quarta-feira, março 31, 2004

Suprema honra


     Depois da visita dos ministérios espanhóis da Justiça e dos Assuntos Exteriores, recebemos hoje a visita, nada mais nada menos, de «Washington State Department of Information Services, United States».



     Lamentamos que nenhum de nós escreva em inglês. Mas não faltará nessas bandas quem leia em castelhano e português.

     Voltem sempre. Porque da parte dos autores deste modesto "blog" podem contar com uma posição que não sendo de servilismo americanista é incondicionalmente atlantista, priveligiando nas nossas relações internacionais os EUA e o Reino Unido.


A "rendição" das tropas espanholas no estertor da agonia de Aznar


     A rendição - entenda-se substituição ou "relevo" em castelhano - das tropas espanholas no Iraque causou nos últimos dias um acirrado conflito entre o Governo de Aznar e o futuro governo de Zapatero, chegando a tocar as raias do caricato.

     O episódio foi bem revelador da postura de Aznar, uma das razões da sua desgraça recente. Mas o PSOE também não está totalmente isento de culpas no modo como geriu um assunto que está cada vez mais quente, que vai ter de ser resolvido dentro de pouco tempo pondo à prova a coerência de Zapatero e a sua habilidade para a cambalhota política, exercício que a complexa política externa espanhola tem exigido e certamente continuará a exigir.

     Embora pareça demasiado afecto ao PSOE, o editorial de hoje do El País - "Bronca hasta el final" - dá-nos uma imagem esclarecedora de Aznar e do seu Governo mesmo no estertor da agonia, quando todas as esperanças se desvaneceram e a oposição se tornou o lugar cativo dos arrogantes e convencidos.


Sem comentários



Detectados 115 pesqueiros espanhóis em águas açorianas desde Janeiro


A Inspecção Regional das Pescas (IRP) dos Açores anunciou esta terça-feira que detectou 115 pesqueiros espanhóis em actividade na Zona Económica Exclusiva (ZEE) afecta ao arquipélago, entre Janeiro e finais de Março.

Este valor correspondente a uma média de sete presenças diárias de barcos espanhóis entre as 100 as 200 milhas da costa das ilhas.

O novo regulamento comunitário de pescas prevê a abertura parcial das águas açorianas (entre as 100 e as 200 milhas) a frotas europeias, mas as autoridades regionais defendem que a entrada em vigor das novas regras só acontecerá em Agosto.

Interpretação diferente têm Bruxelas e as autoridades de Madrid, o que levou o Governo regional a recorrer aos tribunais comunitários.

Numa intervenção na Semana das Pescas, a decorrer na Horta desde segunda-feira, o director da IRP, Rogério Feio, indicou que em Janeiro foram detectados 40 barcos espanhóis nas águas açorianas, em Fevereiro 28 e no mês de Março (até ao dia 29), 47 embarcações.

Para melhor controlar a actividade de embarcações que operam em alto mar, o director da IRP propôs a instalação na Horta de um centro de controlo do Sistema de Fiscalização e Controlo das Actividades da Pescas (Sificap) e do programa de Monitorização Contínua das Actividades da Pesca (Monicap).

«Não podemos deixar, que por falta de entendimento quanto aos regulamentos comunitários, se esteja a explorar as nossas águas desta forma, sem que façamos alguma coisa», advertiu Rogério Feio.

Quando ao exercício da pesca por parte de embarcações açorianas, a IRP detectou sete infracções no primeiro trimestre deste ano, contra as 46 verificadas em todo o ano de 2003. (PNN - agencianoticias.com 30/03/2004)


Lá e cá, o aborto e o aborto ético-jurídico-constitucional


     A recente proposta do PSOE de liberalizar o aborto em Espanha até às 12 ou 14 semanas abriu um debate social que nos próximos tempos se agudizará.

     Em Portugal, onde não existem quaisquer problemas importantes para resolver, consumiram-se os últimos seis meses a debater essa questão.

     Quando o PSOE assumir as rédeas do poder em Espanha e o assunto entrar na agenda política não deixarão de se fazer sentir os seus ecos nesta faixa peninsular atlântica.

     Lá como cá propõe-se uma alteração legislativa sem cuidar de ponderar a sua constitucionalidade. No nosso caso isso dever-se-á ao desconhecimento da Constituição, das discussões que a esse respeito se travaram no Tribunal Constitucional e das declarações de voto que alguns juízes produziram em anteriores momentos, ou será apenas porque, apesar de se ter consciência da inconstitucionalidade de tais propostas, sabendo-se como é politicamente provido este tribunal, se tem plena convicção de que uma vez passada na Assembleia da República, nem que seja com 7 contra 6 votos os doutos juízes do Tribunal Constitucional - orientando-se por meras convicções pessoais ou directizes partidárias - deixarão passar uma lei liberalizadora do aborto?

     Um excelente editorial do ABC - "Otra vez el Aborto" - aborda esta questão para o caso espanhol, tocando não só na problemática juridico-constitucional mas também na dimensão ética que aqui não afloramos nesta singela remissão.


Imagen de España




El País, 31 de marzo de 2004



terça-feira, março 30, 2004

Mibel adiado


     A Espanha quis o Mibel, exigiu o Mibel, impôs o Mibel como chantagem para a entrada da EDP no capital da Hidocantábrico, e a canalha iberista de Guterres e de Barroso, reptilianamente aceitaram o que Madrid decidiu.

     Agora a mesma Espanha decidiu adiar o Mibel para Julho deste ano, contra a data inicial de Abril. O responsável do regulador do sector energético espanhol, Pedro Merono, deu uma conferência em Madrid e, claro, as suas palavras são ordens para cumprir em toda a Ibéria. Alegou o senhor que este adiamento se deve ao atraso da abertura do mercado português à concorrência. Alguém tinha dúvida de o Mibel é apenas o cavalo de tróia da Espanha para controlar o sector eléctrico português?

     O "homem" do Santander, através do seu ministério, mandou dizer que «qualquer decisão sobre o adiamento da data de arranque do Mibel terá que ser decidida pelos dois Governos de forma consensual». Fica-lhe bem dar a imagem de que ele ou o Governo português mandam alguma coisa, não se sabendo que ele e outros da camarilha não passam de moços de recados e de avençados do Governo de Madrid...



30 de marzo de 1746: Nacía Francisco de Goya y Lucientes


Goya y Godoy




Uno de los personajes más interesantes y comprometidos de la Historia de España es Manuel Godoy, alabado por unos y odiado por otros. Natural de Castuera (Badajoz), donde vio la luz en 1767, pertenecía a una familia hidalga venida a menos. Su afición por el Ejército le hizo ingresar en la Guardia de Corps a la edad de 17 años. Como cadete conocería a los entonces Príncipes de Asturias - el futuro Carlos IV y su esposa, María Luisa de Parma - que le encumbraron hasta lo más alto, llegándole a otorgar el título de Príncipe de la Paz gracias a la firma del tratado de paz con Napoleón en Amiens, totalmente perjudicial para los intereses españoles. Previamente, ya era Duque de la Alcudia y Primer Secretario del Despacho, el nombre del jefe del gobierno en aquellos momentos. Para emparentarse con la familia real se casó con la Condesa de Chinchón, prima hermana de Carlos IV, a pesar de mantener como amante oficial a doña Pepita Tudó, con quien tendría dos hijos y se casaría muy avanzado el siglo XIX, ya perdido todo su poder. A pesar del dinero, títulos y joyas que recibió, Godoy fallecería empobrecido en el exilio, en París, a la edad de 84 años. Como valido del rey, gobernaba a su gusto, teniendo el inestimable apoyo de la real pareja, especialmente el de María Luisa, con la que se insinúa que había algo más que una buena amistad. Goya retrató a Godoy en 1801, después de la llamada Guerra de las Naranjas, episodio militar ocurrido entre mayo y julio de ese año en la frontera hispano-portuguesa, denominado de esa manera por el ramo de naranjas que Godoy envió a María Luisa al tomar la ciudad de Olivenza. Las banderas que contemplamos a la izquierda fueron capturadas al enemigo el 7 de julio. Godoy viste uniforme de Capitán General y aparece sentado, aunque levemente recostado, portando en su mano derecha un pliego de papel. Gracias a este triunfo obtendrá meses después el cargo de Generalísimo de los Ejércitos; tras él, aparece su ayudante de campo, que puede ser el Conde de Zepa. El fondo está ocupado por los húsares y oficiales de caballería con sus respectivas monturas. La luz crepuscular empleada por el maestro otorga mayor fuerza a la composición, en la que destaca el gesto y la pose del protagonista, sabedor de su control absoluto sobre el destino de los españoles. Gracias a la luz, Goya ha destacado aun más a don Manuel, resultando una escena totalmente áulica. En estos años iniciales del siglo XIX, Goya posee un estilo suelto que se detiene en los detalles y en las calidades de las telas, pero sin la minuciosidad preciosista de un Vicente López. Por eso, cuando estos retratos se contemplan de cerca, las manchas de color afloran a la superficie, resultando un espectáculo inigualable. (artehistoria.com)



Como se esperaria...


     Como se esperaria, a reacção de Madrid ao reconhecimento da Federação Catalã de Patinagem pela federação internacional da modalidade foi violenta.

     A cabeça do Presidente da Federação Espanhola de Patinagem, Antonio Martra, já rolou. Seguem os procedimentos internacionais para evitar em Novembro a ratificação definitiva da decisão, mais as chantagens internas sobre a federação catalã e os desportistas que alinhem pela selecção catalã, dentro do habitual espírito "democrático" de Madrid.

     Entretanto, vai-se iniciar a participação internacional da Catalunha: em Junho no Mundial de Hockey em Linha, em Setembro no Mundial de Patinagem de Velocidade, em Outubro no Campeonato do Mundo B de Hockey em Patins e em Novembro no Mundial de Patinagem Artística.

     Em Novembro, quando na FIRS se votar a ratificação da decisão, veremos como votam os "patriotas" portugueses lá representados: de acordo com os estatutos vigentes que permitem a participação catalã ou de acordo com a vontade de Madrid? Veremos. Mas quase imaginamos o que vai acontecer, nessa altura e entretanto com o diálogo ibérico ou as imposições da Moncloa sobre São Bento...


