! En qualsevol cas queda ben clar que la independència és el camí més efectiu perquè el món et reconegui qualssevulla drets, fins i tot aquells que a casa teva a penes exerceixes.



Jaume Corbera Pou, professor da Universitat de les Illes Balears (UIB)

Sin argumentos, no es plan

     El Tribunal Constitucional ha dado con un canto en los dientes a los detractores acérrimos del Plan Ibarretxe al desestimar el recurso de inconstitucionalidad presentado por el Gobierno español (entonces, aún integrado por el PP). Las hordas nacionalistas españolas no han tardado en salir al paso de la decisión para atacar tanto al TC como al Plan, a los nacionalistas, al PSOE y a todo aquel que se mueva de la línea sutilmente marcada de lo españolísimamente correcto. Por ejemplo, ayer noche era Carlos Mendo (amigote del Manuel Fraga más reaccionario de la 'democracia') en la Cadena SER quién despotricaba contra la propuesta del Gobierno Vasco de negociar todos y cada uno de los artículos del Plan, acusándolo de "chantaje", a pesar de que el periodista y filósofo Josep Ramoneda (poco sospechoso de otro nacionalismo que no sea el español) le dijo por activa y por pasiva que eso "no es así, Carlos".



     Cuando no se tiene más argumento que el insulto y la descalificación gratuita es, dicen los que saben, buena señal. Parafraseando a Don Quijote, "¿rebuznan? ¡señal de que cabalgamos!". Descalificación gratuita es afirmar que el Plan Ibarretxe es independentista: mentira, mentira y mentira. El Plan Ibarretxe es soberanista, que es una cosa bastante diferente. Demandar la soberania para el pueblo vasco (legalmente le pertenece al "pueblo español") no es sinónimo de pedir la independencia, de la misma forma que exigir el derecho de autodeterminación no es sinónimo de ejercerlo.

     Decían algunos que ahora con el PSOE habría un nuevo talante... Desde luego ese nuevo talante no lo van a traer exaltados como Rodríguez Ibarra o José Bono. Ese nuevo talante nos lo deberían traer los federalistas del PSOE. Y en lo que respecta a los medios de comunicación, hay una diferencia abismal entre los Jiménez Losantos y los Javier Ortiz (ambos columnistas de El Mundo). A propósito de todo esto, recomiendo encarecidamente la lectura de dos artículos que hace ya unos meses escribió Ortiz en El Mundo: La imposición de Ibarretxe (noviembre 2003) y De lo bueno y de lo malo. Con gente así, ¡otro gallo cantaría!

Como se destrói a economia nacional


     Fazem-se grandes elucubrações sobre a produtividade, grandes discursos sobre a estrutura produtiva, grandes palestras sobre inovação e desenvolvimento, e depois há pequenas coisas, aparentemente insignificantes, que só por si, mesmo que tudo o resto funcionasse bem, são suficientes para destruir a economia nacional, pela conveniência de comprar no esrangeiro, designadamente em Espanha, por meras questões de taxas de IVA, de cobrança do IVA nas transações internacionais ou da eficiência da máquina fiscal na devolução do IVA...

     IVA. O Que É Nacional É Bom? é um excelente artigo por onde se pode ver como por uma mera questão fiscal se podem arrasar as empresas portuguesas e beneficiar as empresas espanholas ou afastar o investimento estrangeiro...

     Esta tragédia está a acontecer num País em que os detentores do poder, ao mesmo tempo que por estultícia ou por conveniências grupais vão alienando as funções fundamentais do Estado se revelam incapazes de realizar a reforma do aparelho estatal sem a qual continuaremos a afundar-nos no lodaçal da ineficiência e da burocracia...

     Ou seja, ao mesmo tempo que entregam ao privados o que deveria manter-se público, demitem-se da sua função de pôr a funcionar o que é público e não querem ou não podem alienar aos privados...


Os centros de decisão e os centros de competência


     A 17 de Março, há um mês, no texto Coroa de glória, escrito a propósito do encerramento da Bombardier, fizemos a seguinte declaração, na linha de outras já aqui expostas anteriormente:

     «O encerramento de mais esta empresa é uma coroa de glória para os autores das privatizações sem sentido estratégico, para os arautos do neo-ultraliberalismo reinante e para os iluminados que defendem que Portugal não precisa de manter os seus centros de decisão desde que aqui fiquem os centros de competência... Viu-se, neste como noutros casos, o clamoroso desacerto de tais pobres de espírito...».