"Mais vale tarde do que nunca"


     Finalmente, passados 20 dias dos trágicos atentados de Madrid, o Ministro do Interior de Espanha, Ángel Acebes, reconhece que não há qualquer ligação entre a ETA e o 11-M.

     As investigações policiais apontan para o "Grupo Islâmico Combatente Marroquino" como autor do massacre.

     Como diz o nosso povo: "Mais vale tarde do que nunca". Entretanto, os resultados da política deste ministro foram para o seu Governo simplesmente um desastre. Mas como a responsabilidade da estratégia foi colectiva, não se estranha que continue em destaque nas futuras estruturas do PP de Rajoy.



Golpe en la soberanía de Madrid


     Ayer la Generalitat de Catalunya anunció su determinación de no aplicar la Ley Orgánica de Calidad de la Enseñanza a la espera de que el futuro Gobierno reforme la norma o la anule.

     Hoy, la Consejera de Educación del Gobierno vasco anunció que su Departamento no aplicará la misma ley promovida por el Gobierno popular y, que, por contra, aprobará una normativa propia.

     Ahora el gobierno de Canarias se suma a Cataluña y País Vasco y paraliza la aplicación de la Ley de Calidad.

     ¿Quién manda en España? El PSOE empieza a desvelar el prometedor futuro de España.



El adiós de Aznar




El País, 30 de marzo de 2004


     "El adiós de Aznar" es tanbién el título del nuevo libro de Federico Jiménez Losantos.


segunda-feira, março 29, 2004

Para desanuviar


     Como a Espanha não se reduz a Aznar e Zapatero, e além de espanhóis também há espanholas, aqui fica a Miss Espanha 2004, acabada de ser eleita.




PSOE e PP: "todos diferentes, todos iguais"...


     Quem se iludiu com a possibilidade de a Espanha de Zapatero ficar muito diferente da Espanha de Aznar, enganou-se rotundamente.

     No essencial das matérias que digam respeito à unidade do Estado espanhol e ao imperialimo de Castela, PSOE e PP são duas almas gémeas, como são quase meio-irmãos o regime franquista e o pós-franquista...

     Na Catalunha rejubila-se pelo reconhecimento recente da Federação Catalã de Patinagem pela federação internacional da modalidade (FIRS). O Presidente da Generalitat de Catalunya, Pasqual Maragall, e o conseller "en cap", Josep Bargalló, partilharam com a CiU e a ERC a valoração positiva deste facto que permite à selecção catalã participar em competições internacionais oficiais. Agora espera-se - ou deseja-se - o reconhecimento a nível olímpico.

     O Secretário de Estado do Desporto do governo cessante, Juan Antonio Gómez-Angulo, protestou. E o Conselho Superior de Desporto espanhol (CSD) impugnará o acordo e denunciará a situação criada pela FIRS no Comité Olímpico Internacional e na Associação Internacional de Federações Desportivas. O CSD convocou para amanhã, «com carácter de urgência» o Presidente da Federação Espanola de Patinagem, após a FIRS ter reconhecido oficialmente, no sábado passado, a Federação Catalã. Juan Antonio Gómez-Angulo vai tentar impedir por todos os meios que os países membros da FIRS ratifiquem em Novembro aquela decisão que ainda tem carácter provisório.

     Na mesma linha espanholista e imperialista do PP, o "secretario de Organización" do PSOE, José Blanco, afirmou hoje que o seu partido entende que «para los intereses generales de nuestro país lo conveniente es tener una selección que represente al conjunto del Estado español». «Así ha venido ocurriendo, y así debe seguir para que esa representación sea incluyente y tratar de que los mejores deportistas puedan ser las personas que representen mejor los intereses del país, España». Em síntese: o PSOE defende uma única selecção, a espanhola, e certamente um único Estado na Península, o espanhol...

     Como se costuma dizer em Portugal, as moscas mudaram mas a "substância" e o cheiro continuam os mesmos...


Tributo ao Comandante Virgílio de Carvalho


     O Comandante Virgílio de Carvalho tem-se revelado como uma das personalidades mais clarividentes na percepção das problemáticas relações luso-espanholas e como um dos portugueses mais críticos face à desorientação continentalista, europeísta e iberista do País nas duas últimas décadas.

     Pela sua qualidade e interesse, um dos seus últimos artigos merece aqui destaque na página principal.

Portugal, Aznar e al-Qaeda



Políticos com fraca cultura histórico-estratégica, certos de que a Europa (apesar de a sua esquisita geografia ter gerado diferentes mentalidades, culturas e desenvolvimento) iria ser logo uma UE federal, desataram a invectivar os EUA, seguindo França e Alemanha que, na altura, sonhavam construir uma identidade europeia por oposição a eles. Puseram-nos assim de costas para o mar que Unamuno disse ser "o que faz Portugal", o que J.M.Aznar aproveitou para promover as mais íntimas relações com os EUA e, por tabela, também com a Inglaterra (que sempre defenderam a independência de Portugal da Espanha), para se intrometer nos nossos Comando Naval da OTAN de Oeiras e ZEE. E acabámos por cair na cauda da Europa e com a independência em risco.

Tragédia que a revista "Economia Pura" (Fev de 2004) retrata em notável artigo de Henrique Neto, para a qual vimos alertando desde há anos, com a novidade (para nós) de o governo de então ter recusado aproveitar o porto de Peniche (que,em nossa opinião, com os de Lisboa e Setúbal, e aeroporto na Ota, criaria um pólo centrífugo a ligar a um Tejo navegável que o mesmo governo recusou por insensibilidade geoeconómica), e melhorar caminho de ferro e estrada que ligam a França evitando Madrid. O que J.M. Aznar aproveitou para pôr na UE comissários seus de política externa, transportes e economia que nos forçam a ligar Sines a Madrid e Badajoz por TGV's ...

É por J.M. Aznar ser claro inimigo da independência de Portugal que qualquer governo nosso tem de procurar recuperar a confiança das potências marítimas que nos sucederam que sempre nos ajudaram a mantê-la face à Espanha, e ser pela OTAN. E manter o interesse nacional da política de equilíbrio de poderes na Região Atlântica Íbero-Africana em entendimento com Marrocos, Inglaterra e EUA. O que a intenção do PSOE de virar Madrid para a UE e a visita de Tony Blair a Lisboa podem ajudar.

Virgílio de Carvalho
professor universitário convidado

JN
22/03/2004



O azar de Aznar - breve comentário sobre as eleições espanholas.


     Muito se tem escrito e falado ultimamente em Portugal sobre Espanha. O caso, por ser pouco habitual, merece nota, mesmo sabendo-se que se prende mais com os dramáticos acontecimentos do 11-M e com as eleições e respectivos resultados, do que com qualquer alteração fundamental da postura de indiferença e/ou distanciamento que a generalidade do público português, bem ou mal, costuma adoptar para com tudo o que venha do lado do vizinho.
     Não deixa de ser curioso, contudo, que aquilo que verdadeiramente foi novidade nas eleições espanholas, aquilo que pode ter, a prazo, importantes consequências, tenha passado largamente ao lado dos comentários e das reflexões surgidas na imprensa portuguesa: não nos referimos, obviamente, à vitória do PSOE, que, mesmo não esperada, não é propriamente um facto extraordinário na política do país vizinho; também não estamos a pensar no fenómeno do terrorismo islâmico que, sendo novo em Espanha, na dimensão criminosa e nos métodos, não é uma realidade que tenha surgido agora, ou que seja um problema essencialmente espanhol; estamo-nos a lembrar, sim, de um facto muito relevante no quadro da política interna do reino vizinho e que poderá ter incidências, nos seus possíveis desenvolvimentos, em Portugal: referimo-nos aos resultados eleitorais dos partidos nacionalistas no País Basco e na Catalunha ─ as duas regiões mais ricas de Espanha ─, que consubstanciaram um enorme reforço da votação nesses partidos, tornando-os nos mais votados dessas Comunidades, deixando claro que o corpo eleitoral nessas autonomias históricas é maioritariamente nacionalista.
     As consequências da votação terão necessariamente tradução política, em sede de discussão do novo modelo do Estado espanhol, sendo de prever dificuldades acrescidas de Madrid para recusar aquilo que os povos daquelas Comunidades pretendem: mais liberdade para se auto-governarem, mais poderes para os governos autónomos, quiçá a Soberania. É cedo para prever cenários, mas é já possível afirmar que a Espanha negra, a Espanha de Felipe II, de Godoy, de Franco, de Serrano Suñer, de Aznar, a Espanha “una, grande, libre” de tão má memória para Portugal, sofreu rude derrota nas eleições de 14 de Março. São boas notícias para bascos e catalães, e também, embora noutro plano, para todos os portugueses.
     Foi o azar de Aznar…



Gibraltar: Fim da política de moeda de troca?



     Conservadores britânicos afirmam que Gibraltar não deve ser usado como moeda de troca, para a obtenção de favores da Espanha na Comunidade Europeia.

     Em resposta à carta de um eleitor residente em Gibraltar, o líder dos conservadores, Michael Howard, afirma que este tipo de política falhou, por ter deixado os gibraltinos com a sensação de terem sido abandonados pelo governo britânico. Além disso, também os espanhóis acabaram por ficar desiludidos com as negociações havidas.

     Michael Howard diz que devem ser discutidos todos os assuntos, que respeitem os interesses de gibraltinos, britânicos e espanhóis, mas sem pôr em causa a soberania do Rochedo.

     Fonte: panorama.gi

domingo, março 28, 2004

Aznar entre dois extremos


     Aznar despediu-se ontem na antiga Praça de Touros de Vista Alegre, em Madrid, em ambiente caloroso, com cerca de 17.000 participantes, que ora glorificavam o seu antigo dirigente alçando-o à categoria de «torero», ora apupavam Zapatero, o PSOE e a comunicação social que furou a manipulação da TVE e permitiu ao espanhóis conhecerem o que se estava a passar verdadeiramente entre os dias 11 e 14 de Março.

     O gesto de apoio dos militantes do PP até pode ser louvado, mas sem esquecermos que este evento comiceiro foi convocado no dia seguinte às eleições para mostrar a indignação das bases do partido convencidas de que a vitória lhes havia sido roubada trapaceiramente, e sem olvidarmos que todo o partido, dos dirigentes aos militantes, ainda não conseguiu aceitar a vontade popular, continuando com desculpas e acusações para justificar o seu insucesso nas urnas.

     Como a Pátria é a nossa política, não deixámos de, repetidas vezes, denunciar a política interna de Aznar, tendo sempre presente que a sua política externa teve como uma das suas orientações basilares a anulação internacional de Portugal e a transformação do nosso País em mais uma irredenta nacionalidade integrada na "España de mar a mar" com que sonham todos os nacionalistas espanholistas e que foi uma obsessão não escondida de Aznar, que para o efeito contou com a vil aleivosia primeiro de Guterres e depois de Barroso... Os resultados dos últimos oito anos (sem contar com os fatídicos anos de Cavaco na mesma linha iberizante) estão à vista. Só um cego os não vê, ou sendo o pior dos cegos aquele que não quer ver...

     Mas como a integridade e sentido de justiça são valores morais de que não abdicamos, nunca deixámos de reconhecer os méritos de Aznar que, apesar dos seus parcos recursos intelectuais, foi capaz de colocar a Espanha - nalguns aspectos apenas ficcionalmente, mas noutros num plano de indiscutível realismo - no ponto mais alto da sua História recente, deva-se tal mérito ao seu Governo ou à dinâmica própria do seu país que conhece um desenvolvimento brutal nos mais diversos ramos de actividade.

     Pelo seu carácter pessoal e pelo modo como exerceu o poder, Aznar estará "eternamente" condenado a ser visto e apreciado das formas mais díspares e extremas possíveis. Umas vezes como «El mejor presidente desde las Cortes de Cádiz», como estava escrito num cartaz no comício de despedida. Outras vezes como um cão tinhoso a quem todos atiram pedras ou ignoram: basta ler a imprensa espanhola das últimas semanas, ter presente a frieza com que os muitos dos seus pares o trataram em Bruxelas, reparar em certas ausências no comício e dar-se conta de que uma hora depois da festa o telejornal da TVE (até a TVE que durante anos foi uma espécie de canal privado do governo e do partido) relegava à categoría de terceira notícia política este evento do PP...

     A percepção dos dois extremos em que se encontram as diferentes visões sobre Aznar e a sua obra podem captar-se perfeitamente nos seguintes artigos: "Aznar más allá del 14-M" e "En Europa ni caso y la prensa le zarandea".




Frase del día


      «Cumplido el deber de reconocer la victoria del adversario, resulta irritante la obsesión de Aznar por seguir acusando a los demás de mentir y manipular cuando todavía no ha pedido excusas por la utilización interesada de la información que hizo su Gobierno en las horas previas a la apertura de las urnas: algo que ya casi nadie niega, en España o fuera de ella».
El País, 28 de marzo de 2004





sábado, março 27, 2004

Se constituye en Barcelona la Alianza Libre Europea


Representantes de 30 partidos políticos de toda Europa firmaron la declaración oficial que constituye a la Alianza Libre Europea como partido político europeo hoy en Barcelona. Este acto de formalización pone fin al proceso de la nueva regulación sobre el estatuto y el financiamiento de los partidos políticos europeos con el fin de promover el acercamiento entre partidos políticos progresistas que luchan por una Europa democrática de los pueblos y naciones con el fin de conseguir una representación política de regiones y naciones históricas.

El eurodiputado del BNG Camilo Nogueira reclamó que "las naciones sin Estado viven un momento decisivo para que sean reconocidos sus derechos como naciones en la Unión Europea, que debe ser concebida como un proceso histórico y no como una entidad estática. Galiza y las demás naciones no tenemos que dar por definitivo el estatus actual de la UE y continuar a luchar por la diversidad política en Europa."

Josu Ortuondo, eurodiputado del EAJ-PNV comentó que "el EAJ-PNV ha firmado como observador la constitución del partido político europeo de la Alianza Libre Europea. La próxima legislatura parlamentaria seguiremos defendiendo el reconocimiento de la pluralidad nacional de las regiones y Naciones sin Estado europeas, y la participación de las mismas en los procesos de decisión comunitarios entre otros."

La declaración de hoy está firmada por representantes de partidos políticos incluido el Bloque Nacionalista Galego, Partido Nacionalista Vasco, Esquerra Republicana de Catalunya, Eusko Alkartasuna, Chunta Aragonesista entre otros. (IzaroNews.com)



Catalunha em competições internacionais de patinagem



     A Federação Internacional de Patinagem (FIRS) reconheceu à Catalunha o direito de a sua selecção competir a nível internacional.

     Com este acordo, a selecção catalã de hoquei em patins poderá participar a partir de amanhã em torneios europeus e mundiais. Esta decisão abrange as várias modalidades desportivas de patinagem.

     A Federação Catalã de Patinagem passa a fazer parte, de pleno dereito, ainda que com carácter provisional, da FIRS.

     Curiosamente, o Presidente da FIRS, é espanhol. Isidro Oliveras, afirmou que se produziu um «hecho normal dentro de la reglamentación vigente. Existía un agujero para Catalunya y así lo ha aprovechado». «Catalunya podrá competir a todos los efectos, a título provisional, en cualquier prueba mundial. No ha sido duro, porque no se ha violado el reglamento. Catalunya ha presentado su caso dentro de la legalidad y lo ha sabido defender».


     Obviamente que a Espanha não gostou nada desta decisão. O Secretário de Estado para o Desporto, Juan Antonio Gómez-Angulo, disse que a decisão da FIRS de reconhecer a Federacão Catalã «es meramente provisional, que debe obedecer a criterios económicos y coyunturalmente políticos» e afirmou que «antes de hacer una valoración definitiva al respecto, solicitará un informe a la Federación Española de Patinaje sobre cómo se han producido los hechos en Miami (EE.UU.)».

     A Espanha utilizará certamente todo o seu poder para anular esta decisão. Quem conhece como funciona o imperialismo de Madrid não se admirará com nada ou com tudo o que a Espanha fará para impedir o reconhecimento internacional das selecções da Catalunha e do País Basco...


Portugal campeão no Torneio Europeu das Nações em râguebi






Cinismo sin límites



Aznar: «Yo sé quién ha manipulado, quién ha radiado y ha televisado».





     ¡Los españoles lo saben también!


Um político do futuro presente


     A história que aqui conto parece anedótica, mas é absolutamente verídica. Ia para a contar por altura do fatídico 11 de Março. Por respeito para com as infelizes vítimas, pareceu-me melhor deixar para mais tarde esta tragicomédia portuguesa. Passado o luto, aqui vai ela.

     É uma história hilariante, mas simultaneamente triste e trágica. Ilustra de forma perfeita o estado a que chegou Portugal e os seus dirigentes. São pessoas como este jovem que nos governam, nos governaram e nos governarão, pelo menos enquanto os homens de bem deste País continuarem a assistir passivamente ao descalabro nacional e ao assassinato da Pátria sem nada fazer para livrarmos Portugal desta finitude que parece próxima e certa.

     Uma professora encontra dois antigos alunos. Interessada - como boa docente que não esquece os seus discípulos e deseja para eles os maiores sucessos - pergunta-lhes pela sua vida.

     Ambos tinham terminado a sua licenciatura e estavam no desemprego.

     Entristecida pelo facto, a professora questiona-os sobre o que faziam para ocupar o tempo.

     Um, mais esforçado embora talvez menos clarividente quanto ao que o espera, disse à professora que estava a frequentar outra licenciatura, Filosofia, o que em termos profissionais não augura grande perspectiva para quem já está desempregado.

     O outro, talvez menos dedicado ao trabalho mas certamente mais vivo, responde com prontidão e um pouco de orgulho:

      - Vou dedicar-me à política! E já estou a preparar-me. Ando a estudar umas coisa!

     Um pouco admirada, surpreendida, incrédula e curiosa, a extremosa professora pergunta ao seu ex-aluno:

      - E então, o que é que já aprendeste?

     Acto contínuo, numa rapidez estonteante, responde o jovem desempregado, candidato a político:

      - Discordo! Estou contra!

     Atónita, a professora volta à carga:

     - Mas já aprendeste mais alguma coisa?

     Garbosamente, com a altivez de uma presunçoso iluminado, o rapaz escancara a bocarra e jorra cá para fora outra pérola do seu admirável e desmedido saber:

     - Apoiado!

     Esclarecida, a amiga professora deteve-se por ali, sem mais interrogatórios que pudessem revelar a grandiosa sapiência política deste asno. Limitou-se a perguntar-lhe quando chegaria esse memorável dia em que o nosso político iniciaria funções.

     Com a ufania habitual dos seus futuros pares, foi lesto em responder:

     - Começo já na próxima campanha eleitoral!


     A conversa ficou por ali. Despediram-se e cada um foi à sua vidinha.

     Ignoro se o "nosso" futuro político iniciará as suas funções a colar cartazes na campanha das próximas eleições europeias ou se constará de alguma lista de candidatos.

     Pelo menos, sabendo produzir aqueles habituais bocejos da moderna política - «Discordo» e «Apoiado» - está quase apto a desempenhar as funções de deputado da Nação na Assembleia da República. Talvez só lhe falte aprender a bater com a mão na mesa nos momentos de protesto mais acalorado e a dizer «Muito bem!» em som de fundo durante as intervenções dos camaradas do partido. Se aspirar a voos mais altos, quem sabe se não o vemos a ministro ou mesmo como Primeiro-Ministro. Outros começaram como ele e já lá chegaram. E o pior é que pouco mais sabem do que ele!...

     Da minha parte, só me resta dizer: «Que tristeza!».