     Com grande satisfação, vemos agora o brilhantíssimo Nicolau Santos a corroborar a nossa modesta opinião, prosseguindo o seu acertoso pensamento já publicado várias vezes nos últimos anos. Mas Nicolau Santos vai mais longe, ao defender, como no nosso "Manifesto por um Portugal Livre e Independente" que o Estado, pondo de lado certas teorias ultrapassadas do século XVIII e agora mal reaprendidas por uns estudantes de pacotilha que por aí pululam, saiba manter na economia as responsabilidades que as especificidades de um País como Portugal lhe impõem se tem a aspiração de se manter como um ente soberano. Aqui fica, uma vez mais, toda a nossa reverência para uma das poucas pessoas lúcidas deste País em situação de Evolução putrescente, que cada vez mais carece de uma verdadeira Revolução regeneradora..., de uma nova Restauração...

Os centros de decisão


O encerramento da Bombardier, lançando no desemprego 400 trabalhadores e levando ao desaparecimento de um centro de competências na fabricação de carruagens em aço inox com mais de 70 anos, é motivo mais que suficiente para voltar a debater a questão dos centros de decisão.

Há quem sustente que deve ser unicamente o mercado a decidir as empresas que vivem e as que morrem.E há quem sustente que não pode ser assim, sobretudo em alguns sectores, que tem não só a ver com certas formas de soberania do país, como são empresas que criam trabalho altamente qualificado e têm implicações sobre outros ramos da economia.

Um exemplo prático: Portugal pode correr o risco de que a sua única petrolífera venha a ser controlada por estrangeiros? Não é só uma questão do país depender de reservas estratégicas para o seu abastecimento em caso de conflito grave, que hoje em dia é um cenário admissível; são também outras actividades a jusante que dependem de produtos fabricados pela Galp e que, se deixarem de ser produzidos, são inviabilizadas – a fábrica de Estarreja, a produção de adubos químicos, etc.

Outro exemplo: a concretizada venda da Soponata e a da Sacor Marítima, já anunciada, deixa Portugal sem meios de transporte de ramas petrolíferas, o que não acontece desde a II Guerra. É indiferente? Não, não é. E à primeira crise petrolífera vamos sentir isso na pele.

A captação e tratamento de águas, a produção e distribuição de electricidade, o gás natural, a banca (através da Caixa Geral de Depósitos), a televisão, o sector do papel, as telecomunicações são exemplos de áreas onde o Estado deve ter uma presença para poder ter uma palavra determinante no caso de estarem em jogo os interesses nacionais.

A Sonae ou a Caixa Geral de Depósitos são centros de decisão nacional, com sede no país e controlados por um cidadão português ou pelo Estado. A Siemens ou a Bosch/Vulcano são centros de competências, geridos por portugueses, dando emprego altamente qualificado a muitos técnicos nacionais – mas o centro de decisão está na Alemanha. E a diferença entre os dois é que se torna mais fácil fechar um centro de competência em Portugal, se quem manda estiver algures sediado nos Estados Unidos, Canadá ou Japão do que se viver em Lisboa ou Porto.

Depois, é melhor que um centro de competências que esteja em Portugal pertença a uma multinacional alemã do que a uma americana. No primeiro caso, Lisboa fala directamente com a sede. No segundo, Lisboa depende de Madrid, Madrid de Itália, Itália de Londres e Londres dos Estados Unidos. A capacidade de ganhar algum projecto ou de influenciar um decisor neste segundo caso é manifestamente menor do que no primeiro.

Finalmente, os Estados devem intervir para facilitar a criação de centros de decisão e competências no país. Veja-se o caso de Espanha, em que a energia eléctrica é, por decisão política, mais barata para os grandes consumidores, dando assim uma vantagem a essas empresas em relação às suas concorrentes estrangeiras. Ou a pedagogia que José Maria Aznar fez para que os grandes bancos espanhóis se fusionassem, de forma a ficarem ao abrigo de ataques estrangeiros hostis.

É por isso que é perigosa a santa ingenuidade dos puristas do mercado. O nosso mercado é, à partida, desvantajoso em relação a Espanha, único país com que temos fronteiras, por ser quatro vezes mais pequeno e ter dois terços do poder de compra. Deixar que sejam apenas as leis da oferta e do mercado a gerir o nosso futuro, quando as regras não são as mesmas aqui ao lado, é ingenuidade – e perigosa.


Expresso
19/04/2004


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