Pensamento do dia


     «Persiste-se, há muito, em conversas, em livros, em jornais, mesmo nos discursos diplomáticos e nas arengas oficiais, enfim, nos compêndios das escolas, em chamar a Portugal piqueno país. Decididamente, não temos nunca o sentido das proporções. (...)
     O primeiro português que chamou a Portugal
piqueno país, foi um perro tridor! E a traição achou o terreno mais propício num Portugal que é grande em posuir tantas almas piquenas
».
Afonso Lopes Vieira, Em Demanda do Graal, 1922.



sexta-feira, março 26, 2004

Negócios com Espanha



Quanta honra...


     Há poucos meses tínhamos detectado uma agradável visita do Ministério da Justiça de Espanha.

      Hoje, constatámos a visita do "Ministerio de Asuntos Exteriores" espanhol.



      Sentimo-nos verdadeiramente honrados pelo facto e esperamos que tanto a ministra cessante como o futuro ministro possam consumir algum tempo do seu precioso tempo deleitando-se com a leitura do nosso modesto blogue, que está cada vez mais internacional, agora com a adesão, ontem, de um basco. Mais internacional ficará, ainda, quando pudermos contar com a colaboração de um catalão.

      As nossas saudações cordiais para o Palácio de Santa Cruz.


El papel del de los 'jeltzaleak'

     Durante años el EAJ-PNV fue el partido hegemónico del nacionalismo vasco, pero las escisiones que sufrió (ETA-Herri Batasuna y Eusko Alkartasuna) le hicieron perder esa posición central y monopolizadora del nacionalismo vasco, pues los menos dispuestos a comulgar de la mano del nacionalismo español le están ahora presionando para que oriente o redifina sus prioridades.



     La última de esas 'presiones' le ha llegado de Aralar (escisión democrática de Herri Batasuna-Sozialista Abertzaleak-Batasuna), quién le ha hecho llegar a los jeltzaleak una oferta de listas conjuntas a las elecciones europeas. El EAJ-PNV prometió estudiarla, pero reafirmando su compromiso con los otros dos firmantes de la Declaración de Barcelona (BNG y CiU) e invitó (ejerciendo esa autóritas que se le supone) a Aralar a que se sume a la iniciativa de la Alianza Libre Europea.



     Para el pueblo vasco sería muy importante que el EAJ-PNV consiguiese que Aralar y también Eusko Alkartasuna (oséase, todo el nacionalismo vasco democrático) se uniesen conjuntamente con los partidos afines del Estado español (BNG, ERC, CiU, ChA...) en la ALE para que la voz de los pueblos (sin voz) del Estado español se pueda escuchar. En el caso concreto de Euskal Herria, los jeltzaleak tienen un papel muy importante y, si fracasase o no ejerciese su función con corrección, le saldría muy caro en las urnas.


Historia vasca... con mucho humor


     El programa Sorginen Laratza de Euskal Irrati Telebista-1 (EiTB-1, Radiotelevisión Vasca) ha comenzado la emisión semanal de un divertido programa que pretende acercar a todos los públicos la Historia de Euskal Herria en los últimos 2.000 años.



    Con toda seguridad se trata de una alternativa educativa mucho más beneficiosa para la salud mental de los jóvenes vascos (y también para lo no-vascos) alternativa a la Memoria de España que emite la televisión pública española, poco rigurosa y completo peñazo.

    Ante esta nueva y brillante iniciativa del equipo de Xabier Euzkitze sólo cabe quitarse el sombrero.


quinta-feira, março 25, 2004

Euskal Herria ha perdido a Andolin Eguzkitza


     El euskaltzain (académico de la lengua vasca) Andolin Eguzkitza (Santurtzi – Euskal Herria, 1953) ha muerto en la madrugada de ayer en el Hospital e Basurto (Bilbo – Euskal Herria), a la edad de 51 años.



     Fue el suyo el caso de un hombre amante de su país y de la lengua del mismo, hasta el punto de, a la edad de 15 años, comenzara estudiar euskara a escondidas, la lengua que habían hablado sus abuelos y que sus padres no le enseñaron. Hasta tal punto llegó su conocimiento y dominio de nuestro idioma que en 2001 ya formaba parte de la Academia de la Lengua Vasca (Euskaltzaindia), aunque ya antes había integrado las comisiones de Grámatica (1986) y Exonomástica (1995), lo que implica que haya sido coautor de los tomos más recientes de Euskal Gramatika de la Euskaltzaindia. En 1997 había sido elegido presidente de la asociación de escritores en lengua vasca (Euskal Idazleen Elkartea).

     Pero no sólo la lengua nacional vasca había sido su pasión, sino el mundo de los idiomas en general. Su lengua materna fue el español, pero por sus abuelos y su país aprendió y vivió en vasco, aprendió alemán en Alemania, aprendió inglés cuando estudió en California e Iowa, amén de saber italiano, francés y catalán gracias a sus muchas amistades por el mundo.

     Su obra literaria la componen Lehen orenean (En la primera hora, 1979), Orhiko mendirantz urratsez urrats (Paso a paso hacia el monte Orhi, 1986), Urkidian zehar (A través del bosque de abedules, 1987), Mila urte igaro eta, ure bere bidean (Han pasado mil años, el agua sigue su camino, 1993), Erraietan barrena euria egiten digunean (Cuando nos llueve en las entrañas, 1998) y Herioaren itzalpeetan (Bajo las sombras de la muerte, 1998), además de haber traducido a nuestra lengua poemas del griego Kavafis (Konstandinos Kavafis: antologia bat; Constantinos Kavafis, una antología).

     Agur!


Se aplaza la visita de Arzallus a Barcelona


     La reunión que tenían previsto mantener en Barcelona el presidente del Euskadi Buru Batzar, Xabier Arzallus, con Pasqual Maragall, Carod-Rovira y otros dirigentes catalanes se ha aplazado al coincidir con una reunión de los integrantes de la Alianza Libre Europea (ALE), grupo parlamentario europeo que aglutina ecologistas y representantes de las diferentes naciones europeas sin Estado (como Euskal Herria, Cataluña, Galicia o Escocia).



     A pesar del relativo contratiempo, no se trata de una mala noticia, pues en esta reunión la ALE estudiará el convertirse en un partido político (amparándose en la legislación europea sobre el tema), con lo que la propuesta 'en solitario' de los firmantes de la Declaración de Barcelona sería innecesaria.


Portugal à venda


     Existiu um País de Marinheiros. Há trinta anos tinha uma marinha mercante e uma marinha pesqueira que faziam justiça à sua história marítima e ultramarina.

     Hoje da marinha mercante restam pouquíssima dezenas de embarcações. A frota pesqueira é um mero esqueleto do portentoso corpo que existia há poucas décadas, até a nossa (des)integração na CEE.

     Agora é a vez da frota petroleira ser alienada.

     O Grupo José de Mello está em negociações avançadas para a venda da Soponata, à General Maritime, armador americano que é um dos líderes mundiais nos petroleiros de média dimensão.

     Por sua vez, a administração da GalpEnergia já seleccionou uma lista de três empresas candidatas à compra de 100% do capital da Sacor Marítima, companhia da Petrogal de transporte de petróleo que será alienada este ano. Na corrida para a sua aquisição estão os grupos espanhóis F Tapias e Marpetrol, e os italianos da Montanari.

     Tudo isto parece claro. O plano continua a ser executado na perfeição. Mais uma coroa de glória para Carlos Tavares, Durão Barroso e a camarilha que vai alegremente destruindo Portugal...


Mibel e preços da electricidade em Espanha


     Segundo a Reuters, citando fontes do sector em Espanha, o lançamento do mercado ibérico de electricidade, previsto para o próximo dia 20 de Abril, pode ser adiado por causa da mudança de Governo espanhol.

     Segundo este acordo as transacções a prazo são efectuadas sob controlo português, enquanto as transacções diárias e intra-diárias são dominadas por Espanha.

     Sobre a questão do MIBEL e dos preços da electricidade em Espanha, é importantíssimo ler o seguinte artigo do Jornal de Negócios:

O novo vento espanhol



Paulo Ferreira



O queixume em relação a Espanha está transformado num autêntico desporto nacional. Umas vezes com razão, outras sem, multiplicam-se as vozes que apontam para o país vizinho com razões de queixa ou de inveja.

De inveja porque a dinâmica competitiva espanhola é forte e nos últimos anos não temos tido “pedalada” para ela deste lado da fronteira. De queixa porque é um facto que as autoridades espanholas pisam algumas vezes o risco do jogo económico limpo em nome do que consideram ser o seu interesse nacional.

A questão das tarifas eléctricas pagas pelas grandes indústrias é um destes casos. Os maiores consumidores de electricidade voltaram ontem a alertar para o assunto: em Portugal a factura energética de uma grande empresa pode superar em 40% o custo suportado por uma concorrente espanhola.

É fácil perceber o impacto disto na competitividade da indústria. Pode haver nesta estrondosa divergência de tarifas finais algum contributo de ineficiência portuguesa. Mas o essencial do problema não é nosso. É deles, espanhóis, e está no pouco transparente sistema de fixação de tarifas eléctricas.

Lá é praticada a chamada subsidiação cruzada (que é colocar os pequenos consumidores a pagar a energia mais barata dos grandes). Cá, o regulador do sector não permite estes “transvases” de riqueza. Lá os consumidores não conhecem em detalhe as várias parcelas da sua factura eléctrica.

Cá sabem o que pagam para quê. Lá as tarifas são decididas pelo Governo, e são essencialmente critérios políticos estratégicos que as definem. Cá é o regulador que, algumas vezes contra ventos e marés, define os preços.

Se alguém está errado são os espanhóis, não são os portugueses. Mas independentemente dos julgamentos que possam fazer-se, o facto é que os industriais portugueses suportam uma factura mais pesada. E feitas as contas, isso é que pesa. Devemos então aproximar-nos das más práticas espanholas?

Jorge Vasconcelos, o presidente da entidade reguladora do sector, antecipa antes uma mudança em Espanha. Porque há uma directiva comunitária na forja que pode proibir a tal subsidiação cruzada. E porque o PSOE dá sinais de querer introduzir mais transparência na fixação de preços.

Era bom que a convergência ibérica fosse conseguida desta forma e não ao contrário. E era melhor ainda que os decisores portugueses ficassem atentos aos novos ventos que podem soprar de Espanha e que podem representar uma oportunidade para Portugal.

Zapatero pode não ser uma pomba, mas também não será o falcão que Aznar foi. Este foi um líder político orientado para os negócios, para a competitividade, para esmagar como e quando podia, para afirmar o país contra o que fosse preciso.

Foi a sua política agressiva e cúmplice com as empresas espanholas, à qual não soubemos dar resposta, que fez ressuscitar a “padeira de Aljubarrota”. Já o PSOE vai preocupar-se mais com as políticas sociais. Compete-nos a nós acabar com a lamúria e aproveitar todas as oportunidades que este “cambio” possa abrir.

Jornal de Negócios
24/03/2004



O desporto ao serviço da identidade nacional


     «O desporto é uma arma!». Este bem poderia ser um lema, de revolucionária memória, que as nacionalidades integradas no Estado espanhol poderiam usar na sua luta em defesa da sua identidade e independência.

     Com ou sem a formalidade deste poético lema, é o seu espírito que está em marcha com o desejo de que a Catalunha e o País Basco passem a ter selecções nacionais, em competições internacionais, como sucede com a Escócia, o País de Gales ou a Irlanda do Norte. Mas é claro que a Espanha não é o Reino Unido e a Madrid desagrada tal desiderato...

     Mas no País Basco, por outra via diferente desta ideia que um dia gostaráiamos de ver concretizada, o desporto vai tornar-se numa poderosa arma de defesa da sua identidade e particularmente da sua língua.

     Vários clubes desportivos bascos firmaram ontem um compromisso para a normalización da língua basca no âmbito da campanha «Hizkuntz eskubideak! Denon Konpromisoa», promovida por Kontseilua.

     O Secretário-geral de Kontseilua, Xabier Mendiguren, fez um apelo a todos os agentes da sociedade basca para que «cada um adopte o seu compromisso, já que a defesa dos direitos linguísticos só se conseguirá por este caminho. Queremos que as instituições, os partidos políticos, os sindicatos, as empresas, os establecimentos, os grupos desportivos e as pessoas individuais assuman o seu compromisso».

     As entidades desportivas que aderiram ao projecto comprometeram-se a utilizar o euskara no desenvolvimento das suas actividades diárias, nas suas páginas na Net, nas suas relações internas com os trabalhadores e nas relações com os sócios.

     Dando o exemplo do desporto, é fundamental que a língua basca se torne a língua comum em todas as actividades. O que vale para o País Basco deve valer também para a Galiza, a Catalunha e outras regiões de língua não castelhana.



Duas imagens de Aznar


     Apesar da distância que separa o El País - um jornal madrileno, veículo propagandeador do nacionalismo espanholista -, do Gara - um jornal nacionalista basco anti-espanholista -, não deixa de ser interessante o facto de ambos tecerem de Aznar uma imagem crítica a propósito da sua última entrevista à Tele 5.





quarta-feira, março 24, 2004

Pensamento do dia





     «Galiza terra irmá de Portugal: Estamos aqui mais unha vez para confirmá-lo, para que a vida e o destino das duas nazóns que deberan ser unha, e que a man infame da Historia cercenou no seu berce, sexan no futuro non irmás protocolárias de graves tratados oficiais, senón irmás sinxelas nadas no mesmo berce, que ollan de cara ao futuro na mesma direzón e que comparten o pan e os pesares, as loitas e a alegria, que fortifiquen as liberdades e alcen diante dos povos do mundo a mesma língua que nos une para pedir a paz e o trabalho».
Avilês de Taramancos
(Abril de 1987, em Amarante, num encontro de poesia)




          Miña patria:
          Eu son o teu soldado máis forte.
          A túa lingua é miña espada
          e cando debullo unha canción
          cando florece unha palabra
          canta en min o labrego cavador
          o emigrante e o poeta,
          o mariñeiro
          o home que amasa o pan e moxe o leite.
          ¡Non son un home: Son un pobo
          E ninguén me pode domear!


          in O tempo no espelho


"Regeneração, diálogo e assimetria do Estado"

     Essas três são as premisas básicas a cumprir nesta legislatura segundo os assinantes da Declaração de Barcelona (vertente mais política do GALEUZCA), o Bloco Nacionalista Galego, o Eusko Alderdi Jeltzalea-Partido Nacionalista Vasco e Convergència i Unió.



     Inspirados sem dúvida polos ares de câmbio que se respiram com a derrota do PP nas eleições de há dez dias, estes três partidos fizeram toda uma declaração de intenções. A regeneração vai, é induvitável, unida ao diálogo, características ambas as duas ausentes nos últimos quatro anos. A assimetria do Estado seria a peça-chave reclamada polos nacionalistas periféricos desde os tempos da transição e que o café para todos do Estado das Autonomias deturpou (em breve porei um texto falando deste facto). Parece haver a consciência de vivermos uma Segunda Transição democrática, mas talvez seria melhor uma certa prudência, pois o sector mais espanholista do PSOE pode fazer que este esplêndido momento não dê bons fruitos.
     Aliás, BNG, CiU e EAJ-PNV formalizaram a sua proposta de apresentarem listas conjuntas para as eleições europeias de junho, havendo "boa predisposição" para que definitivamente seja assim e os três partidos mais fortes destas três nações espanholas se unam numa só candidatura (embora o ideal seria aglutinar também, como não poderia ser dum outro jeito, ERC, EA e outros partidos afins).



Assim o recolhe a imprensa de hoje.



Sistema judicial y sistema político en España



Cardenal ordena que se investigue
a los manifestantes de la jornada de reflexión


Las denuncias contra las concentraciones ante las sedes del PP han sido presentadas por la propia formación y ciudadanos particulares
El fiscal general del Estado, Jesús Cardenal, ha remitido un oficio a los fiscales jefes de todos los tribunales superiores y audiencias provinciales de España para que remitan a los respectivos juzgados de guardia las denuncias que hayan recibido por las manifestaciones de protesta celebradas el pasado día 13, jornada de reflexión, ante las sedes del PP de varias ciudades.
(EUROPA PRESS, 23/03/2004)

Último servicio


Parece evidente que las manifestaciones espontáneas que tuvieron lugar ante algunas sedes del Partido Popular, especialmente la de Madrid, el día previo a las elecciones, se compadecen mal con el espíritu de la jornada de reflexión electoral y que no sería bueno que esa manera de actuar se convirtiera en una costumbre en el futuro. También es de esperar que no se den nunca más las circunstancias que acompañaron a aquellas jornadas: un Gobierno sospechoso de hurtar información, en las horas previas a la votación, sobre el atentado terrorista más terrible jamás habido en España, y una masa de ciudadanos que consideraron un deber cívico, en correspondencia con su derecho constitucional a manifestarse, salir a la calle a expresar pacíficamente su protesta e indignación.

Ni siquiera como hipótesis puede plantearse que esas decenas de miles de ciudadanos que se concentraron espontánea y pacíficamente ante algunas sedes del PP en la jornada de reflexión hayan podido cometer algún tipo de delito y que su conducta caiga bajo el Código Penal. Como no se plantea tampoco en el caso de los militantes del PP que se concentraron pacíficamente el martes siguiente, sin comunicárselo previamente a la autoridad gubernativa, ante la sede central de su partido en Madrid. Por eso es un disparate jurídico, además de una muestra más de su acreditada actitud servil y obsequiosa con el Gobierno, la orden dada a sus subordinados por el todavía fiscal general del Estado, Jesús Cardenal, para que pongan directamente en manos de la justicia penal la investigación de estos hechos.

La Junta Electoral Central consideró esas concentraciones ciudadanas "contrarias a la regulación de la campaña electoral" y remitió la denuncia formulada por el PP a la Fiscalía del Estado, "por si entiende que pudieran resultar hechos constitutivos de delito". Aparte de lo discutible que resulta la remisión a la Fiscalía de unos hechos que, en todo caso, pueden constituir una infracción administrativa, llama la atención la prisa que se ha dado Cardenal en calificarlos como presuntamente delictivos y de encomendar directamente su investigación a la justicia penal. Lo procesalmente correcto habría sido, si acaso, que la Fiscalía del Estado hubiera abierto diligencias informativas previas para comprobar los hechos y la autoría de los mismos y no proceder a judicializarlos de inmediato.

Es natural que algunos fiscales hayan anunciado sus reservas, e incluso su rechazo, a una orden jurídicamente descabellada y que pretende, además, "criminalizar" a miles de ciudadanos que ejercieron pacíficamente y sin violencia su derecho a manifestarse y a protestar contra el Gobierno por su opacidad informativa sobre el atentado. Es posible que esa actuación ciudadana, además de contradecir el espíritu de la jornada de reflexión, vulnerase en algún punto la letra de la ley electoral. Pero constituye una aberración considerar que cometieron un delito electoral o que incurrieron en alguna de las formas de manifestación ilícita contempladas en el Código Penal.
El País, 24 de marzo de 2004





terça-feira, março 23, 2004

Espanha tenta impedir voto de Gibraltar nas europeias



     Conforme já tinha ameaçado, a Espanha denunciou, junto do Tribunal de Justiça da União Europeia, a pretensa ilegalidade da lei eleitoral britânica que permite o voto de súbditos do Commonwealth, nas eleições para o Parlamento Europeu.

     Esta denúncia, cujo claro objectivo é evitar o voto dos gibraltinos, é uma das últimas medidas do governo de Aznar, sabendo-se, no entanto, que uma das primeiras metas do governo de Zapatero é reabrir, quanto antes, as negociações acerca de Gibraltar.

     Impedir os votos do Rochedo nas eleições europeias, equivale a impedir que a Comunidade Europeia reconheça o direito dos gibraltinos de decidirem o seu futuro.

     Fonte: ABC, 23-3-2004

PP espanhol


     Sobre a actual situação do PP espanhol, leia-se no Arquivo Portugal e Espanha o artigo de Manuel Lopes, correspondente do DN, "Um partido dilacerado por dentro".


Reflexões sobre o País Basco




     Aproximam-se momentos cruciais para o País Basco, com o avanço do Plano Ibarretxe, a proposta minimalista de revisão do PSE e a exigência maximalista de autodeterminação imediata da izquierda abertzale.

     Este partido acaba de convocar uma manifestação nacional para o próximo sábado, 3 de Abril, com o objectivo de «reunir e activar todas as forças autodeterministas» e reclamar o direito à autodeterminação de Euskal Herria.

     Para um dos dirigentes do partigo, «la clave para resolver el conflicto político que vive este pueblo pasa por respetar la voluntad de este pueblo, y en ese contexto, queremos aunar todas las fuerzas en favor de la autodeterminación, en la manifestación de Bilbo y para pedir el derecho de autodeterminación ahora».

     Sobre a Questão Basca, podem ler-se no Arquivo Portugal e Espanha vários interessantes artigos:





Rumor 13-M




El PP y sus planes... DE LA CADENA S.E.R.


El pasado sábado a las 00:00 de la noche el gobierno popular se encontraba reunido y para redactar dos comunicados que debía firmar el Rey. En esos comunicados se convocaba el estado de excepción y se retrasaba el proceso electoral. Había un plan A, que pretendía retrasar las elecciones hasta otoño, y un plan B que pretendía retrasarlas hasta dentro de dos meses. El informador, que se encontraba en la Junta electoral central, vivió de cerca todo el proceso: la presentación de los comunicados a la junta electoral central, segundo paso en este preocupante intento del gobierno tras la presentación de las denuncias a la JEC contra todo partido de la oposición y diversos medios de comunicación y la admisión de estas por parte de la JEC.

Posteriormente el ministro Acebes se desplazaba junto a otros miembros del gobierno al palacio de la Zarzuela para intentar conseguir la firma del rey, requisito imprescindible para convocar este estado de excepción.
Desde Zarzuela se negaba esa firma, por considerarlo, según afirman fuentes anónimas de la casa real a nuestro informador, "un golpe de estado de facto". El tono de las notas era, según el informador, alarmante, y en el se mencionaba la creación de una situación nacional que incluía presencia no solo policial sino militar en las calles. La denegación de la firma por parte de la casa real, así como las reiteradas negativas desde policía nacional para disolver con los antidisturbios las concentraciones pacificas por todo el país, hicieron desistir de su intento al gobierno, que anunciaba a la JEC la anulación de ese proceso hacia las 2.15 de la mañana, aludiendo además de estos motivos, alarmantes nuevas noticias.

A lo largo del domingo, hemos podido confirmar esta noticia mediante diversas fuentes autorizadas, que además nos hablaban de una reunión celebrada en Madrid entre diversos responsables de servicios informativos de distintos medios en los que, dentro de una gran polémica, se decidía no divulgar esta información en diarios, televisiones y radios al menos hasta una próxima reunión en la tarde del lunes, una vez terminado el proceso electoral.

INDIMEDIA


segunda-feira, março 22, 2004

Somos todos madrilenos, somos todos oliventinos



     Somos todos madrilenos, sim. Íamos todos naquele combóio, sim. Aquelas duzentas pessoas, pais de alguém, filhos de alguém, irmãos ou esposos de alguém - e até famílias inteiras – iam para o trabalho, para a escola, às compras, de combóio, como nós; A morte apanhou-os, como talvez nos apanhe a nós, um dia, e atirou-os para a linha, como sacos de lixo. Estávamos todos em Atocha, sim; Mas não só.

     Identificamo-nos mais facilmente com os mortos, quando nos entram pela televisão, à hora da meia-de-leite e da torrada. Porém, também somos os outros duzentos mortos, muitas vezes duzentos mortos de todo o mundo. Somos todos sudacas, quando uma greve por pão, numa bananeira gringa, redunda num massacre com cadáveres deitados ao mar. Somos todos bascos quando, em tempo de eleições, fazem manobras militares no nosso chão, e soldados armados nos entram pelo quintal, com armas apontadas. Somos todos tibetanos, dessa cultura ainda mais antiga que a chinesa, quando queimam os nossos velhos documentos, para nos suprimir a identidade. E somos todos oliventinos, para que o mundo não esqueça o sofrimento, a humilhação, a morte, daqueles que, para que a língua portuguesa não desaparecesse, enraizaram fundo no seu coração, um Crer e Querer, cujo Vencer tarda. Somos todos madrilenos e somos todos oliventinos.

     De duzentos em duzentos, vamos morrendo todos. Em Olivença ou em Madrid, somos soldados de uma guerra que não entendemos. O poder vai ficando mais longe do povo, e à sua volta torna-se forte a falange dos burocratas, espécie de nova aristocracia dos jardins de Versalhes: impotente, inoperante e dispendiosa. E nós vamos morrendo todos, das Twin Towers a Olivença, de Olivença à Estação de Atocha. Duzentos de cada vez.

     Gandhi dizia que era cidadão do mundo, mas que antes tinha que ser indiano. Para abraçar os outros povos, tinha que o fazer como indiano, num abraço indiano. A nós dizem-nos que a mulher muçulmana não pode usar o chador, que o sikh não pode usar barba nem turbante, que nós não podemos dizer aos nossos filhos Deus te abençoe. Como alguém disse, querem que guardemos as nossas bandeiras no bolso, para que se tornem lenços de assoar.

     A Guerra de Civilizações que se prepara, é a cruzada dos burocratas – O poder atrai os pequenos. Assim, somos todos duzentos a morrer, de Telavive a Olivença, de Olivença a Gaza. E eu nunca saberei onde começa um e outro terrorismo, e as secretas que os investigam, e o tráfico das armas – drogas – órgãos – crianças. A gente não sabe nada, a não ser morrermos todos duzentos, cortesmente, para sermos fotografados à beira da linha, como sacos de lixo radicais, sem símbolos religiosos que nos distingam, nem gritos de protesto pelo abuso dos quintais invadidos, e das armas apontadas.

     De Madrid a Bagdade, somos todos oliventinos.

Chantagem do PSE



     Começou esta manhã em Vitória, no País Basco, o debate das quatro emendas apresentadas ao Plano Ibarretxe.

     O PSE propôs ao Governo basco aceitar a reforma do Estatuto autonómico se fosse retirado o próprio Plano Ibarretxe.

     Para os socialistas "bascos", a actual proposta «rompe as bases do pacto entre bascos, entre os territórios, e entre os bascos e a España», além de ser «anticonstitucional» e «anti-estatutário».

     Apesar de mais dialogantes do que o Populares, parece evidente que os Socialistas, embora aceitem algumas alterações puramente estéticas ao estatuto autonómico, recusam uma solução soberanista para o País Basco e qualquer alteração dos limites territoriais actuais da região autónoma basca, estabelecidos por Madrid numa lógica de "dividir (as antigas nacionalidades) para (Castela) reinar": princípio que vale tanto para o País Basco, como para a Catalunha ou a Galiza...

     Mas como a procissão ainda nem sequer entrou no adro, vamos ficar para ver...


Aznar e Barroso




DN, 18/03/2004


      Bem lá ficará quem sempre lá esteve...




Funcionamiento de la Democracia en España







Gobierno en funciones


Desde el 14 de marzo, el Gobierno del PP que dirige José María Aznar no es representativo de la voluntad mayoritaria del pueblo español libre y masivamente expresada en las urnas. Como en situaciones similares que se dan con frecuencia en los países democráticos, el Gobierno del PP está en funciones, a la espera de que le sustituyan los ganadores de los comicios. Su única tarea debería ser la de gestionar los asuntos corrientes. Sería lógico que no tomara ninguna decisión que pueda hipotecar, en el ámbito interno, pero también en el internacional, la acción de quienes han logrado legítimamente en las urnas el encargo de los españoles para dirigir sus asuntos los próximos cuatro años.

El Gobierno en funciones, no obstante, está dando signos preocupantes de no entender la situación. Ha solicitado un informe a sus servicios jurídicos para ver si, antes de traspasar oficialmente los poderes, puede nombrar dos plazas vacantes de magistrados del Tribunal Constitucional. El sentido común, que a la postre es la base de la democracia junto con la soberanía popular, anticipa que esos nombramientos serían de dudosa legitimidad, aunque fueran legales. Lo mismo ocurre con la pretensión del fiscal general del Estado, Jesús Cardenal, de designar antes de irse a más de una decena de fiscales jefes. El Gobierno del PP ha dispuesto de ocho años para hacer su política, incluida la de personal, y en los últimos cuatro con un evidente desprecio de la oposición y de la mayoría de la opinión pública. Ahora no debería dar la impresión de que quiere dejarlo todo atado y bien atado antes de pasar a la oposición.

Otra iniciativa de dudosa corrección democrática fue la desclasificación, y además parcial, según todos los indicios, de documentos del Centro Nacional de Inteligencia (CNI) sobre los posibles autores de los atentados del 11-M. Esa desclasificación no fue negociada con el PSOE, ni tampoco lo ha sido el plan de seguridad aprobado tras esos atentados. En estos casos de seguridad nacional, el Gobierno en funciones sólo debería actuar en concertación plena con el que podríamos llamar Gobierno electo de la nación. Ese criterio es asimismo de plena aplicación para asuntos tan trascendentes, y que tanto dividen a los españoles, como el Plan Hidrológico, que debería quedar suspendido temporalmente, sin ningún tipo de contratación. Por no hablar de nuestras tropas en Irak. Cualquier relevo, redespliegue o atribución de nuevas misiones a esas fuerzas tiene que ser negociado con los nuevos representantes de la voluntad nacional. Al igual que la participación de nuestro país en la cumbre europea sobre seguridad del próximo fin de semana.

Zapatero no podrá ser investido presidente y formar Gobierno hasta después de Semana Santa. Los plazos y los procedimientos han de ser respetados, como una prueba más de que nuestra democracia funciona sin que nada ni nadie le imponga su agenda. Pero del mismo modo, el Gobierno en funciones debe aceptar y respetar escrupulosamente su condición de mera provisionalidad. Su tarea consiste en hacer que la maquinaria del Estado siga funcionando, facilitar la rapidez, eficacia y transparencia de la alternancia e ir recogiendo sus trastos. Todo lo demás debe ser consensuado con aquellos en quienes los electores han depositado mayoritariamente su confianza.


El País
22/03/2004


domingo, março 21, 2004

Otro rumor


     El portavoz de Sozialista Abertzaleak, Arnaldo Otegi, aseguró hoy en una entrevista en En Euskadi Irratia que el PP tenía previsto tras las elecciones y contando con que las ganaban, suspender la autonomía vasca y detener a varios miembros de la Izquierda Abertzale, empezando por él mismo.

     Arnaldo Otegi, dijo que las medidas barajadas por el PP tras los atentados del jueves pasado iban más lejos de lo que se ha hablado hasta ahora.

     «Había en marcha prácticamente un golpe de estado y el PP tenía en marcha tres medidas si ganaba las elecciones: primera, suspender la autonomía en Vascongadas, segunda subordinar la Ertzaintza al Ministerio de Interior y la tercera sería detener a gente de la Izquierda Abertzale, empezando por mi».



Olvido




     «George Bush conmemoró ayer el primer aniversario del comienzo de la guerra de Irak con un discurso en el que agradeció la labor que desarrollan las tropas internacionales desplegadas en la zona, de Gran Bretaña a Polonia, pasando por El Salvador y Japón, pero ni una palabra de España». (ABC)


"Separatistas" versus "Terroristas"


     Há poucos dias, após os atentados de 11 de Março, e com o nervosismo da proximidade das eleições do dia 14, a "Ministra de Asuntos Exteriores" de Espanha, Ana Palacio, explodiu de ira na BBC pelo facto de esta estação televisiva designar a ETA como "organização separatista". A ministra exigiu que a BBC apelidasse a associação basca como "organização terrorista", com o argumento de que é essa a natureza da instituição conforme o reconhece a União Europeia.

     Hoje, ouvindo o noticiário da TSF do meio dia, a jornalista referiu-se à ETA como "organização separatista". E no noticiário da RTP, por volta das 13:25 oiço igualmente esta estação televisiva a designar a ETA como "organização separatista".

     No caso da RTP isto é tanto mais surpreendente quanto há pocos meses a Embaixada de Espanha em Lisboa conseguiu que a televisão pública portuguesa não emitisse uma reportagem sobre o País Basco que prejudicaria gravemente a imagem propagandística que Madrid tem posto a circular pelo mundo sobre esta nação ocupada pela Espanha que luta incansavelmente pela sua libertação e independência.

     Será puramente acidental que tanto a TSF como a RTP tratem a ETA como "organização separatista" e não como "terrorista"? Passou-se alguma coisa que me tenha escapado?

     Suponho que o protesto de Madrid, se ainda não foi feito - o Embaixador deve estar a almoçar ou a dormir a sesta neste momento - não tardará muito.


Saramago y Aznar



El País, 21 de marzo de 2004

A persistência da História



O casamento de D. João I com Filipa de Lencastre: Aliança Inglesa

Buscando, para o Século XXI, um melhor posicionamento de Espanha no concerto das nações, a sua liderança política (e anote-se, para que conste, a sagacidade de José Maria Aznar) tentou nos oito anos de governação «popular» assentar a sua diplomacia em um paradigma novo e assaz diferente do que lhe tem sido próprio e quase permanente: substituir o relacionamento privilegiado com os «poderes continentais», pela aproximação às «potências marítimas» e, nesta perspectiva, desempenhar o papel de melhor aliado e representante destas no «jogo europeu».
E algum êxito obteve, ao que se foi vendo. Com o correspondente incómodo para os interesses e o «papel» de Portugal.
Mas, se os Interesses e a sua defesa têm interpretações múltiplas, porque sujeitos, inevitavelmente, à subjectividade, a História e os seus fantasmas recusam verem-se escondidas em «armários» e a Realidade cobra naturalmente a factura da sua existência...
Eis, assim, que Espanha deixa de estar absolutamente na «Rota Marítima»? Isso faria (faz) toda a diferença.

Mariano Rajoy y Tony Blair: Aproximações breves?

sábado, março 20, 2004

Líneas de la política exterior de Zapatero



      Las grandes líneas de la política exterior del Gobierno de Zapatero:

      ¿Cuáles son las diferencias entre la política exterior de Aznar y la política de Zapatero? De momento muy pocas.
      Cambió el gobierno. ¿Cambiará la política exterior?



Córdoba. (EUROPA PRESS).- El diputado electo del PSOE por Córdoba, y previsible ministro de Asuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, ha asegurado en una entrevista concedida a Europa Press que el futuro Gobierno encabezado por José Luis Rodríguez Zapatero intentará lograr que Naciones Unidas tenga un "mandato claro" para hacerse cargo de la situación en Iraq.

De lo contrario, como ya se ha anunciado por parte del propio Zapatero, los 1.300 soldados españoles desplegados en el país regresarán a España. "El PSOE lo que va a intentar, con sentido de la responsabilidad, es ver si se puede cambiar el mandato de Naciones Unidas, dándole un papel de centralidad", explicó el diplomático.

El objetivo es, según Moratinos, que Iraq se rija por un modelo de "estabilidad y democracia". "Pero si Naciones Unidas no obtiene el mandato claro y contundente de su centralidad en todo el proceso, las tropas españolas volverán el 30 de junio", aseguró.

En cuanto a las líneas directrices de la política exterior, Moratinos anunció que mejorar las relaciones con Marruecos será una de las prioridades del futuro gobierno socialista, dado que, si antes del 11-M ya era importante, los atentados de Madrid han redoblado esa prioridad.

En este contexto, adelantó que las primeras cuestiones a tratar con el vecino marroquí serán la lucha contra el terrorismo y la inmigración ilegal. Además, se intentará recuperar inmediatamente la "confianza" y la "credibilidad mutua" con Marruecos, estableciendo para ello un programa de actuación con contactos "permanentes y fluidos", para hacer frente a los grandes desafíos del siglo XXI.

Al respecto, el que fuera enviado especial de la UE para Oriente Próximo, dijo estar convencido de que, tal y como lo expresó Mohamed VI en el mensaje que envió a José Luis Rodríguez Zapatero, hay una voluntad mutua de no volver a asistir a los desencuentros producidos en los últimos años.

Reunión con Blair
Por otro lado, respecto al contencioso histórico que mantienen España y Reino Unido sobre Gibraltar, dejó clara la intención de iniciar "cuanto antes" el diálogo con Londres "al más alto nivel" manteniendo una reunión con el primer ministro británico, Tony Blair.

Al tiempo, vinculó la salida al litigio con la aprobación de la Constitución Europea porque, según Moratinos, el futuro texto constitucional de los 25 será un elemento "esencial" para demostrar el "anacronismo" de Gibraltar.

"Haremos todo lo posible por resolver definitivamente este contencioso y creemos que la aprobación de la Constitución Europea puede ser el elemento esencial para demostrar el anacronismo de una situación histórica que no se sostiene", argumentó.

En este sentido, recalcó que la voluntad del Gobierno del PSOE es iniciar "cuanto antes" las conversaciones con el Reino Unido, para retomar los avances logrados durante la etapa en la que Josep Piqué estuvo al frente de la diplomacia española. "De lo que se trata es de recuperar ese espíritu y, sobre todo, esa voluntad de poner punto final a este contencioso", apuntó.



Lucha politica entre Gobierno y CNI


     El Centro Nacional de Inteligencia (CNI) transmitió al Gobierno su malestar por la desclasificación de los documentos elaborados por el servicio secreto tras los atentados del 11 de marzo y por verse involucrado en una lucha política ajena a su trabajo.

     El malestar es patente en todos los agentes incluso en los más altos cargos. El secretario de Estado-director del CNI puso el jueves su cargo a disposición del Gobierno.

     Segundo el periodico ABC, el malestar en los servicios secretos «es doble y se refiere tanto a las formas como al fondo sobre el funcionamiento del Centro Nacional de Inteligencia. En el primero de los casos se encuentra el hecho de desclasificar los documentos elaborados tras los terribles atentados del 11 de marzo en Madrid, lo que se considera negativo para los trabajos que desarrolla el Centro en la lucha contra el terrorismo. En el segundo caso, nos encontramos con el malestar derivado de verse involucrado en una «lucha» política, algo de lo que los servicios secretos deben estar situados al margen, ya que conciben su misión como un servicio al Estado independientemente del color del Gobierno que esté en el poder en cada momento. A los dos malestares se añade el hecho del gran esfuerzo que los servicios secretos están realizando en los últimos días para hacer frente a los terroristas y en los que se cita a título de ejemplo que las últimas detenciones realizadas con motivos de los atentados del 11-M han sido realizadas en una gran parte gracias al trabajo de los miembros del Centro Nacional de Inteligencia».

     Para manipular la información y defender su "transparencia informativa", el Gobierno de Aznar ha desclasificado sólo algunos documentos, no todos. Infelizmente tenemos que dicir que la mentira
sigue imperando sobre este tema.


Uma oportunidade para Barroso



O primeiro-ministro britânico Tony Blair visita Lisboa na terça-feira, para uma reunião de trabalho com Durão Barroso, soube o PÚBLICO. A visita-surpresa é marcada após as eleições espanholas que deram a vitória ao PSOE, partido que se opôs à guerra do Iraque e que anunciou para Junho a retirada das tropas espanholas do território. Tony Blair, o mais forte apoiante europeu da política externa de George Bush, vem "trocar impressões" com o último aliado que lhe sobra na Península Ibérica (Público, 20/03/2004)

     Para além dos compromissos internacionais que Portugal tinha com os seus antigos aliados, os EUA e a Inglaterra, o apoio português à intervenção no Iraque foi quase imposto pela inevitabilidade de o nosso País não ficar de fora quando o Governo de Aznar se pretendeu afirmar como potência mundial, como aliado preferencial de Washington na Península Ibérica e descarada ou dissimuladamente pretendia substituir o papel que Lisboa desempenhava na NATO, se possível retirando-nos o comando regional da organização que poderíamos perder.

     Fazendo os dois países parte das mesmas alianças e estando presentes nas mesmas organizações internacionais, era (e é) claríssimo o desiderato espanhol de anular completamente o nosso País. Apesar da (des)orientação europeístas e iberista dominante, ainda se conseguiu quase no limite, travar a pérfida ambição espanhola.

     Agora que parece (embora não convenha iludirmo-nos a esse respeito) que a Espanha possa reorientar (ligeiramente) a sua política no seu sentido mais tradicional, reduzindo a colagem aznariana aos Estados Unidos e abandonando a sua presença no Iraque, vamos ver como aproveita o Governo português esta oportunidade que se abre de atenuarmos o apagamento internacional em que alguns nos puseram. Para isso é imprescindível que a situação financeira o permita, que os detentores dos órgãos de soberania o queiram e que o Primeiro-Ministro tenha a coragem soficiente para correr os riscos que as acções arrojadas que nos possam ser solicitadas representam (arriscadas não tanto para o País mas sobretudo para os que pretendem ser reeleitos nas próximas eleições)... Da oposição, sempre irresponsável seja que partido for que esteja fora do governo, já se sabe que só se pode esperar demagogia e hipocrisia com o fim de obter uns votos. Do governo talvez também não se possa esperar mais do que nada fazer para não perder os votos que ainda tem.

     Mal vão os países quando os objectivos estratégicos se sacrificam pelos votos da manipulavel populaça por partidos e governos que não vêem mais longe do que a distância que vai do seu nariz até à estomacal ambição pessoal...


O trio da mentira


     Depois de Bush e Blair relativamente à grande polémica das armas de destruição massissa no Iraque, foi agora a vez da Aznar recorrer à mesma miserável estratégia a propósito da atribulada gestão da informação sobre a autoria dos atentados: pôr a culpa nos serviços de informação. Regressámos assim aos tempos das velhas monarquias absolutas quando o rei cometia alguma imprevidência: não tinha culpa; estava mal informado!...



     No imediato, a recurso a tais mentiras pode ser cómodo a políticos de poucos escrúpulos e de acanhada visão. Mas no futuro, este erro clamoroso, pode ter consequências nefastas. Para além de descredibilizar os próprios serviços de informações que constituem instrumentos basilares da defesa dos regimes democráticos, os autores destas traições poderão ter de pagar facturas muito caras. Normalmente os serviços de informações sabem coisas de mais, algumas delas muito inconvenientes para os dirigentes políticos. Aznar já começou a pagar caro, logos após os atentados, quando foram elementos do CNI e dos corpos policiais que forneceram à comunicação social as informações que derrubaram a falsificação da tese etarra. Com a desclassificação de alguns documentos confidenciais decidida vingativamente para denegrir o CNI e tentar limpar a lama com que Aznar, Acebes e Palacio se consporcaram, esta trupe neofranquista pode estar a fabricar a própria corda com que será enforcada pela opinião pública, se os mesmos agentes dos serviços de informação, como retaliação, trouxerem cá para fora muitas coisas que conhecem e que poderão queimar alguns membros do governo de Aznar e outras personalidades que gravitaram na sua órbita.

     Consta que a taição é um prato que se serve frio...


A Espanha vista por Felipe Gonzalez


     O Diário de Notícias publica hoje um interessante artigo do ex-Presidente do Governo espanhol, Felipe Gonzalez, redigido no dia 10 de Março.

     Em consequência dos atentados do dia seguinte, o autor telefonou ao El País solicitando a sua não publicação.

     O mesmo DN publica, também, outro artigo do mesmo autor, redigido no dia posterior ao massacre de Madrid, sobre este acontecimento trágico.

     Pela relevância do primeiro texto, já deu entrada no Arquivo Portugal e Espanha.

     Descrita por quem sabe, é uma boa imagem da Espanha para lá dos postais ilustrados e da propaganda do PP espanhol, de como funciona a sua democracia, dos debates que não houve previamente às eleições, do seu modelo económico esgotado dissimulado pelas excelentes taxas de crescimento económico, dos fracos níveis de desenvolvimento humano ocultados por trás do bem-estar económico e da bolha especulativa imobiliária.

     Muito importante é a posição crítica de Felipe Gonzalez relativamente à política externa espanhola dos governos de Aznar. É assunto de suprema relevância, especialmente na medida em que a política externa espanhola do próximo governo tenha repercussões em Portugal e na política externa que Portugal precisa de começar a ter.

     Assim pensamos nós que gostaríamos que o Palácio das Necessidades não fosse uma mera agência de empregos dos filhos de antigos e actuais diplomatas e da rapaziada dos partidos do bloco central que entre si vão repartido uns lugares numa casa onde no passado se pensava e sentia Portugal...


Pedro Almodóvar y un rumor de golpe de Estado




     El 13 de marzo estaba corriendo un rumor insistente en muchos medios de que el PP estava a punto de provocar un golpe de Estado. El día de la presentación de la película "La mala educación", Pedro Almodóvar ha denunciado este rumor. Fue el único que tuvo coraje de decir públicamente lo que muchos decían en privado.

     El Partido Popular ha presentado una querella contra él. Pedro Almodóvar ha pedido disculpas por suyas declaraciones en las que se hizo eco del rumor sobre un intento de golpe de Estado del PP el día anterior a la elecciones.

     Nunca sabremos si el rumor era cierto.

sexta-feira, março 19, 2004

Um novo tempo nos meios de comunicação públicos?


     A vitória do PSOE nas eleições espanholas tem de pôr fim a todas as aberrações e abusos de poder feitos polo PP nos seus últimos 4 anos de maioria absoluta e autoritária. Entre as medidas a tomar poderíamos citar a desmobilização das tropas no Iraque, a suspensão do Plan Hidrológico Nacional, a retirada da Ley Orgánica de Calidad de la Enseñanza, a recuperação da concórdia social, a impulsão duma reforma da estrutura do Estado (de ilusões também se vive), etc. Talvez pola minha própria profissão, uma questão tem-me sensibilizado dum jeito especial: a gestão dos meios de comunicação públicos. Na Espanha (e isto é aplicável a outros países), o Governo incide nos meios de comunicação públicos em três níveis (outros autores poderiam fazer uma classificação diferente e igualmente válida):

     O primeiro e mais evidente é também o meis nojento pola falácia que contém: o económico. Faz-se a lei do "quem paga manda" ou, neste caso, de não travar a mão que alimenta. A falácia é dupla porque, por uma banda, os meios de comunicação públicos pagamo-los todos os contribuintes (sejamos depois consumidores desses meios de comunicação públicos ou não), mas o dinheiro nosso que vai à Fazenda do Estado é assumido por este como próprio e, pois, na contra de sermos nós (os cidadãos) quem tenhamos a voz, a voz tem-na o Estado. A segunda vertente da falácia reside na natureza do Governo do Estado, que não é eleito por todos os cidadãos, mas por uma parte (maior ou menor) deles. Os meios de comunicação públicos não estão, pois, dando-lhe voz a todos os actores sociais: apenas aos que elegeram tal ou qual Governo.



     O segundo nível é a própria legislação, que lhe dá ao Governo um papel preeminente à hora de designar os quadros dirigentes dos meios de comunicação públicos, que serão quem condicionem as linhas de trabalho.

     Num terceiro nível (e derivado do anterior) estariam essas pautas de trabalho assinaladas polos quadros dirigentes (ou seja, indirectamente estabelecidas polo Governo, pois esses dirigentes são 'homens do Governo'), principalmente no que tem a ver com a agenda do meio (o que é notícia e o que não, o que se mostra e o que se oculta) e com o estilo (como se conta o que se conta, que aspectos são os mais relevantes e quais os secundários). Quando o meio discrimina sempre determinados temas (quer dizer, não estão na sua agenda) está ocultando informação e dando uma imagem sesgada do real; quando sobredimensiona uns aspectos ou ignora outros (estilo), poderíamos falar (segundo o caso) de desinformação ou de manipulação.

Entrevista de Alfredo Urdaci a Aznar. Ano 2004


     Foi precisamente nestes últimos 4 anos do PP (lembremos: com maioria absoluta) que vimos com maior claridade, com total impunidade e indignação dos profissionais, um fortíssimo influxo governamental neste último nível analisado. E não faço esta afirmação situando-me numa tendência política oposta ao Governo do PP, mas sob a luz dos factos: denúncias e greves dos trabalhadores dos meios de comunicação públicos, protestas cidadãs pola má cobertura informativa de determinados acontecimentos, mal-estar em todos os partidos políticos (agás o PP) e meios de comunicação do Estado (agás os afins ao Governo), etc. Quiçá o facto mais evidenciador tevesse como protagonista o director de informativos de TVE, Alfredo Urdaci, condenado a emitir num informativo a sentença judicial que condenava a sua atitude de vulnerar os direitos sindicais dos trabalhadores do ente público estatal na última greve geral e por manipulação informativa, vergonhoso episódio insólito na Europa democrática.

Artigo sobre a condena a Urdaci.


     O PSOE, num gesto que o honraria se deveras o cumpre, prometeu converter os meios de comunicação públicos (TVE, RNE, etc.) em espaços plurais a imagem e semelhança da BBC (curiosamente, o "modelo ideal" de Urdaci antes de ter tão importante posto). O câmbio é necessário, e não apenas porque não se esteja a cumprir a funçao de serviço público, mas pola função (mui importante) dos meios como mediadores da informação e criadores da realidade (quer dizer, intérpretes do real). Isto antolha-se-me fundamental à hora de dar uma visão plural e veraz (que não 'objectiva', que nunca pode ser meta) dos factos que contribua a criar opinião (mas não 'a opinião' ou 'uma opinião'). Do jeito no que vêem funcionando os meios sob controle do Governo, praticamente eram uns 'papagaios' oficiais ou 'propagandistas' do Governo.
     Mas o PSOE não pode cair no erro de querer fazer o câmbio só ou, no seu defeito, apenas em conjunto com o PP: tem de recorrer ao Parlamento, que é onde estão os representantes eleitos dos povos da Espanha.

Alfredo Urdaci. De momento ele é o director de informativos da TVE



This page is powered by Blogger. Isn't yours?